“o povo perdeu a paciência, mas não perdeu a calma”
Os manifestantes não foram contabilizados, mas as manifestações nas cerca de 40 cidades em que houve protestos apontam para que centenas de milhares se tenham manifestado este sábado contra a troika e as medidas do Governo. Em actualização
O Pedro não se está a lixar para as eleições, está a lixar Portugal.
Apesar de tudo, até agora eu ainda via nos olhos dos que comigo se cruzam diariamente a centelha da esperança, a vontade de lutar, o desejo de ultrapassar as dificuldades. Agora, nem isso.
A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para dia 28, sexta-feira da próxima semana, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
“Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”, explicou Maria Teresa Horta à Lusa.
“Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência”, salientou a escritora que acrescentou: “Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores”.
Para Maria Teresa Horta, “o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974] e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural”.
A autora afirmou que “o país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto”.
“Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro”, deixou claro Maria Teresa Horta.
A escritora disse que já informou a Fundação Casa de Mateus da sua decisão, assim como a sua editora e falou com cada um dos membros do júri.
A premiada salientou ainda a “satisfação” que lhe deu ter sido distinguida “por um júri que representa três gerações de poetas: o Vasco Graça Moura que é da minha [geração], o Nuno Júdice, que é da seguinte, e o Fernando Pinto do Amaral, que é a mais nova”.
No sítio da Fundação Casa de Mateus, na Internet, é afirmado que “a sessão solene de entrega do Prémio será agendada brevemente”.
O Prémio Literário D. Dinis, instituído pela Fundação da Casa de Mateus, foi atribuído por unanimidade à escritora, pela obra “As luzes de Leonor. A marquesa de Alorna, uma sedutora de anjos, poetas e heróis”, editado pelas Publicações D. Quixote.
Instituído em 1980 pela Fundação Casa de Mateus, em Vila Real, o galardão é atribuído a uma obra literária - de poesia, ensaio ou ficção - publicada no ano anterior ao da atribuição do prémio.
“As Luzes de Leonor”, obra editada em 2011, é um romance sobre a vida da marquesa de Alorna, Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (1750-1839), neta dos marqueses de Távora, uma mulher que se destacou na história literária e política de Portugal num período denominado como “o século das luzes”.
D.ª Leonor de Lorena e Lencastre é avó em quinto grau de Maria Teresa Horta, nascida em 1937, em Lisboa.
Maria Teresa Horta estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, foi jornalista e activista do Movimento Feminista de Portugal, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, com quem escreveu o livro “Novas Cartas Portuguesas”.
“Amor Habitado” (1963), “Ana” (1974) e “O Destino” (1997) contam-se entre mais de duas dezenas de obras publicadas da escritora.
Notícia actualizada: corrigida data prevista para a entrega do prémio
“o povo perdeu a paciência, mas não perdeu a calma”
A woman embraces a riot policeman in front of the IMF office during a protest against austerity in Lisbon September 15, 2012. Over 100,000 protesters marched in Lisbon and many thousands in other Portuguese cities on Saturday in against a new bout of tax hikes that has already shattered the political consensus behind austerity imposed by an EU/IMF bailout. Organised via the Internet, the unusually large rallies brought together Portuguese of all ages and walks of life, who chanted: "Out of here! IMF is hunger and misery!", and called on the centre-right government to resign. REUTERS/Jose Manuel Ribeiro
video by JorgeQueli
Manifestação: 'Que se Lixe a Troika! Queremos as nossas Vidas! ' A luta continua !!!
