ASP Update by MEO 07-08-2012
Data: 07/08/12 Duração: 00:02:38 Visto: 112 vezes Votar: (0 votos)
Sudoeste Tmn, dia 2 de Agosto, e o espaço que ontem estava completamente relvado voltou, hoje, à sua “essência”… Bastou um dia de dança, pulos e loucura para a relva ser reduzida a pó no espaço para o público mesmo em frente à reggie.
O recinto do festival tem espaços definidos para várias actividades e é o espaço Music Box que tem a maior fila. E existe justificação para tal…
Ora imagine, quem não esteve no Sudoeste, chegar a um festival e num dos spots existir uma grua que eleva um palco com box truss no ar! E, sem dúvida, que ter uma visão de tudo o que se passa cá em baixo, a imensos metros de altura, é uma sensação indescritível!
Os três palcos existentes (Palco Tmn, GrooveBox e Meo Reggae Box) têm concertos em simultâneo e o público divide-se naturalmente.
No caminho para os diferentes palcos a afluência aos brindes Tmn é grande (fenómeno habitual nos festivais).
Chegamos ao palco Tmn e Ben Howard faz as honras do segundo dia de Sudoeste. O público, das mais variadas faixas etárias, começa a marcar os seus lugares e aguarda, pacientemente, que o espectáculo comece.
São 20h15 e, à hora marcada, Ben Howard começa o primeiro concerto do segundo dia de Sudoeste.
O músico e compositor inglês inicia o concerto com a música “Diamonds” e é com “Old Pine”, tema de 2011, que o recinto vai ficando, cada vez, mais cheio.
Com um alinhamento de 7 músicas, a terminar com “The Fear” ás 21h15, Ben Howard, conquistou os fãs na Zambujeira do Mar.
Assistimos ao rápido change over para Matisyahu. São 21h30 e a banda começa na sua onda reggae e rock alternativo.
Com seis led walls no total (quatro com emissão em directo do palco e dois com publicidade Tmn) conseguimos ver o guitarrista e o baixista com uma definição excelente. Um baixo muito presente no reggae num ambiente de festival.
E puxa-se pelo público quando se ouve “Portugal is good to be here. It’s good to be back!”. E com uma declaração romântica dedica a música seguinte à mulher porque é no Sudoeste que estão a festejar os 8 anos de casados.
Em simultâneo Freddy Locks toca no palco Meo Reggae Box. Os corpos dançam o reggae de dois sopros, um baixo, um teclado, uma bateria e uma guitarra/voz. E o público é pouco mas bom porque quem lá está não é indiferente ao som que se ouve.
É difícil não passarmos por este palco porque está logo à esquerda da entrada do Sudoeste e é impossível não termos curiosidade de lá ir espreitar e aproveitar para dançar um bocadinho.
Falta-nos ver mais um spot enquanto Matisyahu e Freddy Locks continuam a tocar… E decidimos ir ao GrooveBox ouvir um set de música electrónica. Numa tenda, praticamente vazia, The Twelves passam um set de música electrónica pesado. Os graves puxados ao máximo fazem-nos vibrar o corpo todo. Três led walls, um box truss a criar uma pista de dança fora do palco e muita luz negra numa tenda que ainda poderá vir a estar cheia mais para o fim da noite.
Voltamos ao palco Tmn onde Matisyahu continua a tocar. Entra um beatbox em palco e o groove é bom. Numa fusão de rap, reggae, beatboxing e hip-hop o concerto continua e ouve-se “Jerusalem if I forget you”. O público vibra e adere à festa!
São 22h30 e Matisyahu acaba enquanto, no palco Meo Reggae Box, Half Pint com Cornell Campbell e Far East Band estão a começar. Ouve-se o aviso que existem alterações no horário deste palco e que os dois concertos finais irão começar vinte minutos mais cedo.
O reggae continua… Estão 5 músicos em palco mas a malha do baixo marca o ritmo e o andamento do resto da banda.
Chegamos ao palco Tmn e mais um change over, agora para Fat Freddy’s Drop. São 22h50 e o espectáculo começa. Ouve-se o beat do Dj e entramos no rap de Fat Freddy’s.
Três sopros, um Dj, uma guitarra, teclas e duas vozes enchem o palco Tmn com uma força enorme.
Do material de iluminação ficam só os strobs a acompanhar o Dj naquele que se torna um dos momentos altos do concerto.
É meia-noite e Fat Freddy’s Drop despede-se do Sudoeste para dar início a um dos momentos mais cómicos do palco Tmn… Vasco Palmeirim diz-vos alguma coisa?
Não podia deixar de ser, e às 00h30, entram os Meninos de Coro em palco para uma música escrita pelo Vasco Palmeirim. Assistimos assim ao momento Rádio Comercial com direito a ouvir o mesmo tema duas vezes enquanto o change over acontecia. E fica desde logo o aviso que amanhã o momento se repete!
Logo a seguir o momento Tmn em que os operadores de câmara dão planos dos casais que estão no público e que aparecem nos led walls e só muda o plano… Quando existir beijinho!
00h37 e Ben Harper entra em palco para aquele que é um dos concertos mais esperados da noite. O público já encheu a frente da reggie e assistimos ao início do espectáculo com um desenho de iluminação simples mas bem conseguido.
Ao longo da noite, Ben Harper, apresenta um alinhamento coerente e bem estruturado. A entrada de Vanessa da Mata para cantar, a tão famosa, “Boa Sorte” capta-nos a atenção. Sem dúvida que o dueto soa tão bem ao vivo quanto no disco.
A equipa de imagem também está de parabéns porque os planos de vídeo ao longo do espectáculo foram muito bem conseguidos.
Entretanto pelo GrooveBox passaram: Tensnake Live, Miguel Neto, João Maria e Dorian Paic. E no Meo Reggae Box ouve-se Lee Scratch com Max Romeo e The Congos.
São 02h05 e Ben Harper sai de palco para que ás 02h30 Marcelo D2 comece o fecho de mais uma noite de Sudoeste.
São oito músicos em palco que se anunciam de forma muito simples e em português do Brasil “Isso agora é que vai ser Rap!”.
Começa o espectáculo com os graves a distorcer e o público de braços no ar. Em minutos assistimos a um black out perfeito que faz com que todos fiquem ao rubro!
E foi com “Oh oh oh cadé o isqueiro” que os presentes acenderam isqueiros (como se fazia antigamente antes da existência dos telemóveis) e a frente de palco além do calor humano sente os dedos a aquecer ao fim de uns segundos.
E entra o Beatbox que começa com Queen passa por White Stripes e dá uma “perninha” à Michael Jackson durante uns minutos.
O vocalista grita… “Reggaeeeeeee!!!” e numa mudança de beatboxing voltamos à sonoridade reggae que marca, sem dúvida, o segundo dia de Sudoeste.
Inicia-se um samba e toda a banda recomeça a tocar e no público ergue-se uma bandeira do Brasil.
Impõem-se as cores da Jamaica quando a letra nos remete para o reggae e para a “maconha” e as luzes passam a vermelho, amarelo e verde.
Marcelo D2 estreia o seu novo espectáculo no Sudoeste: “É o nosso primeiro show desta nova temporada. A gente ensaiou, tem músicas novas e é muito bom apresentá-lo assim. Obrigada pelo carinho”.
Convida pessoas do público para subirem ao palco e fecha a noite em clima de animação e festa. E como não poderia deixar de ser “Vamos lá tirar uma foto para o facebook. Valeu, valeu rapaziada”.
São 03h40 e o palco Tmn encerra mas para aqueles que ainda têm forças Saxon Sound continua no palco Meo Reggae Box e Rui Vargas com André Cascais estão prestes a começar no GrooveBox.
Eu assumo… Ainda lá dei um pulinho mas a seguir fui para o descanso da guerreira porque amanhã temos mais um dia de Sudoeste na Zambujeira do Mar…
Alinhamento do dia 2 de Agosto
Palco TMN:
20h15 – Ben Howard
21h25 – Matisyahu
22h50 – Fat Freddy’s Drop
00h15 – Moche Meninos do Coro
00h30 – Ben Harper
02h30 – Marcelo D2
GrooveBox:
21h00 – Ramboiage
22h00 – The Twelves
23h00 – Tensnake Live
00h00 – Miguel Neto
01h00 – João Maria
02h30 – Dorian Paic
04h00 – Rui Vargas e André Cascais
Meo Reggae Box:
21h00 – Freddy Locks
22h30 – Half Pint + Cornell Campbell + Far East Band
01h00 – Lee Scratch Perry + Max Romeo + The Congos
03h30 – Saxon Sound
Alinhamento Ben Howard:
Diamonds
Only Love
Old Pine
The Wolves
Black Flies
KYHU
The Fear
Alinhamento Ben Harper:
Number
Don’t Give Up
Rock N Roll is Free
Spilling Faith/ Get There
Amen Omen
Suzy Blue
Atlantic City
Diamonds
All My Heart Can Take
Mutt
Lonely Day
Wide Open Light
Fly One Time
Better Way
Glory
Boa Sorte
Alinhamento Marcelo D2:
Intro
Abre alas
Eu já sabia
Qual é
MD2
Gueto
Eu tenho o poder
A maldição do samba
Mantenha o respeito
Beat Box
1967
Pode Acreditar
CB
Profissão MC
A procura da batida…
Você diz que amor não dói
Vai vendo
Desabafo
No primeiro dia de Sudoeste os campistas chegam e as filas para os bilhetes começam a formar-se. Numa noite de Dj’s, a começar ás 22h10 com Pete Tha Zouk, o público espera em frente à reggie.
Pete Tha Zouk começa à hora marcada e o Sudoeste começa a “aquecer” numa noite de frio e vento.
Os graves fazem vibrar o corpo e aceleram-nos o ritmo cardíaco… O recinto vai enchendo e a adesão do público ao set do DJ é cada vez maior.
A batida acelera e intensifica-se pondo o público a vibrar e a reagir aos strobs. É assumidamente uma noite de música electrónica com muita pirotecnia e confetis.
“Como é que é? Quero ver esses braços no ar Sudoeste!” e assim se iniciou mais uma mistura com os graves a bombar e os agudos bem puxadinhos porque estamos no Sudoeste longe de tudo e os decibéis sobem a todo o momento.
Com um palco recheado de material de iluminação com Mac 3 performance, Mac 200 XB, Alfa Beams, Atomics 300, Mac 101, barras de leds e par de leds em grande quantidade em que o desenho de iluminação está muito bem conseguido.
Pete Tha Zouk sempre com boas misturas, boa presença e excelente feeling! E no público sempre bom ambiente e muito calor humano.
E a surpresa da noite… A gravação do vídeo clip de “We are tomorrow” ao vivo no Sudoeste. “Quem é que quer entrar no vídeo clip? Vai entrar o co-produtor desta música e é português. Deep Blue vamos apostar em Portugal! Todos vocês vão fazer parte deste vídeo clip”.
