Algumas centenas de pessoas estão concentradas desde as 15:00 no Marquês de Pombal, em Lisboa, onde o trânsito continua a circular normalmente, minutos depois da hora prevista para o início da manifestação 'ndignados'.
O alvo foi claramente o primeiro-ministro, que há dois dias anunciou os cortes previstos para o Orçamento de Estado de 2012. "Passos, ladrão, não levas um tostão" foi o principal slogan gritado nas ruas, mas houve também referências à troika e ao anterior Governo.
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PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO
- Pela Democracia participativa.
- Pela transparência nas decisões políticas.
- Pelo fim da precariedade de vida.
MANIFESTO:Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida. Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.
A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!
Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.
Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção. Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.
Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.
As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.
Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.
A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.
Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no Mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!
A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.
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UNIDOS POR UMA MUDANÇA GLOBAL – 15 DE OUTUBROevento em: http://www.facebook.com/event.php?eid=219905621399569
No dia 15 de Outubro, cidadãs e cidadãos de todo o mundo tomaremos as ruas para expressar a nossa indignação por vermos os nossos direitos atacados por uma aliança entre os políticos e as grandes corporações. Desde Democracia Real YA (Democracia Verdadeira Já), convidamo-vos a participar neste protesto pacífico unindo-se à nossa convocatória ou realizando as vossas próprias convocatórias nesta data. É tempo de elevarmos a nossa voz. O nosso futuro está em jogo, e nada pode reter o poder de milhões de pessoas unidas por um objectivo comum.
Democracia Real Ya é uma plataforma criada em Espanha para coordenar diversos grupos de mobilização cidadã. Sob o lema “Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros”, milhares de pessoas tomaram as ruas a 15 de Maio para exigir uma verdadeira democracia, para rejeitar a corrupção no sistema político espanhol e para mostrar oposição a medidas de austeridade a nós impostas. No seguimento do sucesso do primeiro protesto surgiram diversos movimentos e montaram-se acampadas em praças de todo o país, semelhantes à primeira ocupação da Praça Tahrir, no Cairo. Estas deram lugar a Assembleias Populares, onde cidadãs e cidadãos delinearam os seus objectivos através de um processo de decisão inclusivo e não-hierárquico. O Movimento 15 de Maio rapidamente se expandiu além das fronteiras espanholas e inspirou acções em inúmeras cidades em todo o mundo, incluindo um protesto massivo contra o Pacto do Euro a 19 de Junho.
Pressionados pelos poderes financeiros, os nossos governantes trabalham pelo benefício de uns poucos, sem se importarem com os custos sociais, humanos e ambientais que isso possa acarretar. Promovendo guerras por lucro e empobrecendo populações inteiras, as nossas classes dominantes privam-nos do nosso direito a uma sociedade livre e justa.
É por isso que vos convidamos a juntarem-se a este protesto pacífico e a espalhar a mensagem de que, unidos, podemos mudar esta situação intolerável. Tomemos as ruas no dia 15 de Outubro. É hora de nos ouvirem. Unidos, faremos ouvir as nossas vozes!
Centenas de manifestantes concentrados no Marquês de Pombal
De António Martins Neves (LUSA) – 15/10/2011
Lisboa, 15 out (Lusa) - Algumas centenas de pessoas estão concentradas desde as 15:00 no Marquês de Pombal, em Lisboa, onde o trânsito continua a circular normalmente, minutos depois da hora prevista para o início da manifestação 'ndignados'.
"Não pagamos" e"Greve geral nacional" são algumas das frases que podem ler-se em cartazes empunhados por alguns dos manifestantes concentrados no local.
De Syndey a Nova Deli, de Lisboa a Nova Iorque, 951 cidades de 82 países serão palco este sábado de manifestações e de outras ações de protesto para reclamar uma mudança global democrática e contestar o poder financeiro.
© 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
Lisboa, 15 out (Lusa) - A polícia e a organização nada adiantaram ainda sobre o número de participantes que integram a manifestação que está a decorrer hoje à tarde em Lisboa, no âmbito da jornada global do "movimento dos indignados".
Contudo, cerca das 16:00, mais de meia hora depois do início da marcha, ainda continuavam a partir pessoas do Marquês de Pombal, onde começou o desfile, enquanto a cabeça da manifestação chegava já ao Largo do Rato, a cerca de um quilómetro de distância.