Os manifestantes não foram contabilizados, mas as manifestações nas cerca de 40 cidades em que houve protestos apontam para que centenas de milhares se tenham manifestado este sábado contra a troika e as medidas do Governo. Em actualização
1. Reprovado. É a única avaliação que podemos fazer da entrevista de hoje à noite de Passos Coelho à RTP. Foi a pior entrevista de sempre de Passos Coelho, desde que é líder do PSD. Apareceu cansado, com pouca dinâmica, o seu olhar - captado pelas câmaras (a realização esteve aqui muito bem) - revelava medo e insegurança. Atipicamente nervoso, Passos Coelho conseguiu a proeza de durante uma hora não dizer nada de novo, muito menos de útil. Os jornalistas - aguerridas e objectivos - conduziram bem a entrevista, impedindo, tanto quanto possível, que Passos Coelho fosse bem-sucedido na sua estratégia (evidente!) de fugir às perguntas e dizer apenas aquilo que lhe convinha.
Posto isto, importa mencionar que a entrevista comportou três partes. Primeiro, a resposta de Passos Coelho à utilidade e ao mérito da descida da taxa social única; a segunda parte, consistiu na resposta de Passos Coelho às questões relativas à avaliação da troika ao desempenho do executivo; finalmente, a terceira parte, incidiu sobre matérias mais políticas em sentido estrito, como a possibilidade de efectuar uma remodelação governamental no curto/médio prazo e as relações com o parceiro de coligação, o CDS/PP. Estas as três partes mais relevantes da entrevista. Analisemos cada uma delas.
Passos: o mentor do "terrorismo social"?
2. Comecemos, então, pela justificação de Passos Coelho às novas medidas de austeridade. Ficámos a saber na entrevista que o Governo não irá recuar - o que abre inevitavelmente caminho para o PS (se for consequente) apresentar uma moção de censura ao Governo, como prometido esta tarde por António José Seguro. Quais foram, então, os argumentos de Passos para defender a baixa taxa social única? Esta medida irá permitir às empresas portuguesas tornarem-se mais competitivas, gerando mais emprego; além disso, é uma medida equivalente à desvalorização fiscal (que, por força das regras do Direito da União Europeia, não está ao alcance do Estado português actualmente) aplicada por Mário Soares na década de 80, aquando da primeira intervenção do FMI, ao permitir uma baixa dos salários e, por conseguinte o poder de compra dos portugueses. No entanto, tem como contrapartida o aumento da competitividade das empresas, sendo um medida mais duradoura do que a desvalorização fiscal. Daqui resultam três pontos a reter:
Primeiro, afinal, ao contrário daquilo que vinha sendo afirmado, a baixa da TSU para as empresas não é uma medida temporária - é uma medida para manter, talvez mesmo para além da vigência do programa de assistência económico-financeira. O que confirma a minha tese: Passos Coelho não está a implementar este programa para cumprir o memorando com a troika - ele acredita nestas medidas e está a aproveitar a conjuntura para aplicar as regras económicas dos seus gurus ultra-liberais. Aliás, Passos Coelho confessou que anunciou logo na sexta-feira para evitar que o país se entusiasmasse excessivamente com o anúncio de aquisição de dívida pública portuguesa pelo BCE. Hoje mesmo, foi o próprio responsável pela delegação do FMI que desvendou que a descida da TSU foi decisão, pura e exclusivamente, do Governo. E quem foi o inspirador desta ideia "genialíssima"? António Borges. Passos Coelho respondeu sem responder. Ao dizer que é uma medida equivalente à desvalorização da moeda, Passos Coelho utilizou o argumento de quem? De António Borges, pois claro, em entrevista há poucas semanas a um jornal português. O único que deverá ser responsabilizado pelo "terrorismo social" que a TSU vai gerar é Passos Coelho;
Em segundo lugar, Passos Coelho afirmou que a competitividade das empresas vai aumentar com a descida da TSU. Ora, o jornalista da RTP recorreu às declarações sucessivas de Passos Coelho, de há um ano para cá, muito críticas em relação a esta medida. E a verdade é que Passos Coelho não conseguiu justificar a sua contradição: foram 15 minutos penosos para o Primeiro-ministro. Ficámos com a sensação que Passos Coelho decorou muito bem um texto, escrito por alguém, e limitou-se a debitar. Sem acreditar numa palavra daquilo que dizia! E isso é grave num Primeiro-ministro! Depois, não é verdade que a redução da TSU seja igual à desvalorização cambial: é que descer o valor do dinheiro para todos afecta todos os factores de produção. Atinge toda a economia. A descida da TSU é mais terrorista socialmente: porque retira aos trabalhadores para reforçar a tesouraria das empresas (ou os lucros das grandes empresas) sem nenhum benefício imediato para a economia. Passos Coelho tentou iludir os portugueses. Porquê? Já toda a gente percebeu que esta é uma medida rídicula...Não há um português que a defenda, excepto Passos Coelho e a sua entourage!