Operadores de câmara em cima de palco, muito vídeo em 4 led walls pelo VJ The Eye, confetis, fogo preso, laser e um público efusivo.
E quase no fim ouve-se um silêncio sem sentido e “parece que hoje a electrónica está contra mim” e, rapidamente, tudo volta a soar o que revela que Pete Tha Zouk está preparado para as eventualidades.
Regrava-se o vídeo clip e temos perante nós mais uma dose de euforia quando o DJ erga a bandeira portuguesa e sobe para cima da plataforma da mesa de mistura.
00h10 e Pete Tha Zouk termina o seu set e sai de palco sabendo que as expectativas foram superadas.
Cinco minutos para respirar, repor energias e Martin Solveig começa o seu set. Para nossa surpresa ouve-se Nirvana, AC/DC e Red Hot Chilli Peppers na sua versão pura e sem qualquer tipo de mistura.
E o público simplesmente ao rubro…
A casa de banho ao pé da reggie ficou, literalmente, partida quando algumas pessoas do público, consumidas pela adrenalina, saltaram incessantemente em cima da cobertura.
02h15 e Martin Solveig sai de palco dando lugar a Afrojack para um set mais pesado a fechar a noite.
São 04h00, tudo termina no Sudoeste com um nevoeiro intenso e com as expectativas elevadas para o dia seguinte.
Um primeiro dia repleto de surpresas em que se mostrou que também os Dj’s nacionais têm forte presença entre o público português.
video by Radiocomercial
A Joana Azevedo foi perguntar a alguns festivaleiros qual a experiência de acampar no festival SWTMN 2012.
Festival Sudoeste TMN
26 mil a ver Ben Harper (COM FOTOS E VÍDEO)
O Sudoeste juntou 26 mil pessoas, menos nove mil que no primeiro dia da edição de 2011 [recorde-se que o cabeça de cartaz foi o rapper americano Snoop Dogg] - para ver o mago da guitarra e dono de uma legião de fãs em Portugal, Ben Harper.
Por:Pedro Galego
Ao terceiro tema, ‘Rock ‘n Rol lis Free', o californiano através dos rasgados rifes já tinha o público na mão. Contudo, a grande multidão esperava o momento em que a brasileira Vanessa da Mata subiria ao palco para entoar com o cabeça-de-cartaz o tema ‘Boa Sorte/Good Luck'.
Antes de Harper coube aos Neozelandezes Fat Freddys Drop aquecer o público, mas a primeira grande surpresa do Sudoeste TMN deste ano foi talvez a entrada em palco de Matisyahu. Ele que se celebrizou, além da sonoridade reggae e hip-hop, pelo facto de ter um visual semelhante ao de um rabino judeu, apresentou-se na Herdade da Casa Branca, na Zambujeira do Mar, sem a volumosa barba e os longos caracóis no cabelo. Agora, o americano está mais parecido com um rapper urbano.
Eram 00h40, quando entra em palco Eddie Vedder, o seu ukulele e uma garrafa de vinho. O cenário estava montado para receber o melhor espectáculo da noite. O público reage logo apesar de as primeiras músicas serem do segundo álbum a solo (Can't Keep e Without You). Visivelmente bem disposto e muito conversador, leu várias vezes de um papel o que quis dizer em português. «Nunca toquei para tanta gente sozinho, mas com vocês aqui não me sinto sozinho», começou por segredar, e logo depois toca dois temas da banda que lidera Elderly Women Behind the Counter in a Small Town, seguida de I Am Mine.
Pediu desculpa por falar em inglês e elogiou o vinho alentejano, antes de beber directamente da garrafa. Dos Pearl Jam ainda se fizeram ouvir músicas como Just Breath, Better Man, Wishlist, e Porch (do álbum Ten), intercaladas com canções da banda sonora do Into the Wild e um outro tema que foi escrito para a lua. «Fico feliz por ela ter conseguido bilhete!», brincou. Não faltou You've got to Hide Your Love Away, dos Beatles, acompanhada por guitarra e harmónica, num verdadeiro one man show.
Antes de cantar Last Kiss, explicou que em conversa com um amigo português ele lhe disse «tu nao existes», e Eddie ficou a pensar que o estar em palco e cantar o fazia existir, e rematou «obrigada por me fazerem existir». Glen Hansard a quem chamou «amigo de estrada» entrou para cantar Society, Slepless Nights e Falling Slowly, com uma grande cumplicidade.
Às 2h20 começa o encore, e entram os dois músicos para tocar Hard Sun, com o céu e o mar como pano de fundo. O tema, todo o cenário e uma mala com um autocolante de ribeira d'ilhas que esteve em palco toda a noite foram o mote para o apelo que Eddie Vedder fez para manter o Ribeira Surf Camp do «meu amigo Tiago [Oliveira]». Houve um problema de som logo a seguir, e deixou de se ouvir a voz e a guitarra do vocalista dos Pearl Jam em parte do tema que fechou a noite. Apesar de tudo, a canção Keep on Rocking in a Free World, de Neil Young - que Vedder adaptou para Keep on Surfing in a Free World - terminou da melhor forma um concerto de mais de duas horas que dificilmente vai sair da memória.
Horas antes, pelas 20h, foi a vez de Glen Hansard abrir o segundo dia no palco TMN, com vários temas da banda sonra do filme Once, entre as quais When Your Minds Made Up, sobre um amor impossível por uma mulher. Queixou-se do barulho dos helicópetros que não pararam de circundar o recinto, mas manteve do príncipio ao fim uma atitude de entrega total.
Sozinho em palco apenas com uma guitarra - visivelmente gasta por tanta determinação a tocar -, Glen Hansard tocou entre outras, Low Rising, um tema que caracterizou de sexy hippie chamado Love Don't Leave me Waiting, e outro tema pela primeira vez ao vivo.
Na sua estreia em terras portuguesas, o músico recebeu em palco o seu companheiro de estrada Eddie Vedder - que apareceu com um ar descontraido e de boné - e juntos cantaram um tema do inspirador Bruce Sprinsting. Fecharam da melhor forma um concerto que poucos aproveitaram, mas que foi a banda sonora perfeita para aproveitar o por do sol na Herdade da Casa Branca.
Enquanto Richie Campbell mostrava o seu reggae e dava energia e euforia a quem estava em frente ao Palco TMN, a Groovebox enchia-se gradualmente para ver, ouvir e sentir Nicolas Jaar. O espaço encheu completamente e o formato live não decepcionou, com momentos constantes de boa electrónica que podiam apenas ter tido mais momentos de climax. Um concerto que prendeu até ao fim.
À hora certa, James Morrison invade o Palco TMN e desfila êxitos como Beautifull Lies, You Give me Something ou Wonderful World, com a entrega e o sentimento, que lhe são caracteristícos. Com uma simpatia cantagiante, ainda elogiou a lua cheia e a linda multidão, e apelou para que se aproveite o momento. Depois de ter estrado em 2010 no mesmo palco, o músico britânico voltou a cumprir a missão de dar música, em especial ao público feminino.
O britânico Example já começou depois da hora, mas veio com toda a energia fechar o cartaz de dia 3 de Agosto, com o seu seu hip hop que dá as mãos ao rock e ao reggae.
Música: Festivaleiros despedem-se hoje do evento na Zambujeira do Mar
Vinho, surf e rock & roll ao serão
"Nunca toquei para tanta gente a solo, mas com vocês aqui não me sinto sozinho." A frase foi lida em língua portuguesa numa cábula, onde trouxe frases preparadas. Eddie Vedder, carismático líder dos Pearl Jam, conquistou, logo a partir do primeiro minuto da actuação, os 32 mil festivaleiros no serão de anteontem do Sudoeste TMN, na Zambujeira do Mar.
Por:Pedro Galego
Entre tragos de vinho alentejano da Cartuxa – bebido do gargalo – e os acordes do ‘ukelele’, da viola ou da guitarra eléctrica, Vedder deu uma verdadeira lição (por exemplo a Ben Harper...) de como ser um ‘one man show’. Durante mais de duas horas, com direito a dois encores e a um magnífico dueto com Glen Hensard ao som de ‘Society’ – retirado da banda sonora de ‘O Lado Selvagem’ –, Vedder não parou de apelar à luta pela liberdade. Incluiu até uma mensagem de apoio ao Ribeira Surf Camp da Ericeira, local que o músico visita quando faz surf na costa portuguesa, e cujo dono enfrenta um processo de expropriação.
No entanto, foi quando entoou temas da sua banda que o público se empolgou – casos de ‘Wishlist’ ‘Just Breathe’, ‘Wishlist’, ‘Better Man’ e ‘Last Kiss’, que levaram à loucura os que não conseguiram arredar pé da frente do palco. O cantor arriscou ainda e bem em ‘You’ve Got to Hide Your Love Away’, dos The Beatles, ‘Open All Night’, de Bruce Springsteen, e o hino de várias gerações ‘Rockin’ in the Free World’, de Neil Young. A actuação foi apenas manchada por uma falha técnica que cortou o som por 20 segundos, nos quais se ouviu mais alto a plateia.
Já ontem coube aos porto-riquenhos Calle 13 abrir as hostilidades. Reivindicativos, começaram por fazer uma festa que tomou outras proporções com a entrada dos The Ting Tings. O duo britânico de indie-rock pôs toda a gente a cantar ‘That’s Not My Name’. Porém, as expectativas estavam mais altas para os Xutos & Pontapés e para o hip--hop, soul e funk dos The Roots.
Hoje, último dia de concertos, cabe a Jessie J e ao DJ francês David Guetta fecharem a festa.
Depois de ontem terem passado 26 mil pessoas pela Herdade da Casa Branca para assistir a atuações de Ben Harper e Matisyahu, o Sudoeste TMN continua hoje com concertos de Eddie Vedder - o vocalista dos Pearl Jam apresenta-se a solo - James Morrison, Example ou Nicolas Jaar. Siga aqui, em atualização permanente, a reportagem BLITZ.
PALCO TMN
Glen Hansard - 20h15
Richie Campbell - 21h25
James Morrison - 22h50
Meninos do Coro - 00h15
Eddie Vedder - 00h30
Example - 02h30PALCO GROOVEBOX
Best Youth - 21h00
Nicolas Jaar - 22h00
Benoit & Sergio Live - 23h15
Serginho - 00h15
Cadenza Nights: Luciano, Cesar Merveille & Maayan Nidam - 01h15PALCO MEO REGGAE BOX
Urbanvibsz - 20h05
Jamaican Legends Feat Bitty McLean - 21h50
Dreadzone - 23h50
Iration Steppas - 01h55
____________________________________________________19h47 - Faltam poucos minutos para a música voltar aos palcos dos Sudoeste TMN, mas são ainda muito poucos os que se encontram no recinto. Eddie Vedder, a grande estrela da noite, já aterrou - literalmente - na Herdade da Casa Branca. O eterno vocalista dos Pearl Jam, que hoje se apresenta a solo no palco principal do festival, chegou ao recinto de helicóptero, confirmou à BLITZ fonte da organização.
