Dinis
Beta-start: “empurrar” projectos inovadores para o sucesso
Concurso de Empreendedorismo Redemprendia da Ideia à Ação!
Como é que a minha cidade pode ser mais atrativa para a instalação de empresas e negócios? A resposta a esta questão deixou de ser um exclusivo do governo central dos países e começa a estar no centro das preocupações dos autarcas de muitas cidades do mundo inteiro. Cada vez mais as cidades competem entre si pela atração de investimento, empreendedores, eventos internacionais e turistas.
Por isso, mais do que o país, cada cidade deve ter uma estratégia inteligente que permita ser mais 'amigável' para os negócios. Não só nas questões burocráticas e na concessão de pacotes de incentivos, como também nos outros tópicos que a tornam inteligente: segurança, sustentabilidade ambiental, saúde, oferta cultural diversificada e boa governação. Só assim pode distinguir-se da concorrência e posicionar-se positivamente junto de investidores nacionais e estrangeiros. Enfim, estar na moda e ganhar massa crítica. Uma bola de neve que gera riqueza e empregos.
Foi assim que Londres, Barcelona, Estocolmo ou Berlim se tornaram nos últimos anos casos exemplares na Europa na atração de talento - sobretudo jovens empreendedores - e de investidores (empresas e capital).
E será que as principais cidades portuguesas estão no bom caminho?
Nos últimos tempos, tem sido possível constatar que Lisboa e Porto têm feito um esforço significativo no bom sentido. Na capital do Norte, acaba de ser anunciado o lançamento de um laboratório vivo (living lab) na área da mobilidade urbana, que poderá dar origem a médio prazo a uma vaga de empresas tecnológicas geradoras de riqueza e de emprego (ver artigo em baixo).
Graça Fonseca, vereadora da Economia, Inovação, Modernização Administrativa e Descentralização da Câmara Municipal de Lisboa, garante que a capital portuguesa tem uma estratégia em curso para tornar Lisboa uma cidade atrativa para os negócios. Admite que "pode não ter capacidade específica para se tornar num grande centro financeiro", mas revela que Lisboa tem sido promovida internacionalmente colocando em evidência a "qualidade de vida" e a "posição geográfica". "Lisboa é uma porta de entrada privilegiada na Europa, no contexto do atual processo de globalização, com uma capacidade crescente para trabalhar como um hub europeu atlântico em relação estreita com os países e as regiões emergentes das Américas Latina e Central, África e Ásia e em especial aos países de expressão portuguesa", defende Graça Fonseca. "É uma plataforma que dá fácil acesso a 750 milhões de consumidores europeus e aos países de língua oficial portuguesa."
Destaca o trabalho que está ser feito pela Invest Lisboa, uma agência de promoção da cidade como centro internacional de negócios, que desde a sua criação em 2009, apoiou 629 projetos de investimento, 70 dos quais estão executados. Também ao nível da atração de empreendedores, a capital portuguesa começa a ter uma posição de relevo, apesar dos constrangimentos da situação económica.
Atrair startups
Para João Vasconcelos, coordenador da Start up Lisboa, incubadora de empresas da Baixa de Lisboa, criada em 2011 por iniciativa do Município e do Montepio Geral, há um ecossistema mais favorável ao empreendedorismo. Os eventos nacionais internacionais em Lisboa multiplicaram-se no último ano (Startup Weekend, Seedcamp, Founders Institute, Energia de Portugal, Summer of Startups, Beta-Start, 3Days Startup, Bet App, Tec Talk, entre outros) e a cadência com que aparecem empreendedores é muito maior.
"A perceção de que Lisboa é uma ótima cidade para iniciar uma startup está a ganhar espaço, os locais tradicionais (Londres e Berlim) têm preços de habitação e escritórios e custo da mão de obra proibitivos para uma startup", defende João Vasconcelos. Prova disso, está nas 42 empresas já instaladas (das quais 20 são de empresários estrangeiros), algumas das quais com perfil internacional e que, para lá das operações em Portugal, já estão presentes, a exportar serviços e produtos. E houve mais de duas centenas que se candidataram à startup que ficaram a aguardar pelo novo polo que vai ser criado na Rua Castilho.
João Vasconcelos revela que a Startup Lisboa está a procurar fechar protocolos internacionais para o intercâmbio de empreendedores. O primeiro foi estabelecido com a Associação Brasileira de Startups, que congrega quase todas as incubadoras do Brasil. Em breve, vai ser firmado um acordo com várias incubadoras de Berlim.
