A manifestação apartidária, laica e pacífica convocada para o 15 de Outubro em Portugal, “pela democracia participativa, pela transparência nas decisões políticas, pelo fim da precariedade de vida”, reuniu cerca de 80 mil “indignados” nas principais praças de oito cidades.
@LGalrao
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Dia dos indignados ao minuto: organização fala em 100 mil manifestantes em Lisboa
@sara_marques
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A Assembleia Popular reunida em frente ao Parlamento aprovou uma concentração para o mesmo local para o dia da votação do Orçamento do Estado para 2012 a 29 de outubro. REVEJA a fotorreportagem VISÃO do mega protesto de sábado
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Programação - Semana de 1 de Junho a 7 de Junho
Lisboa, tal como outras cidades portuguesas e do resto do mundo, voltou hoje a encher-se de manifestantes. Veja aqui a fotogaleria.
[actualização: alguns erros ortográficos corrigidos]
Ontem tive a oportunidade de participar na manifestação d@s indignad@s, como se convencionou chamar. Caminhámos do Marquês de Pombal ao Parlamento, com muita gente e reivindicações diversas, mas tudo isso pode
ser visto/lido na comunicação social.
Gostaria por isso de me debruçar sobre outros aspectos que não são tão facilmente perceptíveis para quem de fora toma contacto com o acontecimento, através da comunicação social. Deixo também este texto como uma reflexão para quem esteve presente no local e para quem se ocupa com a organização deste movimento (organização essa que, recordo, pode ser partilhada por qualquer pessoa que o deseje e tenha para tal disponibilidade).
Ocorrem-me três aspectos a comentar: a) a organização da chamada assembleia popular; b) as propostas apresentadas; c) a oportunidade/hora das votações. Outros pontos haveria a discutir, como a forma de tomar as decisões, a aparente censura de que algumas pessoas que pretendiam falar terão sido alvo, a tentativa de desesperado controlo que a organização tentou ter sobre o comportamento d@s manifestantes, etc. Mas os três aspectos acima referidos e abaixo descritos já dão pano para mangas.
a) Estando pelas 19h ainda bastante gente presente diante do parlamento, pela minha observação entre 5.000 e 10.000 pessoas, começa a chamada assembleia popular. Esta funcionou com inscrições para tomar a palavra. Ponto. Nada mais do que isto. Quem queria falar inscrevia-se e aguardava pela sua vez para chegar ao microfone, o que aconteceu com cerca de 50 a 100 pessoas (não contei as intervenções). Ora 50 ou 100 é 1% do número de pessoas inicialmente presentes no local, o que significa que com esta forma de funcionamento a chamada assembleia popular deixou fora de qualquer possibilidade de participação 99% das pessoas presentes, sendo por isso mais aparentada com um comício, o que aliás é bem mais compatível com muitas das intervenções inflamadas que ocorreram.
Se queremos que a democracia se fortaleça e aprofunde, há que pensar outras formas de organização assembleária. Já no Rossio se (des)organizavam as assembleias desta forma, com os fracos resultados que se conhecem.
b) As propostas apresentadas a votação foram aquelas que as pessoas entenderam por bem fazer. Algumas dessas propostas foram a expropriação da banca, marcação de novas assembleia e manifestações ou ocupação do programa da TVI Casa dos Segredos. As pessoas votavam cada proposta de braço no ar. Ora gostaria de saber como é possível votar (decidir sobre) uma proposta de expropriação da banca, sem saber nada sobre como isso se irá fazer, de que contornos mais específicos se reveste, quem fica responsável/coordenador por tal, etc. Igualmente com a proposta que eventualmente será a mais mediática de todas, a ocupação da Casa dos Segredos. Como tencionam as pessoas que propuseram, bem como as pessoas que aprovaram esta proposta, concretizá-la? Todo este processo está muito verde e padece carece de seriedade e credibilidade. No caso de a Casa dos Segredos não vir a ser ocupada, um rude golpe será desferido na já pouca (porque ainda não conquistada) credibilidade destas assembleias.
c) Para finalizar, a questão da hora a que foram efectuadas as votações das propostas. Foi uma hora tardia, depois de várias horas e vários discursos do palanque, em que me parece que restariam entre 1.000 a 2.000 pessoas no local, ou seja, uma pequena parte das pessoas que estiveram presentes no início da chamada assembleia popular. Mais uma vez, este comportamento da parte de quem coordenava os trabalhos parece carecer de seriedade e credibilidade, ferindo com gravidade um processo que dá os primeiros passos e que deverá ser ponderado com todo o cuidado.