De passagem pela área do campismo, a reportagem BLITZ percebeu não só que os campistas este ano são em muito menor número que em anos anteriores - a segurança, essa, parece ter sido bem reforçada - como descobriu também que os mergulhos no canal parecem estar fora de moda: foram muito poucos os aventureiros avistados.
Entre duches "sexy", compras no supermercado, lavagem de louça e atividades tão diversas quanto participar em passatempos patrocinados por marcas de preservativos ou fazer dinheiro - €3,00 era o preço afixado - com uma simples agulha de crochê (a "transformar" cabelo em rastas), os festivaleiros passam o tempo até decidir entrar no recinto.
20h15 - À hora de início do espetáculo de Glen Hansard , o número de pessoas em frente ao palco TMN era demasiado pequeno para o concerto surpreendentemente explosivo que viria a acontecer. Mas vamos por partes. A receção do público à entrada do músico irlandês em palco não deixou dúvidas: Glen Hansard tem fãs acérrimos em Portugal. Cartazes com pedidos como "Glen, abraça-me" ou "Assina a minha guitarra" deixaram o irlandês surpreendido e satisfeito. "Esta é a minha primeira vez em Portugal e estou muito contente por aqui estar. Vocês têm um ótimo vinho", elogia Hansard enquanto bebe um pouco de vinho tinto.
O músico vencedor do Óscar de Melhor Canção Original em 2008 pelo tema "Falling Slowly" do filme "Once", protagonizado pelo próprio Glen Hansard, apresentou-se em palco apenas com uma guitarra. Bom, na verdade foram duas, porque o instrumento que é extensão do génio musical de Hansard traiu-o ao final do primeiro tema, "Say It To Me". "É melhor dares-me outra, senão não me despacho", disse Glen Hansard a um membro da produção enquanto tentava afinar a sua guitarra, sem sucesso. Este espírito despreocupado do artista pautou todo o espetáculo, dando-lhe um tom intimista. Durante o concerto Glen Hansard insultou um helicóptero que insistia em acompanhar o alinhamento com o seu "zumbido", abanou levemente a anca ao som de "Love Don't Leave Me Waiting", tema do novo álbum "Rhytm and Repose", pediu que baixassem a iluminação por ser demasiado rock-star para ele e agradeceu a um fã que o chamou "bom músico". "É melhor do que dizeres que sou uma merda", gracejou. E o público riu e rendeu-se completamente à simplicidade e excelência de Glen Hansard. Esta energia contagiante fez-se sentir em temas dilacerantes como "Leave", ou "Low Rising".
E quando o concerto estava prestes a terminar e os momentos altos pareciam ter terminado, eis que Glen Hansard revela um trunfo final. Momentos antes de cantar a última música do seu alinhamento, Hansard elogiou a mestria de Bruce Springsteen, cujo espetáculo viu recentemente em Dublim e o inspirou e mostrou o "quão bom deves ser como músico". Portanto faria todo o sentido terminar este alinhamento com um tema do "Boss do Rock". Mas o que ninguém esperava era que Eddie Vedder se juntasse a Glen Hansard para cantar em dueto a música "Drive All Night". O delírio instalou-se no recinto da Herdade da Casa Branca. Pouco depois do vocalista dos Pearl Jam ter pisado o palco vimos uma nova mancha de público a surgir atrás de nós como se fossem cogumelos. A cumplicidade e a harmonia perfeita das vozes arenosas dos dois músicos foi o ex-libris de um espetáculo memorável que foi assim encerrado com chave de ouro.
23h20 - James Morrison está neste momento em palco a mostrar como a sua voz rouca serve a música pop. Antes dele, o português Richie Campbell explicou ao público do Sudoeste TMN como bem produzir e interpretar reggae e dancehall com um toque nacional: o músico arrastou consigo a multidão que costuma concentrar-se frente ao palco reggae (o Meo Reggae Box estava completamente vazio quando os Jamaican Legends subiram ao palco com Bitty McLean) e deu o concerto mais participado que vimos até agora.
Passando por "Waiting in Vain", de Bob Marley, logo no início, Campbell, rodeado por um coro afinadíssimo e uma banda segura de si, atirou-se de alma e coração a temas como "Love Me So", "Everytime I Cry", uma canção que será incluída no novo álbum e o músico decidiu testar no palco do sudoeste (edição do longa-duração está marcada para outubro) e o dueto com Ikaya que será o novo single - chama-se "Love is an Addiction" e sai em setembro. Aquela que foi apresentada como "uma das melhores vozes jamaicanas" por Campbell - "eu avisei que era um concerto muito especial" - mostrou também, a solo, o poder quente da sua voz, com "Fly Away".
Na tenda Groovebox, o americano Nicolas Jaar assinou um live act contínuo e transformou o espaço - bem composto, mais que o que esperávamos - num local onde a dança era contida mas intensa. Acompanhado por um guitarrista discreto e um saxofonista expansivo, o músico mostrou como o seu minimalismo é bem cheio e como as melodias obscuras e profundas se tornam irresistíveis quando estamos para ali virados. O público respondia quando a batida se adensava, mas nunca saía completamente de um transe que durou a hora e picos da atuação. Para o final, ficou guardado obviamente o misterioso "Space is Only Noise if You Can See" que empresta o nome ao elogiadíssimo álbum de estreia.
00h14 - A esta altura do campeonato, James Morrison é praticamente um bom e velho amigo do público português. Já perdemos a conta das visitas que o britânico de voz rouca fez ao nosso país. Ainda em Março deste ano Morrison pisou o palco dos coliseus para apresentar o seu mais recente álbum, "The Awakening". Mas, como costuma acontecer com os bons amigos de longa data, o público continua a apreciar a companhia de James Morrison.
"Beautiful Life" teve honras de abertura e os festivaleiros aderiram com entusiasmo a este animador tema do novo disco do artista. James Morrison é um músico dedicado e que se entrega de corpo e alma a todo o alinhamento que seleciona para os seus espetáculos. Mas isto só não basta. Durante temas menos familiares como "This Boy", ou o emotivo "In My Dreams", o público parecia disperso, mas lá ia acordando e vibrando com os elogios sentidos de Morrison ao seu amado "Portugalé".
Este cenário altera-se completamente quando os hits do britânico "rasgam" o alinhamento. Bastaram os primeiros acordes de "Broken Strings", tema originalmente cantado em parceria com Nelly Furtado, aqui servido numa roupagem mais acústica e a solo, para se ouvir a primeira grande ovação do concerto. Daqui até vermos telemóveis em punho prontos a filmarem a atuação e raparigas a subirem aos ombros de namorados entediados foi um instante. Justiça seja feita a James Morrison. O cantor é perito em criar temas "orelhudos" e que perduram no tempo. Poucas foram as pessoas que não acompanharam o cantor nas letras do dueto com a cantora luso-canadiana e nos populares e "velhinhos" "You Give Me Something" e "Wonderful World". Nós fomos umas delas. E sentimos falta do encantador "Up", tema do novo álbum cantado a duas vozes com Jessie J. Poderá um dueto surpresa estar preparado para este mesmo palco, onde a britânica se apresentará no dia 5?
Mas, depois de tantas presenças em solo português e contando com apenas alguns hits como grandes alicerces do alinhamento, os concertos de James Morrison já precisam de um novo fôlego. O cantor precisa tirar mais coelhos da cartola. E levantar timidamente a t-shirt no final do espetáculo, com vista a roubar uns gritinhos histéricos, não é suficiente. Talvez uma produção mais ambiciosa ajudasse os seus temas ainda em fase de crescimento a brilhar mais em palco e a tornar as suas atuações menos mornas. Morrison tem boas músicas e músicos para sustentar uma exibição mais arrojada.
02h37 - O norte-americano Eddie Vedder está neste momento a abandonar o palco do Sudoeste TMN, depois de mais de duas horas de concerto. "Lutem pelos vossos direitos. Paz", foram as últimas palavras que ouvimos da boca do vocalista dos Pearl Jam, que hoje deu uma verdadeira lição sobre como ser um "one man show" competente, conquistando sem grandes reservas as 32 mil pessoas que, segundo a organização, compõem bem a moldura neste segundo dia de festival.
Aquilo que faltou realmente hoje ao espetáculo que Vedder apresentou foi uma grande fogueira que aquecesse os corpos da mesma forma como o artista aqueceu os ânimos. Apoiado no ukulele, que se tornou personagem principal do álbum a solo editado no ano passado, na guitarra acústica ou na guitarra elétrica, o músico foi alternando canções intimistas da sua carreira a solo - quer de Ukulele Songs quer da banda-sonora que assinou para o filme Into the Wild - com alguns êxitos dos Pearl Jam, reconhecidos prontamente e celebrados de forma sempre efervescente.
"Can't Keep", primeiro tema de Ukulele Songs - gravado originalmente para o álbum Riot Act , dos Pearl Jam -, teve honras de abertura da atuação e as palmas rebentaram, pareceu-nos a nós, mais porque as pessoas tinham Eddie Vedder em frente que pelo amor que dedicam à segunda aventura discográfica a solo do músico. O concerto prosseguiu com "Without You", também do referido álbum, mas depois de abrir a porta ao repertório dos Pearl Jam com o pouco conhecido "Soon Forget" começou um verdadeiro festim para os fãs da banda de Seattle.
"Nunca toquei para tanta gente sozinho", disse o músico pouco depois de dar início ao concerto, "com vocês aqui não me sinto sozinho". Foi com estas palavras que Vedder conquistou a plateia, que não desligou daquilo que se passou em palco nas duas horas que se seguiram. O artista norte-americano dirigiu-se aos fãs em português várias vezes (com uma cábula à frente e avisando a dada altura que o seu domínio da nossa língua é "uma bela merda").
O velhinho "Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town" foi o primeiro tema a fazer irromper um grande coro, mas obviamente temas como "Just Breathe", "Porch" ou "Better Man" (em versão ukulele) levaram a plateia à loucura. "Wishlist", do mal-amado álbum Yield , foi outro dos pontos altos do "singalong", só talvez ultrapassado por "Last Kiss", tema de Wayne Cochran que se tornou um sucesso planetário quando os Pearl Jam decidiram gravá-lo.
"Far Behind", servido furiosamente na guitarra acústica, "Rise" e "Setting Forth" foram alguns dos temas repescados por Vedder a Into the Wild , mas o músico também meteu foice em seara alheia, interpretando "You've Got to Hide Your Love Away", dos Beatles, "Open All Night", com Bruce Springsteen a marcar novamente presença na edição deste ano do Sudoeste, ou, já no final, "Rockin' in the Free World", de Neil Young, com a ajuda de um fã que conheceu hoje - e foi durante este último tema que o som se foi momentaneamente (falha técnica ou último aviso para finalizar o concerto?).