Por tudo isto, Lisboa tem todas as condições para se afirmar como um hub internacional de empreendedorismo de base tecnológica. Boa acessibilidade (ajudada pela proliferação de voos low cost), mão de obra qualificada, baixos custos inerentes à acomodação de empreendedores estrangeiros em Lisboa. O sol e a proximidade (15 a 20 minutos da praia e da prática do surf) também são trunfos importantes de Lisboa face a outras cidades do Centro e Norte da Europa. Mas é preciso que Lisboa faça mais para atrair mais e manter os empreendedores. "É preciso uma indústria portuguesa de capital de risco que tenha mais apetência para investir neste sector e assuma mais riscos, business angels que se profissionalizem e se tornem mais arrojados, que o contexto fiscal e burocrático seja simplificado", defende João Vasconcelos.
O COMÉRCIO NO TELEMÓVEL
Sem pôr em causa a existência do comércio tradicional de proximidade, a cidade do futuro terá empresas que apostam no comércio eletrónico através dos computadores pessoais e dos dispositivos móveis. António Lagartixo, sócio-gerente da consultora Maksen prevê que em 2013 os pagamentos simples e seguros através de smartphone vão disparar em todo o mundo com o aparecimento de novos protocolos (NFS - Near Field Communication) e que Portugal não vai ficar atrás. Uma mudança que vai ter impacto nos hábitos dos consumidores que passarão a usar menos dinheiro vivo e cartões de débito ou crédito, no negócio das lojas on-line e nas respetivas cadeias de valor e de logística.
Porto vai ser laboratório vivo
Living lab da capital do Norte garante apoio de fundos comunitários e propõe-se criar oportunidades de negócios para novas empresas tecnológicas.
Colocar as novas tecnologias de informação e comunicação ao serviço dos 450 taxistas do Porto é um dos projetos do laboratório vivo que vai ser criado pelo recém-criado Centro de Competências Poralis Cidades do Futuro, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). A ideia é que cada veículo disponha de um sofisticado sistema de comunicações, um painel de controlo e um sistema de monitorização de intrusão baseado em sensores. Este é um dos projetos-piloto para cidades inteligentes que vão ser ensaiados no living lab do Porto, que acaba de receber um financiamento de 1,6 milhões de euros pelo sétimo programa-quadro da União Europeia nos próximos três anos.
Para João Barros, coordenador do Centro de Competências para as Cidades do Futuro e docente da FEUP, este financiamento comunitário é uma importante vitória para a cidade do Porto, uma vez que houve uma baixa taxa de aceitação (7%) por parte do júri que analisou várias dezenas de candidaturas de outros países comunitários. "A Comissão Europeia viu com bons olhos a escolha do Porto para a criação deste living lab, por ser uma cidade de média dimensão, adequada para fazer ensaios de novas tecnologias" afirma o especialista.
Além da modernização dos táxis da cidade, o living lab do Porto vai ensaiar tecnologias para os transportes multimodais (metro, autocarros) de modo a otimizar o tráfego e reduzir a poluição.
Poderão colaborar nos projetos as empresas tecnológicas da região e as 117 startups que estão hospedadas na incubadora do UPTEC, que no seu conjunto já criaram 1300 postos de trabalho. "Vamos trabalhar de perto com algumas empresas tecnológicas portuguesas que já cooperam com a Universidade do Porto e criar condições para o aparecimento de startups que tirem partido da investigação". acrescenta.
O centro de competências vai ter o apoio de instituições prestigiadas como a Supélec - Escola Superior de Eletricidade (França), a University College of London (Reino Unido) e o KTH - Royal Institute de Technology (Holanda), além do apoio das universidade americanas MIT (Massachusetts Institute of Technology) e CMU (Carnegie Mellon University). "Além de evitar a fuga de cérebros, queremos atrair cientistas e investigadores portugueses que estão no estrangeiro e aumentar a experiência dos portugueses através do contactos regulares com os investigadores estrangeiros", explica João Barros. "Pretendemos que as ideias frutifiquem na cadeia de valor, desde os estudos de investigação até à criação de produtos e serviços em áreas como telecomunicação, transporte, energia, entre outras que poderão ser vendidos a outras cidades a nível mundial", defende.
A partir dos sistemas tecnológicos desenvolvidos no living lab será possível atrair centros de investigação e companhias europeias que queiram trazer os seus protótipos e experiências para o mundo real, em áreas como os transportes inteligentes ou sensores à escala urbana. Uma presença que será importante para a sustentabilidade futura do laboratório do Porto.