Em terceiro lugar, Passos Coelho tentou a habilidade de desafiar Belmiro de Azevedo a descer os preços dos produtos, em virtude da redução da TSU. Ele sabe muito bem que isso não vai acontecer. E se acontecer não será devido à redução da TSU: será apenas porque, como os portugueses não têm dinheiro, a procura diminui; ora, quando a procura diminui, os preços tendem a descer. Mas tal será mau também para os produtores primários (que Passos Coelho tanto queria defender).
3. Já quanto à segunda parte (avaliação da troika), Passos Coelho tentou convencer os portugueses com a ameaça de descermos aos infernos. Isto é, os portugueses têm de passar por todos estes sacrifícios porque, caso contrário, a Pátria morre. Isto como sinal de esperança e motivação é muito, muito curto.
4. Por último, a questão da remodelação governamental e das relações com o CDS. Iremos desenvolver este ponto em próximo texto. Para já, afirmamos que as respostas fugidias de Passos Coelho indiciam que a coesão na coligação já viveu melhores dias. Vamos esperar pelas declarações de Paulo Portas.
Nota da entrevista: 8 valores
Email: politicoesfera@gmail.com
O Pedro não se está a lixar para as eleições, está a lixar Portugal.
Apesar de tudo, até agora eu ainda via nos olhos dos que comigo se cruzam diariamente a centelha da esperança, a vontade de lutar, o desejo de ultrapassar as dificuldades. Agora, nem isso.
O Executivo de Passos Coelho está a ser teimoso, não explica as medidas, está a governar o País com base num acto de fé e através de modelos e vai acabar por destroçar Portugal se não mudar de rumo. As palavras, bastante duras, são da ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, que ainda acredita que o corte da TSU não vai avançar, pois é preciso ter "bom senso".
Os 30 segundos de indignação de Helena Roseta na SIC Notícias
Recorde o momento em que Helena Roseta demonstrou, no Jornal das 9 da SIC Notícias, a sua indignação face às mais recentes medidas de austeridade anunciadas pelo Governo.
22:30 Quarta, 12 de Setembro de 2012
Última atualização há 47 minutos
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18:15 Quarta, 12 de Setembro de 2012,
A comissão de trabalhadores da RTP acusou o primeiro-ministro de obrigar o erário público ao gasto “injustificável” de milhares de euros para que a entrevista desta noite se realize em São Bento e não nas instalações da televisão.
Em comunicado emitido na quarta-feira à noite, a Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP acusa o primeiro-ministro de obrigar à deslocação de profissionais do canal público à residência oficial em São Bento para a realização da entrevista agendada para esta quinta-feira, apenas para não enfrentar nas instalações da RTP, “cara a cara, os trabalhadores de uma empresa que o Governo está em vias de destruir”.
“Não entendemos que, só para se poupar a esse confronto, tenha imposto a realização da entrevista em São Bento, com um custo adicional de milhares de euros para o erário público, injustificável em tempo de cortes na despesa”, refere a Comissão de Trabalhadores.
A CT da RTP afirmou, em comunicado, “a tarefa especialmente ingrata” dos trabalhadores que estarão ao serviço da realização da entrevista, os quais vão cumprir as funções “com o profissionalismo de sempre”, mas “sob protesto” de todos os trabalhadores da RTP.