No primeiro encore, "Last Kiss" roubou obviamente o protagonismo, mas o músico convidou depois para o palco Glen Hansard, "meu grande amigo e colega de estrada", com quem tocou em duelo desgarrado o tema "Society", de Into the Wild , o oscarizado "Falling Slowly", da autoria de Hansard, e, claro, o tema "Sleepless Nights", gravado em dueto por ambos para Ukulele Songs . Já no segundo encore, Vedder teve ainda tempo para tocar "Hard Sun" e para pedir ajuda para o seu amigo do Ribeira Surf Camp na Ericeira, onde o músico fica quando vem surfar a Portugal, que está a ser expropriado.
4h03 - Com o prolongamento inesperado do concerto de Eddie Vedder, a atuação de Example em Portugal atrasou cinquenta minutos. No entanto, em frente ao palco ainda encontrámos uma plateia bastante composta e pronta para se deixar conquistar pelo cantor e rapper. "Ainda estão com energia?", questionou Example. A resposta foi absolutamente positiva.
O público "alimentou-se" de temas eletrizantes como "Stay Awake", que chegou a número um no Reino Unido, "Won't Go Quietly", ou "Hey Good Morning". Durante o explosivo "Where Did The Sun Go" era impossível ver alguém parado. Alguns festivaleiros dançavam freneticamente, uns fingiam divertidas e movimentadas lutas com brindes em forma de sabres de luz, e outros saltavam à corda ao som da música. A infusão eletrónica de Example foi o ingrediente certo para encerrar este segundo dia de Sudoeste TMN em festa.
Textos: Mário Rui Vieira e Pedro Barbosa da Silva
Fotos: Rita Carmo/Espanta EspíritosArtistas de A a Z ¤ Eddie Vedder ¤ James Morrison
Depois de ontem Eddie Vedder ter atraído mais de 30 mil pessoas ao Sudoeste TMN, hoje é a vez dos Roots subirem ao palco. Antes, atuam os Xutos & Pontapés e os britânicos Ting Tings. A noite também é forte no palco eletrónico, com os Thievery Corporation, Four Tet e Orelha Negra a marcarem presença. Siga aqui a reportagem BLITZ em atualização permanente.
PALCO TMN
Calle 13 - 19h45
The Ting Tings - 21h00
Meninos do Coro - 00h30
Xutos & Pontapés - 22h45
The Roots - 00h30
Gorillaz Sound System - 02h30PALCO GROOVEBOX
Mary B - 19h55
Orelha Negra - 20h50
Thievery Corporation - 22h10
Four Tet - 23h40
Freshkitos - 01h10
Daze Maxim - 02h15
Expander - 03h15
Jani Krueger & Vera - 04h30PALCO MEO REGGAE BOX
Chapa Dux - 20h00
Little Roy - 21h45
Jah Mason, Fantan Mojah and the Dub Akom Band - 23h30
Overproof Soundsystem - 01h20
____________________________________________________19h49 - Os porto-riquenhos Calle 13 estão neste momento a dar início à primeira atuação do terceiro dia do Sudoeste TMN. No recinto, tudo parece calmo, apesar do estardalhaço habitual das diversões proporcionadas pelos patrocinadores do festival (ontem, a fila para a pista de dança elevadiça, que terá com certeza a melhor vista para a Herdade da Casa Branca, esteve sempre bem concorrida).
20h43 - Quando Calle 13 entraram no palco TMN, o público ocupava pouco mais que as duas primeiras filas deste espaço. Esta fraca adesão inicial não fazia jus ao percurso notável da banda com mais Grammys Latinos da história destes prémios. Até à data, Calle 13 conquistaram dezanove estatuetas. No entanto, o público presente revelou-se caloroso à chegada dos porto-riquenhos, contagiando uma nova massa de festivaleiros curiosos que entretanto resolveu "juntar-se à festa".
Letras com um forte cariz de intervenção social como "Baile de Los Pobres" entusiasmaram a audiência que aplaudia e dançava freneticamente versos como "Tu la vives facil y yo me fajo, tu sudas perfume, yo sudo trabajo." O espírito contestatário das canções da banda foi muito apreciado pela audiência, que sorria e imitava o erguer do dedo do meio do vocalista, Residente, direccionado aos "governantes e políticos". Calle 13 não se inibem de "falar sobre tudo" e talvez por isso tenha surgido no alinhamento o tema "Ven y Criticame", dedicado "às rádios que são uma merda."
Mas apesar das músicas carregadas de mensagens relevantes e incendiárias sobre temas como sexo, política e religião, Calle 13 não exaltaram a revolta no Sudoeste TMN, mas antes divertiram - e muito - o público. Olhávamos em volta e o que mais víamos eram pessoas a dançar ao sabor de uma cerveja, ou com a bandeira de Porto Rico nas costas. Pelo meio houve tempo para uma viagem à Colômbia, mais precisamente ao tema "Gordita", que a banda gravou com Shakira, aqui representada pela irmã do vocalista, Ilena Cabra, aka PG-13. A jovem ainda tentou imitar a inimitável dança do ventre da colombiana. Mas o que mais nos agradou foi mesmo a sua voz, cuja textura carnal nos fez pensar no passional flamenco.
Fechando com o arrebatador "Atrevéte-te-te", Calle 13 deram um espantoso concerto de abertura, dando assim continuação ao notável legado deixado pelos restantes espetáculos que, até agora, inauguraram os anteriores dias do festival.
22h11 - Os ingleses Ting Tings acabaram de dar um concerto enérgico mas que não chegou a aquecer os ânimos num dia que se está a revelar bastante fresco. O recinto está visivelmente mais vazio que ontem e foram poucos os que se concentraram frente ao palco principal para ouvir Katie White e Jules De Martino. A concorrer diretamente com os portugueses Orelha Negra, que atuavam no espaço Groovebox, os Ting Tings terão saído a perder, já que a tenda do espaço secundário encheu mas a moldura frente ao principal nunca chegou a ficar realmente composta.
Apresentando um leque de canções de tendência urbana - a fusão entre uma pop forte em guitarras e um hip-hop mal assumido tornou-se uma marca da banda - White e De Martino nunca desistiram de puxar pelo público, mas este, apesar de ter dançado e saltado, nunca se soltou verdadeiramente. Os pontos altos da atuação foram, como esperado, os dois maiores êxitos do primeiro álbum, "Shut Up and Let Me Go" e "That's Not My Name", sabiamente guardado para o encerramento do concerto.
Durante a apresentação de "Hit Me Down Sonny", White desceu ao fosso, mas o entusiasmo com que foi recebida não foi muito e quando a dupla decidiu que queria transformar o recinto numa gigantesca pista de dança, com a versão remisturada de "Hands", só pode ter ficado frustrada: a inércia não era total mas a reação não foi propriamente esfuziante. No final, a cantora saiu de palco com a bandeira portuguesa na mão, mas diríamos que este não terá sido um concerto memorável para os Ting Tings. Será que o foi para alguém?
22h30 - Apesar de se terem estreado como Orelha Negra apenas em 2010, Sam The Kid, Francisco Rebelo, João Gomes, Fred e DJ Cruzfader já têm uma vasta legião de seguidores, que hoje lotou o palco Groovebox do Sudoeste TMN. Os projetos paralelos, a solo ou em grupo, podem ter chamado a atenção para este novo coletivo de músicos, mas os Orelha Negra já conquistaram um lugar especial no mundo da música. O seu hip-hop instrumental apareceu como uma lufada de ar fresco que o público apreciou e cuja recetividade impressionou, inclusive, os integrantes do projeto. Os Orelha Negra viram ser-lhes aberta uma perspetiva de carreira inesperada, tal como revelou Francisco Rebelo à edição de agosto da BLITZ.
No festival da Zambujeira do Mar, os Orelha Negra foram acompanhados de uma iluminação que ofuscava os seus rostos e dava destaque aos verdadeiros protagonistas deste coletivo: os instrumentos. Um concerto como o de hoje, sem pausas entre as músicas, poderia ter levado o público a sentir-se pouco inspirado pela falta de interação dos Orelha Negra. Mas, ao final de cada tema, a audiência mostrava-se cada vez mais entusiasmada, aplaudindo e assobiando, em sinal de agrado, até à exaustão. Músicas como o sedutor "Since You've Been Gone", "M.O.P", de Ante-Up, ou "Heartbeat", de Nneka, foram alvo de ovações emotivas da plateia. A presença de temas de outros artistas foi, aliás, uma constante neste espetáculo. Ao longo da cerca de uma hora de atuação, ouvimos samples de Jackson 5, Kanye West ou Busta Rhymes.
Os Orelha Negra mostraram hoje o porquê da sua singularidade ser tão atrativa para o público português. "Projetaram algo diferente no hip-hop. Transformaram-no num projeto de banda, com elementos vindos de outros géneros musicais", confidenciou à BLITZ um espetador rendido, referindo-se ao jazz, soul e funk impresso nos temas dos músicos. A julgar por esta receção, parece-nos que os Orelha Negra vieram mesmo para ficar.
23h04 - Os Thievery Corporation atraíram ao espaço Groovebox a maior enchente que vimos naquele espaço este ano. O projeto baseado em Washington fez a festa com um leque de convidados vocais que esteve à altura da ocasião, instigando a audiência a participar num concerto cheio de momentos interativos, com muitas mãos no ar e palmas a celebrar o verdadeiro cocktail de eletrónicas, com pitadas de reggae, dub, ritmos indianos e latinos.
"Vampires", dedicada aos políticos "sugadores de sangue", a muito aplaudida "The Heart's a Lonely Hunter", gravada com contribuição vocal de David Byrne, "United Tribes" (que exigiu punhos no ar), e o groove intenso de "The Richest Man in Babylon" foram as canções mais celebradas da noite. A atuação dos Thievery Corporation foi um dos grandes triunfos da noite, até agora, tendo deixado o público completamente rendido.
Quando Kieran Hebden, o homem por trás do projeto Four Tet , entrou em palco, eram muito poucos aqueles que se encontravam no espaço interior da tenda. Apesar da debandada geral - os Xutos tocavam no palco principal -, o músico defendeu sozinho, e bem, como sempre, as batidas densas e contagiantes, adornadas por ambientes misteriosos que, aos poucos, foram fazendo dançar as poucas pessoas presentes.
00h07 - A longevidade e adoração do público português por Xutos & Pontapés impõe respeito. Com trinta e três anos de carreira, a banda de Tim, Zé Pedro, Kalú, João Cabeleira e Gui ainda é capaz de levar cerca de 28 mil pessoas aos seus concertos e fazê-las vibrar. Os "culpados" por esta receção de braços abertos, ou cruzados em x, são os incontornáveis sucessos da banda, que já fazem parte da história do rock'n'roll nacional.
E o que não faltou neste concerto foram histórias para partilhar. Durante praticamente todos os temas que compuseram o alinhamento, Tim revelou pequenas curiosidades sobre os mesmos. Seja o facto de o clássico "Conta-me Histórias" ter sido a primeira canção de amor dos Xutos, ou que "Vossas Excelências", dirigida aos "senhores ministros e vereadores", lhes tenha sido "ensinada pelos titãs do outro lado do Atlântico".