Filipe Gonçalves e Tiago Matos, 26 anos, mestres em Engenharia Informática, trocaram os empregos na Agência Espacial Europeia e na Nokia para lançar uma startup e conseguiriam preencher uma lacuna no mercado das lojas online. Saiba como criaram a Vendder - Ops! a Jumpseller! - e o que aprenderam com a experiência.
COMO SURGIU A IDEIA?
Sempre tivemos a ambição de ser empreendedores. Depois de terminarmos o curso, começámos a explorar diversas ideias e entrámos em alguns pequenos projetos. Um deles foi uma loja on-line para um comerciante e depois de algumas complicações ao desenvolver uma solução feita à medida, apercebemo-nos que era possível criar uma solução generalista de comércio eletrónico para este tipo de clientes. As necessidades de comércio eletrónico que tinha o nosso cliente eram semelhantes a qualquer comerciante desta dimensão: métodos de pagamento locais, como referências multibanco, cálculo automático de métodos de envio, promoções, gestão de catálogo, customização do layout da loja.... Quando nos lançámos já havia algumas empresas nesta área, mas nenhuma se adaptava ao nosso mercado: não suportavam os métodos de envio e pagamentos locais, não tinham suporte multi-língua essencial a um mercado fragmentado como o europeu - não contemplavam, por exemplo, a língua portuguesa.
QUANDO DECIDIRAM AVANÇAR?
Na altura, eu trabalhava na Agência Espacial Europeia, na Holanda, e o Tiago estava na Nokia, no Reino Unido, mas decidimos que Portugal era o local ideal para criar o negócio. O custo de vida é bastante importante para os empreendedores na fase de desenvolvimento da ideia (que no nosso caso foi cerca de um ano). Tínhamos escassas fontes de rendimento, daí que Portugal tivesse uma clara vantagem em relação ao Reino Unido ou à Holanda. Além disto podíamos contar com a família, amigos e rede de contactos criada durante o tempo na Universidade do Porto. Enviámos a candidatura com o plano de negócios para a incubadora da Universidade de Porto, fomos aceites, voltámos para Portugal e começámos a desenvolver o produto. Estávamos na fase final de desenvolvimento, muito próximo de inicializar a comercialização, quando ouvimos falar do Startup Chile . Conhecemos o programa em algumas revistas de tecnologia. Inicialmente estávamos um bocado cépticos que fosse real, mas depois de lermos na Techcrunch e na Forbes pareceu-nos que não podia ser mentira e avançámos com a candidatura, pois pareceu-nos uma excelente forma de arranjar o capital.
O Startup Chile é um programa que pretende atrair empreendedores de elevado potencial para desenvolveram as ideias, durante seis meses, no Chile - pagam salário, certos custos da empresa, e ajudam a encontrar talento no país. Criámos a empresa antes de ir para o Chile, porque enquanto desenvolvíamos o Vendder fizemos alguns trabalhos de consultadoria essencialmente na área de comércio eletrónico, mas também no desenvolvimento de software para a Agência Espacial Europeia. Além disto, suportámos o projeto a 100% com capitais próprios e mais tarde, sim, tivemos o apoio do Startup Chile. O nosso investimento inicial foram os 5000€ para criação da empresa e temos reinvestido todos os ganhos do projeto no seu desenvolvimento.
O QUE TROUXERAM DE NOVO AO MERCADO?
O nosso produto é bastante simples, permitindo criar uma loja online instantaneamente, de forma fácil e intuitiva. Basta responder a um mini-inquérito e a loja é criada imediatamente. Depois o cliente configura o catálogo de produtos, métodos e taxas de envio, e o processamento dos pagamentos. O interface de administração do nosso software é acessível a qualquer pessoa, mesmo a quem não entenda nada de informática. Um dos problemas de muitos pequenos comerciantes é que têm pouca visibilidade na Internet, por isso também trabalhamos para os ajudar a exportar os produtos para outros canais, como o Facebook ou o Twitter. Em vários mercados somos o único software deste tipo que suporta os métodos de pagamento e envio locais (Brasil, Chile, Portugal, Colômbia). Somos também quase o único que tem suporte multi-língua nas lojas, sendo esta base de dados de traduções suportada por nós, mas mantida e atualizada pelos nossos clientes, num regime de crowdsourcing.
QUE ERROS NÃO VOLTARIAM A COMETER?
Devíamos ter-nos preocupado com a proteção da propriedade intelectual do produto desde o início da sua comercialização. Este erro saiu-nos muito caro. Não devíamos ter entrada em certos mercados sem ter a parte legal bem estudada. O nosso produto durante dois anos chamou-se Vendder, mas uma empresa americana disputou a nossa marca em vários mercados durante meses, até que ambos fomos obrigados a chegar a um acordo e nós mudámos o nome do Vendder para JumpSeller.