Em jeito de conclusão, percebe-se que é imperioso inverter este rumo, pensando as assembleias como um local de construção de saber e de emancipação e não como um palanque de exposição de pessoas mais atrevidas e eloquentes. É imperioso usar metodologias comprovadas de organização da participação popular. Temos que nos socorrer de profissionais que fazem do estímulo à participação pública o seu mester, para que com eles/elas possamos criar assembleias verdadeiramente participativas. É imperioso também que as organizações/associações/colectivos das sociedade civil sem vínculos partidários se assomem a este processo, minimizando a influência que certos partidos com respectivas agendas têm, para que as assembleias sejam uma verdadeira mostra da vontade das pessoas e não da vontade de certos partidos ou facções.
Um indignado
Este artigo faz parte da nossa cobertura especial Europa em Crise.
A manifestação apartidária, laica e pacífica convocada para o 15 de Outubro em Portugal, “pela democracia participativa, pela transparência nas decisões políticas, pelo fim da precariedade de vida”, reuniu cerca de 80 mil “indignados” nas principais praças de oito cidades.
Dois dias antes, a 13 de Outubro, o Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho anunciava cortes históricos na função pública, dando o mote a muitos dos cartazes levados às ruas pelas mãos dos manifestantes, que partilharam através das plataformas online registos em fotografia e vídeo dos acontecimentos.
A motivação e percurso do dia de acção em Lisboa, são sucintamente resumidos pelo utilizador do Youtube João Pedro (immortaltechpt), que partilhou no Youtube dois vídeos dos eventos:
desde o Marquês de Pombal até S. Bento. A manifestação regeu-se principalmente por uma discórdia para com as medidas de austeridade adoptadas para fazer frente à crise. Adicionalmente expressou-se a vontade de reformar a sociedade e fazer uma transição para uma democracia mais participativa/directa.
Depois dos preparativos para a manifestação [fotos], quem usou o Metro para chegar à concentração no Marquês de Pombal, pode ter reparado que os nomes das estações foram trocados. A acção directa O Metro é das pessoas, não é das marcas [vídeo], contra a mudança do nome da emblemática estação Baixa-Chiado para Baixa-Chiado PT Bluestation a propósito de um patrocínio da empresa Portugal Telecom, propõe uma reflexão sobre a privatização do espaço público em tempos de crise: «Entre-estágios» em vez de Entrecampos, ou «Baixa-Empregabilidade» no lugar de Baixa-Chiado.
Do Metro para as ruas, o seguinte vídeo agrega uma seleção de fotografias de Paulete Matos:
A marcha prosseguiu com cânticos de intervenção registados em diversos vídeos de cidadãos como este e o que se segue:
O destino seria a Rua de São Bento e eventualmente a ocupação da escadaria da Assembleia da República [vídeos].
"Esta tarde, em Lisboa, junto à Assembleia da República (16h38, antes da confusão) #15outubro". Foto de Luis Galrão no Twitpic
No Twitter, a hashtag #15oPT chegou aos trending topics nacionais, mas também foi usada #15outubro, embora em menor escala, para relatar o dia de protesto. Alguns dos utilizadores da rede mais activos a partir da manifestação foram a jornalista Sara Marques, através da sua conta pessoal (@sara_marques), e Luis Galrão (@LGalrao), que afirmou ser “notório que o Twitter não é o canal eleito pelos #indignados lusos”.
Realizou-se depois uma Assembleia Popular com cerca de 100 intervenientes e várias propostas aprovadas, tais como a permanência da ocupação, o apelo a iniciativas de desobediência civil, e nova manifestação a 26 de Novembro.
"Este Governo é ladrão porque nos rouba o pão". Manifestante no Porto. Foto de Diana Rui - www.dianarui.net.