Mas voltemos aos sucessos. É muito difícil temas como "Homem do Leme", "Ai a Minha Vida", "Chuva Dissolvente", ou "Minha Casinha" faltarem à chamada para os concertos de Xutos & Pontapés. Assim que estas músicas se fizeram ouvir na Herdade da Casa Branca vimos moches, sorrisos largos e ouvimos gritos estridentes. Não nos surpreende que o apreço pelo coletivo de Tim atravesse muitas e diferentes gerações. Todos os membros do grupo têm o mesmo carisma de antigamente e que ainda se mantem atual. Só numa banda emblemática como Xutos & Pontapés é que um baterista, Kalú, assume as rédeas de um tema, "O Tonto", apenas acompanhado por um guitarrista, Zé Pedro, e recebe a mesma ovação que um vocalista.
O que é que este concerto de Xutos & Pontapés teve de diferente de outros? Aparentemente, nada. Mas, como nos disse um festivaleiro, "Xutos são Xutos". E mesmo depois de muitos dos presentes já terem perdido a conta às vezes que viram a banda ao vivo, enquanto Xutos & Pontapés forem capazes de, ao final de um alinhamento de dezoito músicas, conseguir arrancar os habituais "Só mais uma", os palcos deste país vão continuar a ser a sua residência habitual.
02h07 - Cabe tudo num concerto dos Roots . O projeto em que todos os elementos são potenciais superstars - a descontração e carisma de cada um é contagiante (confessamos que tivemos de nos controlar para não perder demasiado tempo a tentar encontrar o pente no cabelo de Questlove) - assinou uma atuação vibrante, de hora e meia, e provou por que razão merece ser o nome mais alto de um cartaz que não prima propriamente pela coerência (juntar os Ting Tings, os Xutos & Pontapés e os Roots é obra).
Com um Black Thought em topo de forma - o MC puxa tanto pelo público como pelos colegas - os Roots começaram por homenagear Adam Yauch, elemento dos Beastie Boys falecido em maio passado, mas rapidamente submergiram em temas do seu repertório, como um "The Fire" igualmente entusiasmante sem John Legend, "Break You Off" ou "You Got Me" (aqui, confessamos, sentimos alguma falta da voz doce de Erykah Badu).
E porque fazem tudo em grande estilo, os Roots transformam a gigantesca tuba no instrumento mais excitante que vimos subir ao palco esta noite: Damon "Tuba Gooding Jr." Bryson protagonizou um dos solos mais mexidos do concerto, mas foi Captain Kirk Douglas que mais aplausos recebeu, especialmente quando liderou a banda numa versão de "Sweet Child O'Mine", dos Guns N' Roses, momento em que percebemos que, para o público - em bem maior número do que tínhamos pensado - tanto fazia ter em palco os Roots ou uma "banda de covers".
Ainda falando de versões, ouvimos também um excerto de "Careless Whisper", de George Michael, pela voz do guitarrista, e, momentos antes, uma abordagem a "Jungle Boogie", dos Kool & The Gang. Entre o jazz-rap e apontamentos reggae, os Roots seguiram o seu caminho até desembocar em "The Seed (2.0)", aquilo que de mais perto têm de êxito radiofónico. Isto depois de terem até tocado o tema do genérico do talk show de Jimmy Fallon, programa do qual são a banda de apoio. "We love you" foram algumas das últimas palavras a sair da boca de Black Thought. Se o amor é correspondido pelo público que hoje acorreu à Herdade da Casa Branca, temos as nossas dúvidas, mas isso não macula, de forma alguma, um concerto irrepreensível.
02h55 - Gorillaz, a banda criada por Damon Albarn e Jamie Hewlett, apresenta-se neste momento no palco TMN mas em formato DJ set. Intitulado Gorillaz Sound System , este projeto é composto por um percussionista, baterista, diretor visual e, como não poderia deixar de ser, um DJ.
Um longo pano preto cobre todos os elementos do coletivo, com vista a projetar nele várias imagens animadas dos bonecos que compõem a formação original de Gorillaz. No entanto, esta componente audiovisual revela-se pouco eficiente no espaço mais próximo do palco, ganhando vida apenas nos ecrãs gigantes e a largos metros de distância do local onde a banda toca. Talvez seja por isto que o público se manteve apático durante boa parte da setlist. Só quando se fizeram ouvir hits como "Feel Good Inc.", "Clint Eastwood", ou "I Want You Back", dos Jackson 5, é que a plateia decidiu pôr os pés em movimento e dançar. Mas sem grande entusiasmo, diga-se.
Textos: Mário Rui Vieira e Pedro Barbosa da Silva
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos
O músico norte-americano Eddie Vedder atua hoje, a solo, no festival Sudoeste TMN, na Zambujeira do Mar, Odemira, pondo à prova a popularidade que tem junto do público português para lá das fronteiras do grupo Pearl Jam. O concerto de Eddie Vedder será um dos principais momentos da noite do festival.
Esta noite não teve um concerto bom, teve muitos. Teria sido uma noite ainda melhor se certas bandas não estivessem na Groovebox mas sim no palco principal.
CALLE 13
Os porto-riquenhos sofreram do mal de todos os que abriram o palco TMN, pouca assistência. A banda impôs-se e surgiram mais espectadores, mas não muitos. Residente e Visitante são contagiantes e as músicas controversas ao jeito de crítica social tão característica da formação também seguem este registo. Calle 13 mostrou bem o porquê dos prémios ganhos.
ORELHA NEGRA
Bandas num palco secundário não são bandas de segunda e aqui em particular [na Groovebox] Orelha Negra foi de primeiríssima classe. Se considerámos que no Rock in Rio a actuação desiludiu, medos dissipados, este foi um dos concertos da noite - e dizê-lo de uma banda portuguesa sabe ainda melhor. Com tenda cheia e muita energia, os "cinco magníficos" começaram com as músicas do mais recente trabalho mas foram os êxitos do primeiro que levaram ao rubro a audiência. Mãos no ar e palmas a acompanhar o ritmo foram uma constante, a que também não faltaram cabeças a abanar e corpos sempre a balançar. Positivamente imprevisíveis, os Orelha debitaram samples de Beastie Boys, Nneka, Kanye West, Jackson 5, Busta Rhymes, Chullage e Mind The Gap e o público retribuiu estas sobremesas com assobios de satisfação. O que é bom acaba depressa e fica a impressão que podiam ter continuado muito mais tempo.
THE TING TINGS
Com uma diferença de horário de 10 minutos para Orelha Negra, apesar de palco principal foram prejudicados com a concorrência. A dupla esteve incansável, o público é que esteve inerte. Juntou-se um pouco mais de pessoas do que em Calle 13 mas nem por isso melhorou. Katie tentou de tudo e deu mesmo tudo em palco, numa óptima performance, que encerrou com "That´s not my name".
THIEVERY CORPORATION
Mais uma banda a nível de palco principal mas numa Groovebox a rebentar! Orelha elevou a fasquia mas Thievery já cá andam há algum tempo e experiência é algo que joga sempre a favor - eles sabem o que fazem. Com a assistência sempre a responder à interacção da banda e dos convidados, Dinâmica e entusiasmo verdadeiro foi o que se assistiu no palco. Mais um grande concerto da noite! A banda saiu e toda a gente pediu "bis"... inúteis, é verdade, mas completa e totalmente compreensíveis.
XUTOS & PONTAPÉS
Um festival em Portugal parece já não ser um festival se não contar com a presença dos Xutos & Pontapés. O estatuto da banda portuguesa é de destacar e o público português abraça-os como abraça a bandeira nacional - não é exagero, há clássicos da banda que são como hinos cantados pelo público. E contaram com mais uma actuação digna dessa responsabilidade que "tubarões" com mais de 30 anos de palco já nada temem. Braços em X, pulmões cheios e mais uma vez os Xutos e Pontapés foram reis e senhores de um público que os traz sempre no coração.
THE ROOTS
Hip Hop em formato banda. Estes senhores são da velha guarda, [ainda?] não são mainstream e essa é uma razão provável para não ter "casa cheia". Arrependam-se os que não foram! Black Thought é o M.C. de serviço mas envolve-se com toda a banda. O hip hop soou elegante e requintado e com direito a explosão quando tocaram "Sweet Child of Mine". A partir daqui Captain Kirk Douglas dominou o palco e surgiram mais versões, como por exemplo "Bad to the Bone". Foi delirante a prestação deste fantástico guitarrista - aliás, todos os músicos são notáveis! Quando ameaçaram acabar, arrancaram ainda mais "noise" do público e não deu, era impossível parar. O concerto acabou com "The Seed", o tema mais conhecido. Bom demais!!!
GORILLAZ SOUND SYSTEM
Visualmente atractivo mas com o som demasiado alto e distorcido. Teve power mas não encantou e isso reflectiu-se no público, que respondeu principalmente ao som de "Feel Good Inc."e "Clint Eastwood" da banda e do clássico "I Want you Back" dos Jackson 5. Quem gosta de Gorillaz, saiu desapontado.
Parece que as nossas preces de ontem foram atendidas e que os deuses da música foram generosos e nos ofereceram uma noite de sintonia entre bandas e público. Na Herdade da Casa Branca, na Zambujeira do Mar, cerca de 30 mil pessoas tiveram direito a uma grande noite de festival.
GLEN HANSARD
Tal como no primeiro dia oficial do Festival Sudoeste TMN, o palco TMN "acordou" tarde. Excessos da noite anterior ou culpas do relógio biológico que anunciava horas de jantar, foi com uma plateia ainda em número reduzido que o irlândes Glen Hansard foi recebido na abertura das festividades do segundo dia. Com poucos mas bons, o músico que compôs a banda sonora de "Once", filme que protagonizou, aqueceu o palco com uma actuação inesperadamente triunfante. Acompanhado de uma guitarra e uma quanta dose de simplicidade, houve lugar para a apresentação do álbum "Rhythm and Repose", evocações à inspiração do "boss" e a surpresa do dueto com Eddie Vedder no tema "Drive All Night", de Bruce Springsteen. A abertura ideal para um palco onde a variedade de estilos iria ser privilegiada.
RICHIE CAMPBELL
Vai-se embora a guitarra acústica, chega o Reggae, chega mais público e a boa onda. Richie Campbell jogou em casa! O espírito do Sudoeste adequa-se na perfeição ao estilo que marca as actuações do português e a casa encheu-se para o receber. Com um palco cheio de som e movimento, Richie Campbell não defraudou as expectativas, cumprindo com uma actuação repleta de competência, aliada a boa disposição. Como habitué que já é de festivais, já não se deixa intimidar com a grandeza de um palco desta envergadura. Sabe o que o público quer e deixa-os saciados, acabando ele próprio, assim como a sua banda, por também apreciarem o espectáculo. É sempre bom podermos assistir a uma banda portuguesa num palco principal, principalmente quando a prestação é tão boa.