Serviço público em risco
Os trabalhadores da estação de serviço público de rádio e televisão acusam ainda o Governo de insistir no “desmembramento da RTP”, com base numa “ideia fixa”, sem nunca a ter explicado ou dado mostras de ter “estudado o assunto com seriedade”.
A CT refere ainda que o Governo, através de declarações de vários ministros, tem demonstrando “ignorância” sobre o que é o serviço público de rádio e televisão.
“Um deles já o definiu até como o somatório de “missa e tempos de antena”. Nós, profissionais da RTP, sabemos que serviço público não é isso. E não é certamente o tempo de antena de um primeiro-ministro desgastado, que, lá por ter pressa em privatizar a RTP às fatias, não deixa de querer utilizá-la até ao último sopro”, concluiu o comunicado.
Ferreira Leite desafia deputados a travarem Orçamento
Para a social-democrata, «só por teimosia» é que o Governo pode «insistir numa receita que já se viu que não cumpre os seus objetivos». Por isso, «alguma coisa tem de ser mudada»
Manuela Ferreira Leite desafiou os deputados a travarem o Orçamento de Estado para 2013, por discordar das novas medidas de austeridade anunciadas por Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar.
«Em relação ao orçamento, cada um de nós, em consciência, faça aquilo que deve fazer para tentar inverter a orientação política que tem estado a ser seguida... Estou à espera de ver como vão reagir os deputados. Estou para ver se votam a favor, se votam contra, se aceitam tudo...», afirmou, em entrevista à TVI24.
VÍDEO DA ENTREVISTA NA ÍNTEGRA
Para a ex-líder social-democrata, os deputados não devem ficar «a olhar para o Presidente da República» para que este «limpe as consciências do que não fizeram».
«Os deputados têm também a função de explicitar a sua não aceitação de determinadas medidas, para assim o Presidente ter margem para intervir», reforçou.
Insistindo que os deputados devem «votar de acordo com sua consciência», Ferreira Leite admitiu que haverá disciplina partidária, que obrigará os deputados do PSD e do CDS a votarem a favor da proposta, mas salientou que «há formas de se abandonar o mandato».
«Não nos podemos apoiar naquilo que o Presidente da República pode fazer para nos isentarmos de exercer as obrigações que cada um de nós tem de exercer», concluiu, frisando que, até o OE chegar a Cavaco, «alguma coisa tem de ser mudada».
Manuela Ferreira Leite foi muito crítica em relação às novas medidas de austeridade. «Só por teimosia é que se pode insistir numa receita que já se viu que não cumpre os seus objetivos», afirmou, considerando que este programa está «a destruir o país».
Sobre as alterações da Taxa Social Única, Ferreira Leite apontou que «ninguém foi ouvido» e «ninguém a defende». «Não há ninguem que não diga que é uma medida altamente perniciosa, que vai aumentar dramaticamente o desemprego, e que só por teimosia pode vir a ser aplicada», frisou.
Questionada sobre qual seria a sua solução, a ex-líder laranja admitiu que o seu remédio «nunca seria muito diferente», porque «grande parte da orientação é externa». No entanto, garante que «berrava por todo o lado», nas instituições internacionais. «Então tenho estado a portar-me bem, tenho condições excecionais no país para fazer tudo bem, e não me ouvem? Para que me serviu ser bem comportada?», questionou.
Manuela Ferreira Leite confessou estar «espantada» com a quebra do consenso político. «Parece que se está a querer ficar igual à Grécia de propósito», afirmou. «O CDS não deve saber o que se passa, senão tem que dar respostas ao eleitorado, e Paulo Portas podia já ter reagido sem ter convocado os órgãos do partido». Lamentou ainda que o PSD esteja «a dar a oportunidade ao PS de se demarcar» da sua política.