Um indignado anónimo deixou algumas reflexões sobre a organização da assembleia popular, as propostas apresentadas e a oportunidade/hora das votações, “não tão facilmente perceptíveis para quem de fora toma contacto com o acontecimento, através da comunicação social”, que, “em jeito de conclusão”, resume:
é imperioso [pensar] as assembleias como um local de construção de saber e de emancipação e não como um palanque de exposição de pessoas mais atrevidas e eloquentes. É imperioso usar metodologias comprovadas de organização da participação popular. Temos que nos socorrer de profissionais que fazem do estímulo à participação pública o seu mester, para que com eles/elas possamos criar assembleias verdadeiramente participativas. É imperioso também que as organizações/associações/colectivos das sociedade civil sem vínculos partidários se assomem a este processo, minimizando a influência que certos partidos com respectivas agendas têm, para que as assembleias sejam uma verdadeira mostra da vontade das pessoas e não da vontade de certos partidos ou facções.
Na cidade do Porto cerca de 15 mil manifestantes marcharam da Praça da Batalha à Praça da Liberdade.
O panorama geral da manifestação na Avenida dos Aliados foi registado em vídeo:
"Roubam o povo para dar aos ricos… antes Robin dos Bosques. Democracia Directa". Revolução Mundial pela Democracia Real no Porto (15/10/2011) - foto de Pedro Ferreira copyright Demotix.
Keep calm and protest. Indignados em frente à Câmara do Porto. Foto da organização do 15 de Outubro.
"Os governos mijam-nos em cima! Os media dizem-nos que chove" (Coimbra, 15/10/2011). Foto de Aurélio Malva partilhada no Facebook.
O protesto terminou também com uma Assembleia Popular da qual resultou uma listagem de propostas (ainda não disponível online) a ser debatida no próximo Sábado, dia 23 de Outubro na Praça da Liberdade.
Do rescaldo dos protestos, Rui Rocha, no blog Delito de Opinião, questiona-se se “há por aí alguém que não esteja indignado“. Elaborando uma breve análise comparativa das marchas de 15 de Outubro e dos protestos da Geração à Rasca, a 12 de Março - “menos manifestantes num contexto social e economicamente mais degradado do que o de então” -, acrescenta:
para lá de tudo isso, das comparações, dos mensageiros, dos propósitos e do contexto, sobra uma mensagem que é impossível ignorar. A de que paira sobre nós um nevoeiro de injustiça, de desequilíbrio, de distribuição enviesada que não pode deixar-nos indiferentes. E, se os motivos, os percursos e as soluções não são consensuais ou mesmo aceitáveis, fica, apesar de tudo, um sentimento de indignação que merece ser partilhado e que tem muito mais adesão do que aquela que hoje foi visível nas nossas ruas.
Este artigo faz parte da nossa cobertura especial Europa em Crise.
'Segundo a organização, 100 mil manifestaram-se em Lisboa. Jornal El País baixava a estimativa para 30 mil' http://t.co/Q693JgBM #15oPT
— Luís Galrão (@LGalrao)
'Según la policía, la manifestación de Lisboa reunió a 12.000 personas. Según los organizadores, más de 25.000' http://t.co/gntshLDK #15oPT
— Luís Galrão (@LGalrao)
Números de ontem: El País: 12 mil (polícia)/mais 25 mil (organização). PÚBLICO: 30 mil (El País)/100 mil (organização) #15oPT #15outubro
— Luís Galrão (@LGalrao)
15 de Outubro: fotos da manifestação e ataques aos sites do Governo
14h45m: um grupo de Anónimos Portugueses fazia os últimos preparativos para a manifestação que teve várias dezenas de milhares de pessoas do Marquês de Pombal à Assembleia da República no dia de hoje.
O Tugaleaks esteve presente (com o Rui Cruz) e conheceu alguns dos Anónimos para quais este site está diariamente à sua disposição para prestar informação que os media não divulgam.A manifestação abriu os 4 noticiários principais Portugueses e ocupou na RTP1 mais de 10 minutos de tempo de antena.
FOTOS:
Download das fotos em HD – ZIP, 173.8MBVÍDEOS:
Entretanto a LulzSec Portugal efetuou alguns ataques DDoS enquanto a manifestação esteve durante a tarde a decorrer na rua.
PNR:
PS:
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PSD:
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É esta a verdadeira cultura dos Anonymous.
We are legion
We do not forgive.
We do not forget.