JAMES MORRISON
O menino é bonito e a voz não lhe fica atrás. O concerto provou que as miúdas são quem manda e os rapazes tiveram que ouvir o que, com alguma dose de preconceito à mistura, dizem não gostar - prova disso é assistir à forma como acompanha as namoradas nos singles mais badalados do artista e constatar que sabem as letras de cor. Preconceitos à parte, James deu mesmo um bom concerto. Não falhou uma nota, deu tudo em palco e ofereceu uma boa prestação ao vivo. É o que se exige de um concerto.
EDDIE VEDDER
Após a surpresa no concerto de Glen Hansard, ei-lo sozinho em palco. "Eddie! Eddie! Eddie!" era o que se ouvia, mas a herdade rapidamente se silenciou respeitosamente para ouvir os acordes do seu ukulele. Eddie Vedder usufrui de um estatuto que pouquíssimos músicos se podem gabar, principalmente em Portugal, onde é muito acarinhado, até porque escolhe este pequeno grande país para fazer uma das suas actividades preferidas, o surf. Já tem uma mão cheia de amigos por cá e até fez referência ao facto de terem privado os surfistas de uma praia na Ericeira [Ribeira d`Ilhas], pedindo o apoio de todo o público para se manifestar contra. Na verdade, qualquer outro músico que se apresentasse com aquelas primeiras músicas corria o risco de ser vaiado. Na verdade, ninguém queria saber de ukeleles. Apenas por respeito se aguentou aquela música chata. Toda a gente vibrou com temas de Pearl Jam e com a tão aclamada banda sonora de "Into the Wild", cujos temas mais apreciados tocou. Não faltaram as típicas leituras em português, quase ao jeito de um Papa. Será que ele pensa que ainda não percebemos Inglês, ou será que gosta de nos mimar? Talvez por isso também não tenha faltado uma garrafa de bom vinho alentejano no palco. As maiores ovações surgiram nos temas "Wishlist" e "Last Kiss", cantadas a plenos pulmões por toda a audiência. Pearl Jam era mesmo o que se queria ouvir. Quando o músico saiu de palco, o público cantou o refrão do "Alive", mas ele voltou para tocar "Society" e "Hard Sun". Foi neste regresso que trouxe Glen consigo e o cenário de um bairro deu lugar a um céu azul sobre um mar sem fim. Foi mais um momento alto do concerto, com "Hard Sun", que se julgou ser o final do concerto. Mas mais uma surpresa e mais uma entrada em palco e o concerto durou mais que o esperado e ninguém tinha vontade que acabasse! "Keep on Rockin' in a Free World" ou, tal como em improviso se escutou, "Keep on Surfin' in a Free World". Perdoem-nos o lugar comum, mas Eddie Vedder provou que é como um bom vinho, quanto mais velho melhor, e ele vem de uma boa colheita. A AS crew a fazer a reportagem na Zambujeira arrisca-se a dizer que este foi o concerto do SW'12!!!
EXAMPLE
Com a difícil tarefa de suceder o nome mais aguardado deste segundo dia de festival, Example não comprometeu e conseguiu agarrar o público, que se manteve entusiasta e sem vontade de ir embora. Enquanto Luciano já debitava o que de melhor a música electrónica tem para nos mostrar, o atraso provocado pela longa actuação de Eddie Vedder não sentenciou a morte do palco principal. Hip Hop, Rap, o poder do Rock e mais Beats. Example descomprimiu a emoção de Vedder e a sua música elevou o astral ao ponto de sentir-se o pó tão característico do sudoeste.
Data Há 1 hora 1:10
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Relvas quebra silêncio sobre RTP
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Descrição: Ministro que tutela a Comunicação Social defende «serviço público», mas por um preço
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Na quinta-feira tinham estado ali 26 mil espectadores para ouvir Ben Harper ou Marcelo D2. Na sexta-feira foram 32 mil (números da organização) os que se juntaram para ouvir um homem que, sem aparato de palco, com nada mais do que a sua voz, as canções da sua banda, da sua curta carreira a solo e um par de versões, conquistou quem tinha perante si. Foi o momento de verdadeiro entusiasmo num festival musicalmente morno e de cartaz pouco ambicioso.
É certo que só uma hecatombe protagonizada por Vedder redundaria noutro desfecho, mas o prazer evidente pelo palco e a forma descontraída, até humilde, como o ocupou acabaram por sobressair. Neste Sudoeste com tantas distracções – a mini-discoteca em placa elevatória, fumo incluído, a dezenas de metros de altura, é a coqueluche deste ano –, Eddie Vedder, fiel ao espírito dito “boa onda” do festival , sobressaiu claramente. Não seria certamente o esforçado mas banal James Morrison a retirar-lhe protagonismo, e não o conseguiria, por mera questão de estatuto na escala do estrelato, o inspirado Nicolas Jaar que conduziu o muito público aglomerado no palco secundário por uma exigente sessão de dança.
Diferença óbvia em relação a outros Sudoeste: a menor presença de público no recinto. Entre praia e regresso da praia e o aproveitar das actividades disponíveis no campismo, a chegada ao centro da acção fez-se quando a noite já caíra há muito. Enquanto o sol se começava a encaminhar para posição de crepúsculo e os helicópteros que, entre outros, trouxeram Eddie Vedder de Cascais, faziam as últimas acrobacias, havia um homem no palco principal do Sudoeste mas não havia muitos a vê-lo. O seu nome é Glen Hansard e até tem um Óscar no currículo, atribuído a “Falling slowly”, da banda-sonora de “Once”, por si protagonizado. Em palco, porém, o irlandês nada transparece de actor e não exibe sinais exteriores de estrelato.
É um baladeiro feliz por mostrar as suas canções, tocadas numa guitarra esburacada e cantadas com o tom confessional de Cat Stevens e o romantismo de homem de bom coração. Nada de deslumbrante, é certo, mas de uma sinceridade com o seu quê de cativante: Hansard entrega-se totalmente à música, a canções como “Love can’t keep me waiting”, e revela devoção de fã ao interpretar “Astral weeks”, de Van Morrison, ou ao colar o refrão do clássico soul “Respect” ao final de uma canção.
O grande momento de aclamação popular, contudo, chegaria precisamente ao prestar a derradeira homenagem do concerto. A despedida fez-se com “Drive all night”, de Bruce Springsteen, mas a aclamação não foi responsabilidade do Boss. De boné na cabeça e casaco de cabedal, Eddie Vedder surgiu em palco para acompanhar o amigo, com quem gravou, com quem tem tocado em digressão, e a visão do cantor dos Pearl Jam horas antes do previsto provocou uma correria desenfreada de público. Eddie Vedder , portanto.
Eram os cabeças de cartaz da noite que incluía nomes como Xutos e Pontapés, Orelha Negra, Thievery Corporation e Gorillaz Sound System e, apesar do concerto competente, não conseguiram a maior enchente. Essa foi mesmo da banda de Tim e companhia e, mesmo assim, já vimos mais gente.
Quando se lembram do concerto de 2005 em Portugal não têm boas recordações. O concerto foi um dos piores que alguma vez deram, por uma série de factores como a falta de ensaios, conforme explicaram na semana passada, mas pior do que isso é não terem deixado qualquer marca. Há quem os tenha visto e nem se lembre disso. Passaram por Paredes de Coura no ano em que os Arcade Fire pisavam o solo português pela primeira vez, e ao contrário dos canadianos, não deixaram recordações. É por isso que, desta vez, garantiram que tal não aconteceria e deram um dos concertos da noite.
É verdade que no início da noite se notava já que a enchente era para os Xutos e Pontapés, a avaliar pela quantidade de pais que passeavam os filhos pequenos pelo recinto e pelas típicas t-shirts da banda, mas mesmo assim os The Roots surpreenderam.
Se quando começaram o concerto foi fácil chegar à frente do palco, sem a habitual luta pela procura do melhor lugar, no fim foi difícil sair de lá. Entre covers inesperadas a que tanto nos habituaram no programa de TV “Late Night with Jimmy Fallon”, onde são banda residente, e temas próprios, com destaque para o último álbum “Undun”, os The Roots festejaram o hip-hop norte-americano sempre com boa disposição e aos poucos conquistaram o público do Sudoeste, que parecia desconhecer o que via ao início.
Começaram com uma dedicação aos Beastie Boys, recordando Adam Yauch, que morreu este ano, homenageando-o com uma versão de “Paul Revere” e não pararam mais. Até a “Sweet Child O' Mine” dos Guns n’ Roses tocaram, demonstrando que o hip hop está bem e recomenda-se e que pode também desafiar o rock. O público respondeu da mesma forma e facilmente se percebe que este é possivelmente o festival indicado para esta banda de negros de Filadélfia. É um festival onde se vive, como indica o próprio lema, e onde os ritmos como o hip hop, o reggae e a electrónica são muito apreciados. O rock só convence se for o dos Xutos e Pontapés.
Já os vimos tantas vezes e quase nada mudou. O efeito é sempre o mesmo. Tantos anos depois, os Xutos e Pontapés continuam com a sua legião de fãs, e cada vez parecem até conquistar um público mais jovem, como se viu no sábado. Sucesso atrás de sucesso, as músicas de Tim, Zé Pedro, Kalu e companhia fizeram-se ouvir no recinto, até quando os outros dois palcos pareciam ter alguma animação.
Cá atrás, o som dos Xutos misturava-se mesmo com o de Jah Mason, que actuava no palco Reggae, não porque o som se fazia ouvir tão longe mas sim porque as pessoas faziam questão de reproduzir o que ouviam do palco principal.
Nesta hora, a surpresa foi mesmo os Thievery Corporation, que mesmo depois de já terem actuado tantas vezes em Portugal, conseguiram encher a tenda onde está instalado o palco Groovebox e que, ao início do dia de concertos, se manteve vazio para Mary B. Foi depois ficando composto para os Orelha Negra e encheu quando a dupla norte-americana Rob Garza e Eric Hilton, os Thievery Corporation, subiu ao palco para apresentar o mais recente trabalho, “Culture of Fear”.
No palco principal nada de excitante a registar. Os porto-riquenhos Calle 13 inauguraram o palco com um reggaeton disfarçado de rap. Seguiram-se então os TheTing Tings, que não mostraram nada de novo. Obviamente a histeria aconteceu quando se ouviu “Shut Up and Let Me Go” e “That's Not My Name”, não impressionando.
1 de agosto - Receção ao Campista
Eis que o verão vai a meio, mas ainda há muito por aproveitar, exemplo disso é o Festival Sudoeste TMN, que se realizou de 1 a 5 de agosto. Nomes como Ben Harper, Martin Solveig, Jessie J, Eddie Vedder e até os portugueses Xutos & Pontapés marcaram presença na 16.ª edição deste festival que atraiu milhares até à Herdade da Casa Branca, situada perto da pacata vila da Zambujeira do Mar.