O oficial da PSP que coordena o dispositivo policial que acompanha a manifestação disse à Lusa que a polícia está a ter uma "presença meramente preventiva", escusando-se a avançar o número de elementos que integram a operação.
O alvo foi claramente o primeiro-ministro, que há dois dias anunciou os cortes previstos para o Orçamento de Estado de 2012. "Passos, ladrão, não levas um tostão" foi o principal slogan gritado nas ruas, mas houve também referências à troika e ao anterior Governo. Só são conhecidos os números da organização, mas há quem diga que ficaram abaixo da última grande manifestação, no dia 12 de Março. A organização foi a mesma, mas desta vez uniram-se ao protesto mundial United for Global Change, que partiu dos indignados espanhóis e se espalhou este sábado por mais de 80 países.
Ao contrário dos confrontos violentos entre a polícia e os manifestantes italianos em Roma, em Portugal não houve incidentes graves. Fica apenas registado um momento de tensão em Lisboa, quando os milhares de manifestantes ocuparam a escadaria do Parlamento, obrigando a polícia a recuar e a pedir reforços.
Também no Porto ficou marcado o momento em que os manifestantes cortaram o cabo da bandeira de Portugal que está no mastro da câmara municipal. Entre críticas e aplausos houve ainda incentivos à queima da bandeira. Segundo a polícia estiveram nos Aliados um máximo de 10 mil a 12 mil pessoas, mas a organização avança o número de 25 mil pessoas.
Estudantes, desempregados, reformados e famílias, foram milhares os indignados que apareceram em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Évora, Faro e Angra do Heroísmo, pedindo uma mudança de posição do Governo, numa luta contra a precariedade, o desemprego e a corrupção. Exigiram uma maior democracia e o fim do capitalismo. Ouviu-se "A dívida não é nossa" como justificação.
Em ambiente de festa e descontraído, com alguns momentos de tensão e exaltação, os manifestantes não esqueceram a velha máxima "O povo unido, jamais será vencido" e durante horas fizeram-se ouvir, numa manifestação bastante barulhenta, entre tambores improvisados e apitos, contra as políticas de austeridade.
No fim do protesto, à semelhança do que aconteceu a 12 de Março, os milhares de manifestantes reuniram-se nas escadas dos Parlamento numa "assembleia popular" para debater contributos possíveis que ajudem a combater a crise. Entretanto, Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, já fez saber que está disponível para receber e ler estas propostas.
Para a meia-noite está ainda programada uma vigília.
qual a hashtag para o @15_Outubro em portugal? #15OPT ? consenso, anyone? quero twitar e acompanhar.. o #15O será demasiado generico #uncut
— saritamoreira (@saritamoreira)
Farei, em @PluralMag, curadoria das informações que for obtendo sobre os eventos em Portugal. #15oPT
— Paulo Querido (@PauloQuerido)
Para já, os cartazes ainda estão no chão e há apenas algumas dezenas de pessoas no Marquês #15oPT #15O http://t.co/WuOuDcXa
— sara_marques (@sara_marques)
Já se começa a andar na frente da manif. Grita-se "Passos ladrão, o teu lugar é na prisão" #15o #15oPT #indignados http://t.co/PepZYvVK
— sara_marques (@sara_marques)
A TVI24 está a acompanhar em directo as manifestações. A SIC Noticias tem no ar um programa de carros de luxo! Prioridades. #15oPT
— Luís Carlos Madeira (@lcmadeira)
#15o #indignados #15oPT já estao milhares na manif. Assobiam, batem palmas, tocam tambores e gritam: "o povo unido, jamais será vencido"
— sara_marques (@sara_marques)
Cartazes em Lisboa: este buraco rima com Cavaco; nao estamos a dormir; Passos, troca de salario comigo #15outubro
— Luís Galrão (@LGalrao)
Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal, a nossa luta é internacional, gritam milhares frente à AR #15outubro
— Luís Galrão (@LGalrao)
Cartaz do dia, visto na RTP, "IDE PRIVATIZAR A PUTA QUE VOS PARIU" #15opt
— Porfirio Hugo (@porfss)
Policia deixa ocupar parte do relvado do largo de S.Bento #15outubro
— Luís Galrão (@LGalrao)
Ha confrontos com a policia. Homem desmaiou. Grande confusao #15outubro
— Luís Galrão (@LGalrao)
Chegam reforcos. Manifestantes ocuparam escadaria. Ha duas linhas de policias a impedir acesso. #15outubro
— Luís Galrão (@LGalrao)