Expect us.Artigos relacionadoss:
21h00 Lisboa: em declarações ao PÚBLICO, João Labrincha diz que a organização da manifestação estima em cem mil o número de participantes. Sobre o incidente que levou à ocupação da escadaria de S. Bento, Labrincha disse houve uma pessoa se sentiu mal e teve de ser assistida, o que gerou um momento de alguma exaltação. O activista sublinhou que foi nítido que a polícia tinha ordens para não carregar e que os manifestantes reafirmaram a natureza pacífica do protesto naquele momento. (Miguel Gaspar)
20h38 Lisboa: "Assembleia popular" continuam em S. Bento. As intervenções sucedem-se, exigindo "auditoria popular às contas públicas. (Carlos Pessoa)
20h35 Uns 200 manifestantes, umas 20 tendas. Ao começo da noite em Lisboa era esta a contribuição de São Paulo, a maior cidade da América do Sul, para a indignação global. Um começo modesto, mas que, para os organizadores, representa "a entrada do Brasil" no movimento internacional. Os grupos participantes estavam em contacto com mais 70 cidades brasileiras e vários outros países da América Latina. Cartazes, camisas ou folhas volantes protestavam contra a corrupção, a construção da barragem de Belo Monte, na Amazónia, e a aprovação do Novo Código Florestal, que amnistia crimes ambientais. (Alexandra Lucas Coelho, em São Paulo)
19h38 Lisboa: um dos oradores diz que os polícias são vítimas da crise e os manifestantes aplaudem a Polícia. (Miguel Gaspar)
19h25 Lisboa: Assunção Esteves diz que está disposta a ouvir todas as propostas. Organizadores dizem ter recebido mensagem da presidente da Assembleia da República e dizem que é uma primeira vitória. (Miguel Gaspar)
19h20 Madrid: manifestantes gritam greve geral. Palavras ouvidas um pouco por todo o país.
19h09 Lisboa: prossegue a assembleia popular aos pés de S. Bento. Manifestantes vão falando à multidão. (Miguel Gaspar)
19h02 Lisboa: organizadores convocam nova manifestação para 26 de Novembro. Escadaria do Parlamento continua ocupada. (Miguel Gaspar)
18h58 Lisboa: "Esta coisa do comer e calar, de baixar os braços, de assistir passivamente à destruição de vidas naturalmente tem de ter uma resposta e no nosso entender tem de ser uma resposta de luta", disse o líder comunista no final de uma reunião de quadros do PCP na Casa do Alentejo, em Lisboa. (Lusa)
18h30 Manifestantes ocupam escadaria do Parlamento. De acordo com o dirigente do PCTP/MRPP Garcia Pereira, a polícia tentou deter um dos manifestantes, que estaria a atirar algum objecto ou água contra os agentes, considerando que a confusão foi provocada por elementos ligados à própria polícia. O Corpo de Intervenção já está no local. (Miguel Gaspar)
18h26 Lisboa: há uma situação confusa. A multidão chama fascistas aos polícias. (Miguel Gaspar)
18h25 Roma: museus fecharam as portas mais cedo por causa da violência.
18h10 Lisboa: neste momento começou a ser lido o manifesto do 15 de Outubro. (Miguel Gaspar)
18h03 Porto: manifestantes cortaram o cabo da bandeira de Portugal que está no mastro. Algumas pessoas criticavam, outras incentivavam à queima da bandeira. Polícia fala num máximo de 10 mil a 12 mil pessoas, a organização em 25 mil pessoas. De qualquer forma, muito menos do que no protesto de 12 de Março. (Alexandra Campos)
18h01 Lisboa: a manifestação está no nosso campo visual e ocupa todo o largo da rampa de acesso até à Calçada da Estrela. (Miguel Gaspar)
#15O #15OPT #indignados os resistentes. Ja comecam a chegar colchonetes para passar a noite http://t.co/BREvUXeG
— sara_marques (@sara_marques)
#15O #15OPT #indignados aprovam proposta para invadir a casa dos segredos e fazer assembleias populares em directo para todo o país
— sara_marques (@sara_marques)
#15O #15OPT #indignados aprovam proposta para ocupar a praca de S. Bento ate amanha e realizar nova assemblei popular as 19h
— sara_marques (@sara_marques)