Comparativamente ao ano passado, o recinto apresentou algumas mudanças e a montanha russa, uma das grandes atrações do Festival em anos passados, já não faz parte do lote de diversões que normalmente estão disponíveis para os visitantes.
Depois das pequenas actuações no Palco Super Bock nos dias 28 a 31 de julho, a receção ao campista no dia 1 de agosto animou os poucos festivaleiros presentes no local. Pouco depois das 22h15, coube a Pete Tha Zouk a honra de inaugurar o Palco TMN. “Use Somebody” dos Kings Of Leon, “Paradise” dos Coldplay e “Somebody that I Used to Know” de Gotye foram algumas das músicas presentes no repertório do DJ, além das originais.
Já passava da meia-noite quando o cabeça de cartaz para o primeiro dia se apresentou em palco. O francês Martin Solveig deu mais de duas horas de música onde não faltou o conhecido single “Hello”. A animação pelo resto da noite foi assegurada por Afrojack, o DJ holandês que produziu “The Way We See the World”, hino oficial de outro famoso festival de verão, o Tomorrowland, que se realiza na Bélgica.
2 de agosto
Depois de uma noite morna em termos de público, onde estiveram pouco mais de 20.000 pessoas presentes, espera-se mais afluência neste segundo dia do festival. Talvez devido à situação complicada que o país atravessa ou simplesmente por desinteresse no cartaz, a verdade é que em edições passadas estiveram presentes mais de 60.000 festivaleiros.
O britânico Ben Howard estreia-se em Portugal e foi logo notável o entusiamo geral no público, o que fez o artista ficar surpreendido, mas depressa deixou a timidez de lado e se entregou ao público numa actuação excelente. O sol ainda paira na Zambujeira e o artista desmancha-se em elogios e agradecimentos aos festivaleiros. Músicas como “Only Love”, “The Wolves” e “Keep Your Head Up” do primeiro e, até agora, único álbum de estúdio “Every Kingdom” não faltaram na setlist do artista. Fica a esperança que volte em breve. Pouco depois das 21 horas, Ramboiage apresentava-se no Palco Groovebox para um público inexistente, porque a grande maioria concentrava-se no Palco TMN à espera de Matisyahu que começou a sua actuação às 21h30. De cara lavada e novo visual, o artista americano foi identificado pelas suas músicas, uma vez que sem a barba que era característica habitual, muitos dos festivaleiros pensaram que se tratava de outro artista e chegaram mesmo a abandonar o palco.
“I’m glad to be back”: foi assim que Matthew Miller, conhecido como Matisyahu começou a interacção com o público para de seguida iniciar o concerto com “Crossrodes”. Seis anos depois da estreia em Portugal, o cantor veio apresentar o novo álbum “Spark Seeker”, marco da nova era que Matisyahu iniciou em 2011, ao causar nova polémica com a mudança radical de visual. O concerto contou com a actuação do novo single “Sunshine”, mas os mais conhecidos “Too Late”, “Shalom/Saalam e “One Day” não foram esquecidos.
Já perto das 22 horas, no palco Meo Reggae Box, Freddy Locks acabava a actuação com “Dancing & Flying”, enquanto no Palco Groovebox o duo brasileiro The Twelves animava os poucos curiosos que estavam por ali. Quase uma hora depois entram no Palco TMN os Fat Freddy’s Drop. Vindos do outro canto do mundo, o grupo com uma originalidade sonora única caracterizada pelos próprios como “hi-tek soul”, numa mistura perfeita que vai do casual jazz ao reggae, os Fat Freddy’s Drop trouxeram a animação de volta ao palco TMN, onde o popular single “Boondigga” foi um dos poucos pontos altos do concerto, apesar do constante empenho da banda.
É chegada a vez do americano Ben Harper actuar, não fosse ele cabeça de cartaz do segundo dia do Sudoeste TMN. Porém, se as expectativas estavam altas, depressa se esmoreceram. Aquela que era uma das actuações mais esperadas da noite, nem o dueto do artista com uma convidada “muito especial”, diga-se, Vanessa da Mata, salvou do tédio que caracterizou este concerto. Mal humorado ou não, a verdade é que Ben Harper recusou actuar um dos mais famosos singles, “Steal My Kisses” e nem o pedido insistente de alguns fãs o demoveu.
Segue a setlist do concerto: "Number", "Don’t Give Up", "Rock n’ Roll is Free", "Spilling Faith/ Get There", "Amen Omen", "Suzy Blue", "Atlantic City", "Diamonds", "All my Heart Can Take", "Mutt", "Lonely Day", "Wide Open Light", "Fly One Time", "Better Way", "Glory" e "Boa Sorte" (com Vanessa da Mata).
Em 2009, Marcelo D2 já tinha actuado no festival mas desta vez volta para encerrar o Palco TMN. Cerca de 26.000 pessoas, segundo números da organização, apresentaram-se hoje na Herdade da Casa Branca.
Tal como Fat Freddy’s Drop, Marcelo D2 não desistiu do público que se mostrava apático. Entre as actuações de “Eu já sabia”, música no novo trabalho do rapper, “Qual é?”, “Deixa Eu Falar (Desabafo)”, “Mantenha o Respeito”, “Vai Vendo”, até ao inteligente beatbox de Fernandinho com batidas de “Seven Nation Army” dos White Stripes, o último concerto da noite prometia acabar em grande.
Marcelo D2 ainda tinha alguns trunfos na manga e utilizou-os mesmo antes de acabar ao chamar algumas fãs ao palco para sambar. Pode-se mesmo arriscar que Marcelo D2 salvou a noite com o devido mérito. A partir das 4 horas, a festa seguia no Palco Groovebox com a dupla Rui Vargas e André Cascais.
Esta aí mais um dia de festival e com as portas a abrirem às 15 horas, já se vêem alguns fãs a correrem para as primeiras filas. Eddie Vedder é cabeça de cartaz, pelo que se espera um dia mais concorrido no Sudoeste TMN.
Hoje, no palco TMN inicia-se os concertos às 20 horas e é a Glen Hansard que cabe o privilégio de começar neste terceiro dia de festival. O músico irlandês actua sozinho, apenas na companhia da sua guitarra mas nem por isso deixa de dar um concerto espectacular. No seu folk rock, com influências de Leonard Cohen, Van Morrison e Bob Dylan, o artista vem a Portugal apresentar “Rhythm and Repose”, o seu primeiro álbum a solo, uma vez que fez parte, durante anos, do grupo irlandês The Frames e do duo The Swell Season. Num estilo bastante informal, o artista entrega-se ao público e dá os primeiros acordes na música “Say It To Me”, seguida da balada “Leave”. Enquanto está a atuar, o músico apercebe-se de um helicóptero a voar sobre os céus da Zambujeira e, em título de brincadeira, diz “Fuck off helicopter” e aponta a guitarra como se de uma espingarda se tratasse. O público entra na brincadeira e imita Glen Hansard, o que contribui para uma cumplicidade ainda maior entra o músico e os festivaleiros que assistem ao seu concerto. Segue-se “Low Rising” e um entusiasta “Obrigado”. Pode-se ver um misto de surpresa e felicidade na cara do artista quando, sensivelmente, a meio do concerto, o público vai-se compondo para assistir a um dueto entre Glen e Eddie Vedder. “In these arms” e “High Hope” foram também parte da setlist do músico que pode-se considerar uma pérola musical com pouca gente a saber apreciar esse facto. Cá esperamos Glen Hansard novamente em Portugal, num formato mais apropriado ao estilo musical do artista.
Entretanto, no Palco Groovebox, é a vez dos Best Youth. O duo português, que junta electrónica e indie rock, mostra uma óptima noção de ritmo e harmonia na EP Winterlies. Perto das 21 horas, apenas um fã os aguarda mas quando a banda começa a tocar, a música electrónica funciona como íman e o público vai-se acercando e rendendo à banda, que começou a dar os primeiros passos sendo um dos Talentos Fnac. Ouvem-se os acordes de “Wait For Me”, quando às 21h25 é hora de Richie Campbell, no Palco TMN, começar a sua actuação. Este ano tem sido recheado em concertos para o artista, que não ainda não parou neste Verão. Depois dos concertos no Sumol Summer Fest, em Junho, e na Expofacic, poucos dias antes da actuação no Sudoeste, Richie traz de novo a 911 Band e ainda uma convidada especial, Ikaya. Os dois artistas conheceram-se este ano, quando Richie Campbell estava na Jamaica em trabalho.
Com o novo álbum a sair entre Outubro/Novembro, o músico atraiu milhares de fãs ao Sudoeste e contagia todos os que ainda não conheciam o seu trabalho. Com uma entrada electrizante, o músico não pára um único segundo em palco. Termina a sua actuação com a tão famosa música “That’s How We Roll”, mas para quem ainda não teve o privilégio de assistir a Richie Campbell, pode ainda ir ao Azurara Festival, no dia 25 de agosto.
Voltando ao Palco Groovebox, Nicolas Jaar Live começou às 22 horas. Vindo de Nova Iorque, o já considerado prodígio da música eletrónica vem a Portugal promover o seu álbum de estreia "Space Is Only Noise". Cerca de 50 minutos depois, as atenções viram-se novamente para o Palco TMN. É notável a afluência de pessoas neste dia, contrariando o que se vira nos dias anteriores.
James Morrison volta a Portugal depois dos concertos nos Coliseus em março e, na bagagem, traz “The Awakening”, o novo álbum que tem conquistado milhares.
“You guys are fucking amazing” - é assim que o músico demonstra a sua felicidade perante mais de 32.000 pessoas presentes. Na setlist estavam êxitos dos três álbum do artista, tais como “Beautiful Life”, “Get To You”, “In my dreams”, “I Won't Let You Go”, “Broken Strings”, “Slave To the Music”, “Nothing Ever Hurt Like You” e “You Give Me Something”, que o público cantou em coro com Morrison. Cerca de uma hora depois, “A Wonderful World” marca o fim desta actuação espectacular e o artista despede-se com uma vénia ao público. Às 00h30, chega um dos concertos mais aguardados pelo público.
Eddie Vedder, dos Pearl Jam, apresenta-se a solo. Com o seu ukelele, chapéu de palha e blusão de ganga, Vedder parou o Festival durante a sua actuação. Em nenhum dos outros palcos estavam as bandas que deveriam estar a tocar em simultâneo, porque o músico queria que o público se concentrasse no Palco TMN. Numa actuação que teve direito a protesto contra o fecho de um Surf Camp na Ericeira, nada faltou: “I Am Mine” e “Better Man” dos Pearl Jam, um dueto com Glen Hansard, passando por “Hard Sun” até à última música “Keep on Surfing on The Free World”, que Vedder cantou com um fã, sem dúvida que os fãs não se podem queixar da dedicação do artista, depois de ter actuado mais de duas horas e meia. Até tiveram direito a ouvir Eddie Vedder a falar Português, ainda que estivesse a ler um discurso já escrito em papel.