A social-democrata foi particularmente crítica no corte das pensões, do qual está «convicta que é absolutamente ilegal». «Isto não é nenhum corte na despesa, é um imposto», avisou.
"Acabei de ouvir Miguel Relvas dizer, com o seu já habitual ar de sabujo, que o apoio aos mais desfavorecidos é uma preocupação permanente deste Governo. Perante a impossibilidade de ser ouvido por esta gente, perante esta espécie de surdez desprovida de qualquer noção de civilidade no serviço prestado ao país, vou escrever como se eles não nos estivessem a ouvir.
Que país é este que aceita que um bando de filhos da puta confisque impunemente o resultado do trabalho de milhões de pessoas? Quão insensível é preciso um bando de filhos da puta ser para anunciar ao país uma redução do salário mínimo? Eu sei que muita gente sente já ter assistido a isto antes, mas este não é um bando de filhos da puta qualquer. É uma espécie refinada de filho da puta, tão perigosa pela sua ignorância quanto pela capacidade inesgotável de mandar um país inteiro para o caralho que o foda. Bem sei que é um bando de filhos da puta com maioria absoluta. Infelizmente, demasiados eleitores desconheciam, à data das eleições, que estavam a mandatar um bando de filhos da puta com tão especial vocação para foder o mexilhão. Quiseram acreditar que este não era um bando de filhos da puta. Infelizmente, jamais imaginaram que este viesse a tornar-se o maior bando de filhos da puta que o país já viu no poder, e a mais séria ameaça ao modo de vida de todos os que diplomaticamente têm aceitado a pior forma de governo, salvo todas as outras.
Está ali um bandalho dum funcionário descansado na televisão a dizer-me que as empresas são locais de cooperação entre patrões, empregados e a cona da mãe dele. Amigo: locais de cooperação o caralho que ta foda. Este pulha dum cabrão, que nunca trabalhou numa puta duma empresa na vida, assim como a maioria destes inefáveis cabrões, que eu podia alegar não terem outro nome, não fosse o facto de já os ter apresentado como filhos da puta, mas dizia eu, este filho da puta, bandalho e pulha dum cabrão, sobejamente merecedor de todos os insultos que me forem ocorrendo, diz-me que a empresa é um local de cooperação. As empresas, cabrão desumano, são locais onde as pessoas convivem de forma mais ou menos saudável com um modo de vida/ocupação de tempo que, de forma mais ou menos saudável, aceitam ao longo de parte das suas vidas. Então explica-me lá, ó javali cagado pela arca, em que é que uma empresa é um local de cooperação, e não uma desesperada forma de prisão, quando um bando de filhos da puta destrói qualquer possibilidade de as pessoas terem uma remota esperança de construir algo edificante a que possam chamar vida, esperar que esta subsista, se mantenha e evolua positivamente sem a ajuda, mas especialmente sem a constante sabotagem, de um bando de filhos da puta. Se o referido bando de filhos da puta nos estivesse a ouvir, ouvir-se-ia por esta altura um deles dizer, de forma inacreditavelmente ponderada, dotado da mais fina filha-da-putice - que este bando de filhos da puta confunde com elevação, humanidade, sentido de estado e afins – diria que eu, e vocês todos, passámos estes anos todos a viver acima das possibilidades.