QUAL O OBJETIVO DO JUMPSELLER NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS?
Já temos algumas centenas de clientes, entre lojas em planos pagos e grátis. Mas o objectivo para os próximos dois anos é ultrapassar os mil clientes em planos pagos. Sendo um produto online, tem sido relativamente fácil entrar em novos mercados. Inicialmente, começamos por adaptar a solução às necessidades locais (língua, moeda, métodos de pagamento e de envio) e, posteriormente, realizamos marketing online directamente para aquele mercado (em blogs locais de comércio electrónico, como o Adwords, por exemplo). A maioria dos nossos clientes estão na América Latina - Brasil e Chile -, mas também já temos um cliente na Alemanha, e queremos chegar a mais países.
NOME:JumpsellerACTIVIDADE: Desenvolve e comercializa um software que permite a qualquer pessoa criar uma loja online
ANO DE ARRANQUE: 2009
SÓCIOS: Filipe Gonçalves e Tiago Matos, 26 anos
O objetivo é estimular os novos projetos e aliviar a tesouraria no primeiro ano e meio de vida das empresas
Novas empresas vão ficar 18 meses sem pagar TSU27/10/2012 | 01:04 | Dinheiro VivoÁlvaro Santos Pereira
D.R.É um bónus paras as empresas novas e um alívio temporário para as tesourarias. Durante 18 meses, os novos projetos ficarão isentos de pagar a Taxa Social Única dos funcionários, com o Estado a reembolsar todas as contribuições. A medida está prevista no novo Pacote para o Empreendedorismo e pretende que estas empresas fixem funcionários.
Empresas estão esmagadas pela burocracia do fisco. Leia aqui
Há limites: só quem tenha até 20 funcionários e nascido nos último ano e meio pode recorrer à isenção.
Depois de ter recuado duas vezes na TSU (primeiro numa baixa para as empresas exportadoras, depois numa folga de 5% às empresas paga pelos funcionários), o Governo avança agora para uma versão apontada aos novos fazedores. "Temos uma geração muito qualificada que pode fazer projetos com mercado", garante Carlos Oliveira, secretário de Estado do Empreendedorismo e Inovação. "Mas não queremos criar nenhuma ideia de subsidiodependência do Estado. Queremos resultados". A medida é financiada por fundos estruturais e insere-se num pacote mais vasto que se volta para a criação dos próprios negócios.
Ainda este ano, os jovens empreendedores terão mais cinco incentivos ao desenvolvimento de projetos, que envolvem apoios financeiros do Estado. Na fase de criação do negócio, o empreendedor poderá beneficiar de uma mensalidade de 691,70 euros (equivalente a 1,65 IAS), durante um ano. A bolsa tem o nome de Passaporte Empreendedorismo e as candidaturas abrem a 15 de novembro.
Na fase de arranque do projeto, os jovens voltam a ser ajudados através do Vale Empreendedorismo. São 15 mil euros a ser entregues a empresas com menos de um ano de vida e, segundo o secretário de Estado do Empreendedorismo, a verba já está disponível desde a passada quarta-feira. Por fim, e para acelerar o desenvolvimento das empresas, foi criada uma Plataforma de Ignição, que permitirá a articulação entre os jovens criadores e a Portugal Ventures. Nesta fase existe um total de 20 milhões de capital de risco para desenvolver novos negócios.
O Governo quer ainda estimular o investimento em startups e por isso facilitou a dedução à coleta nas entradas de capital nestas empresas - 20% de dedutibilidade com um limite máximo de 10 mil euros. Os encargos com funcionários também serão reduzidos nos primeiros três anos com reembolso das prestações pagas à Segurança Social.
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Universidades e empresas trazem mais inovação
Lisboa é uma cidade cada vez mais procurada pelos turistas, mas é preciso apostar mais no potencial da capital para os negócios. Só uma parceria entre as empresas e as universidades é capaz de atrair mais talentos e start-ups.
8:16 Sábado, 20 de outubro de 2012
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21:02 Quinta feira, 27 de setembro de 2012,
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11:40 Quinta feira, 27 de setembro de 2012,
Depois da onda de entusiasmo que varreu o sector da educação em Portugal nos últimos anos, a verdade é que agora os investimentos estão praticamente estagnados. Mas as empresas portuguesas que actuam nesta área não se deixam esmorecer e procuram além-fronteiras as oportunidades que deixaram de surgir dentro de portas. Os países emergentes são um dos principais destinos a ter em conta.