Meia hora depois do previsto, é ao britânico Elliot John Gleave, conhecido como Example, que cabe encerrar a noite no Palco TMN.
Depois de um dia em que o recinto esteve bem composto, esperava-se que o vazio não voltasse à Herdade da Casa Branca. Quando os Calle 13 começaram às 19h45, pouco mais de uma centena de pessoas assistiam ao concerto de estreia da banda em Portugal. Os irmãos vindos de Porto Rico actuaram alguns dos maiores hits dos seus quatro álbuns: “Baile de los Pobres”, “No Hay Nadie Como Tú” e “Vamo' a Portarnos Mal”, música onde se viu Cabra, vocalista principal, a tirar a t-shirt, ficando em tronco nú, mas nem isso atraiu mais gente para o Palco TMN.
Este dia estava marcado para começar bem cedo e dez minutos depois dos Calle 13, Mary B começava no Palco Groovebox, numa actuação entediante, onde apenas cinco pessoas dançava ao ritmo das músicas que a DJ ia passando, sem nunca desviar o olhar da mesa de mistura. Já no Palco Meo Reggae Box, o projecto português Chapa Dux começava às 20h00. A banda de reggae/ska, oriunda de Sintra, teve a sua grande rampa de lançamento no Rock Rendez Worten Awards, em 2011, de onde saiu vencedora, e já actou no festival SWSX no Texas, nos Estados Unidos. A boa-disposição e o carisma musical do vocalista Di, assim como também dos restantes membros da banda, foram pontos a favor dos Chapa Dux que prometem marca posição forte no reggae português.
De volta ao palco Groovebox, perto das 21 horas, actuavam os Orelha Negra, nesta que era a segunda passagem da banda pelo Sudoeste, depois da estreia no festival em 2010. A banda composta por Sam The Kid, Fred Ferreira, João Gomes, Francisco Rebelo e DJ Cruzfader tinha um público bem numeroso a assistir ao concerto e aproveitou para apresentar os novos temas do segundo disco de estúdio, que chegou às lojas a meio do ano.
Em simultâneo, entravam os The Ting Tings no Palco TMN, depois de em 2009 já terem passado pelo festival Optimus Alive. O duo formado pela irreverente Katie White e pelo experiente Jules de Martino alcançou a fama com o álbum “We Started Nothing” e tenta conquistar com o mais recente trabalho “Sounds from Nowheresville”. Da setlist fizeram parte “Great DJ”, “Hang It Up”, “Give It Back”, “Guggenheim”, “Hit Me Down Sonny”, “We Walk”, “Fruit Machine”, “Shut Up And Let Me Go”, “Hands”, “Keep Your Head” e terminaram com o famoso single “That's Not My Name”.
O relógio marcava 22h50 quando os veteranos Xutos & Pontapés pisaram o Palco TMN. Há mais de 33 anos no activo, a banda de rock portuguesa atrai público de várias gerações e começa o concerto com os maiores êxitos do disco “Cerco”.
Durante todo o concerto, o público acompanhou em uníssono, neste que foi o concerto mais concorrido neste quarto dia de festival, seguido dos Orelha Negra. “A Casinha” foi a música que encerrou a actuação dos Xutos às 00h10.
Depois de um concerto menos bem-sucedido no Festival Paredes de Coura, no ano 2005, os The Roots eram os cabeças de cartaz neste penúltimo dia do Sudoeste TMN. Os americanos da neo soul, com mais de 25 anos de carreira, deram mais de uma hora e meia de concerto e não se esqueceram dos singles “The Next Movement”, “You Got Me” e “Proceed”, para um público não muito atento. Fica a esperança que a banda volte em nome próprio.
Num festival predominantemente marcado, este ano, pela música electrónica, a versão DJ dos Gorillaz, ou seja, os Gorillaz Sound System, no Palco TMN e Expander no palco Groovebox conduziram a festa até altas horas da madrugada.
O último dia do Festival Sudoeste TMN seria dedicado ao pop e rock, com nomes como The Vaccines, Jessie J e o DJ residente, David Guetta. Espera-se outro dia mais concorrido que ontem, pois assim que abriram as portas, às 15 horas, eram muitos os fãs que corriam na esperança de um lugar na primeira fila e, vinte minutos após as portas abrirem, perto de uma centena de fãs da britânica Jessie J estavam junto das grades, com cartazes e faixas de apoio à artista.
O palco TMN é o primeiro a dar início à última vaga de concertos, com a banda californiana Best Coast a estrear-se em Portugal. Trazem dois álbuns na bagagem, “Crazy For You” editado em 2010 e “The Only Place” lançado este ano. A vocalista ia soltando uns rápidos e tímidos “Thank you”, mas o público não estava ali para ver Best Coast. A postura apática da banda só mudou quando alguém levantou um cartaz que dizia “We love you, Best Coast”. Entre músicas dos dois álbuns, como “Last Year” ou “Summer Mood”, a sensação veranil que era esperada, estava bem apagada. Até o vestuário negro da banda dava uma impressão meio morta à actuação que durou apenas 45 minutos.
A próxima banda no Palco TMN, os The Vaccines, tinham uma dura tarefa em mãos: despertar o público que parecia adormecido. Não precisaram de fazer muito, apenas com a entrada da banda, o público reagiu e não deixou a banda ficar mal. “Teenage Icon” e “Post Break-Up Sex” foram as músicas que seguiram, depois de um sedutor “Good Evening” por parte do vocalista, sem se esquecer de agradecer por estar de volta a Portugal.
Já depois das 22 horas, o trio Two Door Cinema Club volta a Portugal, depois da estreia no Festival Paredes de Coura. Há quem estranhe o sucesso da banda, pela sonoridade parecida em várias músicas, mas continuam, cada vez mais, a marcar posição no mercado musical. Com um novo álbum quase a sair, “Beacon”, os Two Door Cinema Club começaram o concerto com os grandes singles de Tourist History, o álbum que os levou à fama. “Cigarettes in the Theatre”, “Undercover Martyn”, “This is The Life”, “Come Back Home” e “Sleep Alone”, do novo álbum, foram algumas das músicas na setlist da banda para este concerto, onde se viu toda a gente a acompanhar a banda no grande hit “I can talk”, música que fez parte dos anúncios publicitários do Sudoeste TMN, em 2011.
As espectativas estavam agora depositadas na artista britânica que era cabeça de cartaz do dia 5. Jessica Ellen Cornish, conhecida no mundo artístico como Jessie J, era a mais esperada por milhares que se deslocaram para assistir à estreia da cantora em Portugal. Muitos confundem-na com outros ícones da pop, como Katy Perry ou Lady Gaga, mas Jessie J veio mostrar o seu valor artístico. Já não tem a habitual franja que foi imagem de marca durante algum tempo, mas a essência está toda lá.
Antes mesmo da artista entrar em palco, ouviam-se os fãs a chamar pela cantora que, à hora marcada, apresenta-se palco de calção de ganga, top preto e casaco rosa, com “Do It Like a Dude”. Durante o concerto, foram várias as vezes que Jessie J brincou com público, estando estampada a felicidade pela recepção calorosa que o público fez quando entrou em palco. Sem nunca parar em palco, Jessie J quase chorou a cantar “Who You Are”, acompanhada pelos fãs. Mesmo perto do fim, a actuar “Domino”, a artista mandou a banda parar para chamar à atenção de alguns festivaleiros que se estavam a agredir, dizendo que ela não estava ali para fazer com que lutassem, mas sim para distribuir amor e sorrisos. E ainda avisou que estava de olho neles, caso voltassem a repetir. Se Jessie J já tinha levado toda a gente na Zambujeira a saltar em “Laserlight”, com a dupla actuação de “Domino”, o público estava ao rubro e queria que a actuação se prolongasse, mas fica a promessa para a próxima vez que a artista regresse a Portugal.
Segue a setlist do concerto: "Do It Like a Dude", "Who’s Laughing Now", "Rainbow", "Stand Up (Mix com One Love, One Heart)", "Climax" (do cantor Usher), "Never Too Much" (de Luther Vandcross), "Abracadabra", "Nobody’s Perfect", "Who You Are", "Price Tag", "Laserlight" e "Domino".
Já ninguém tem dúvidas do espectáculo que David Guetta proporciona, tanto a nível visual, com pirotecnia e confettis, como a nível musical. Mesmo sendo a quarta vez consecutiva que o DJ e produtor francês faz parte do cartaz do Sudoeste, sem contar as múltiplas passagens por Portugal a título próprio, ninguém fica parado quando Guetta começa a tocar. Na setlist estavam alguns dos originais como “Titanium”, “Sexy Bitch”, “Love is Gone”, “Without You” e também alguns remixes de “Fix You” dos Coldplay e “I gotta a feeling” dos Black Eyed Peas. A noite prometia, mas acabou cedo. Foi uma actuação mais curta que o ano passado, tendo em conta que este ano era Guetta que fechava os concertos no Palco TMN. Era Borgore e Andy C + MC GQ, no palco Groovebox, que estavam encarregues de animar os festivaleiros pela madrugada fora, num festival que foi marcado pela fraca afluência de pessoas.
Texto: Luisa Eustáquio
Foto: Susana Santos
Trinta e uma mil pessoas no último concerto do festival da Zambujeira do Mar
David Guetta e Jessie J brilham no adeus ao Sudoeste
A multidão desesperava para soltar os últimos cartuchos de energia, quando o DJ francês David Guetta subiu ao palco TMN, já bem dentro da madrugada de ontem, para aquele que seria o concerto de encerramento da 16ª edição do Sudoeste. Com uma multidão de 31 mil pessoas na mão, logo às primeiras batidas, Guetta meteu toda a gente a dançar. Antes, coube à britânica Jessie J mostrar porque é um dos valores emergentes da pop mundial.
Por:Pedro Galego
Guetta já é da casa – recorde-se que foi a quarta edição consecutiva do Sudoeste em que actuou – e não defraudou as expectativas. Passou pelos sucessos que produziu ao longo da carreira e ainda teve tempo para apresentar em primeira mão um par de temas novos – também com a colaboração da cantora Sia, à semelhança de ‘Titanium’, a música com que abriu o ‘show’.
Quando Guetta entrou em palco ainda se comentava a prestação de Jessie J. Dona de uma capacidade vocal impressionante, soube como cativar através da interacção com o público, mas também pelos atributos físicos. O hit ‘Domino’, foi o ponto mais alto do concerto, durante o qual a cantora até teve tempo de dar um raspanete a dois rapazes que se envolveram numa briga nas primeiras filas da audiência.
Este ano, segundo a organização, o Sudoeste totalizou 135 mil espectadores, menos 40 mil do que em 2011. Na fiscalização aos acessos, a GNR deteve 23 pessoas por suspeita de tráfico de droga e registou apenas duas queixas por furto no campismo.