Mas quais anos, meu filho da puta? E quais possibilidades? Trabalho que nem um cão há 6 anos, a tempo inteiro mais as horas todas que não me pagaram, e o número de reduções salariais que tive, impostas por este bando de filhos da puta, é já próximo do número de empregos que tive na minha ainda curta carreira. Comprei um carro em segunda mão, uma mota para poupar no que não podia gastar com o carro, e vou jantar fora e ao cinema. Comprei uns discos, uns livros, fiz meia dúzia de viagens baratas, comprei uns móveis do Ikea e, durante o processo, paguei uma renda e uma catrefada de impostos. Vá lá, tentei ser feliz sem pedir ajuda a ninguém nem ir preso. Aceitei o mais serenamente que pude as regras do jogo, isto é, trabalho, trabalho e trabalho para usufruir do resto e conservar, em doses iguais, a saúde mental e a ambição, a primeira das quais começa a desvanecer-se, como se lê. E, no final de uma semana de 60 horas de trabalho que aceitei de bom grado por considerar justa e saudável a "relação de cooperação" mantida com quem me paga, ligo a rádio e é-me anunciada, por um filho da puta de currículo construído a favores, é-me anunciada a ideia peregrina com que este bando de filhos da puta, sem critério nem humanidade, resolveu premiar um país inteiro, que na sua maioria vive em muito piores condições do que eu.
Reduzir o salário mínimo? Aumentar ainda mais a precariedade de quem trabalha a recibos verdes? Transferir uma soma obscena de dinheiro dos trabalhadores para as empresas num país com clivagens sociais e económicas absolutamente trágicas, numa esperança infundada de que isso promova emprego? Isto já não cabe na cabeça de ninguém, e há um bom motivo para existir hoje uma impensável maioria que vai de António Nogueira Leite a Bagão Félix, passando pelos 4 sem abrigo que contei de casa até ao trabalho, mais as lojas falidas. Não é simbolismo nem retórica nem injustiça poética: isto é a vida, conforme ditada por um bando de filhos da puta, a abater-se sobre um país inteiro, dia após dia, cêntimo após cêntimo, impossibilidade após impossibilidade. Haverá um pingo de decência nestas cabeças? Milhões de vozes manifestam em uníssono a vontade literal de esganar estes filhos da puta, ao mesmo tempo que consideram, infelizes, a hipótese de fugir do seu próprio país, e estes filhos da puta aparentam não sentir nada. Foda-se, reduzir o salário mínimo. Há gente que merece o pior de nós. E é assustador que aí se inclua o Governo do meu país."
Descobri este texto de uma portuguesa de 32 anos, uma cidadã que diz o que sente e pensa a partir da sexta-feira passada. É um texto impressionante, que vivamente recomendo. Leiam, por favor, até ao fim.
"Vão-se foder.
Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso. Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se foder!
Trabalho há 11 anos. Sempre por conta de outrém. Comecei numa micro empresa portuguesa e mudei-me para um gigante multinacional.
Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objectivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 32 anos trabalho na minha área de formação, feliz com o que faço e com um ordenado superior à média do que será o das pessoas da minha idade.
Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo. Vivo bem, não sou rica. Os meus subsídios de férias e Natal servem exactamente para isso: para ir de férias e para comprar prendas de Natal. Janto fora, passo fins-de-semana com amigos, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educada a poupar.
Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter.
Sou uma pessoa de muitas convicções, às vezes até caio nalgumas antagónicas que nem eu sei resolver muito bem. Convivo com simpatia por IDEIAS que vão da esquerda à direita. Posso “bater palmas” ao do CDS, como posso estar no dia seguinte a fazer uma vénia a comunistas num tema diferente, mas como sou pouco dado a extremismos sempre fui votando ao centro. Mas de IDEIAS senhores, estamos todos fartos. O que nós queríamos mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se foder. Todos. De uma ponta à outra.
Desde que este pequeno, mas maravilhoso país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Nunca fui a uma manifestação. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”. Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se foder.
Matam-nos a esperança.
Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir neste parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que páram de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas? Quando é que acaba com regalias insultosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita?
Perdoem-me a chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho há 11 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia.
E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira.
Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam.
Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsído”. Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a puta de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD?
Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia!
Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se foder.
As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois.
As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos accionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a actual taxa de desemprego um flagelo? Que o é.
A sério… Em que país vivem? Vão-se foder.
Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos:
1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR.
2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe.
Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutadora, compreensiva… Até a mim me mataram a esperança.
Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem… Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário.
Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar.
Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: Vão-se foder"