Cluster tecnológico de educação conquista mercado internacional
Ao longo dos últimos anos, as escolas portuguesas animaram a indústria com fortes investimentos em tecnologias, mas esses investimentos estão agora praticamente parados. Lá fora, sobretudo nos países emergentes, as oportunidades não abrandaram e muitas empresas portuguesas estão a tirar partido disso.
Cristina A. Ferreira | Casa dos Bits
Posicionar o ensino português entre os cinco melhores da Europa em três anos era a meta do Plano Tecnológico da Educação, lançado pelo Governo de José Sócrates em 2007.
Levar tecnologia e conteúdos digitais para as escolas e promover novas metodologias de aprendizagem eram dois dos grandes objectivos da medida. Cinco anos depois, com quase 1,4 milhões de portáteis entregues através do programa e-Escola, 600 mil Magalhães distribuídos no âmbito do e-Escolinhas e 100% das escolas do 2.° e 3.° ciclos ligadas à fibra óptica, não está tudo feito.
Se na área do hardware, na qual também se incluem sistemas de videovigilância, sistemas electrónicos de identificação dos alunos e quadros interactivos na maioria das salas de aulas, os objectivos foram cumpridos, do lado do software e dos conteúdos os números tendem a ser menos impressionantes, mesmo que não existam indicadores tão objectivos como os que é possível consultar no que se refere a equipamentos e melhorias na rede.
«Houve um arranque inicial forte, contudo, em virtude da conjuntura económica do país, verifica-se um abrandamento. Há projectos em suspenso em Portugal e na Europa», admite Francisco Fernandes, director comercial do groupVision, que representa na Península Ibérica a Smart, marca que inventou os quadros interactivos em 1986 e que, nesta área, detém uma quota de 40% no mercado português.
A trabalhar na mesma área dos quadros interactivos, a portuguesa Bi-Bright confirma a tendência. Junta à crise a mudança de estratégia política e garante que «o sector público deixou radicalmente de investir» em TIC. As implementações que existem são essencialmente contratos antigos ainda em execução.
Por afinar ficou uma estratégia capaz de imprimir fôlego a uma maior utilização de conteúdos digitais, que tire partido de toda a infra-estrutura instalada nos últimos anos. «A área dos conteúdos é a área que mais necessita de desenvolvimento, embora se saiba que esta área requer maior investimento em termos de tempo e de recursos (conhecimento)», defende João Paulo Seruca, responsável de vendas da Bi- Bright.
Quem está do lado dos conteúdos concorda e admite que até a forma como uma escola tira partido de uma plataforma tecnológica de conteúdos pode mudar radicalmente de um ano para outro, dependendo da dinâmica dos professores envolvidos e dos níveis de utilização das TIC fora do ambiente escolar. Nas zonas do país onde a penetração de Internet nos domicílios é baixa e onde o número de computadores por aluno nas escolas não é elevado também existe uma barreira forte à adopção das TIC, nota Ademar Aguiar, co-fundador da Tecla Colorida.
Mas se a evolução da utilização de conteúdos digitais nas escolas nacionais pode parecer fraca no último par de anos - sobretudo comparando com as mudanças no hardware disponível - uma janela temporal mais abrangente dá uma perspectiva diferente. A adopção da plataforma aberta de gestão de aprendizagens Moodle pela grande maioria das escolas e os números das empresas que desenvolvem soluções na mesma área mostram-no, ainda que pouco revelem sobre o impacto real da utilização destas tecnologias na forma de ensinar e aprender.
O e-escolinha.pt, da Tecla Colorida, foi lançado em 50 escolas no Porto, em 2009, no âmbito de uma parceria com a câmara municipal e com a Porto Digital. Hoje está em 300 escolas, a maioria, públicas. Com características diferentes das que reúne a proposta da Tecla Colorida, as plataformas da Leya e da Porto Editora reflectem a mesma evolução. A Leya chega com a Plataforma 20 a mais de 150 mil utilizadores em 3500 escolas.
A Porto Editora, que há sete anos mantém a Escola Virtual, já disponibiliza a plataforma a 200 mil alunos e 75 professores, em mais de mil agrupamentos escolares de todos os níveis de ensino. Aulas interactivas, exercícios e testes, apresentados muitas vezes com o apoio de vídeo e animações, são os principais argumentos da Escola Virtual, que também disponibiliza ferramentas de monitorização do estudo para os encarregados de educação.
A editora, pioneira neste tipo de plataformas em Portugal e por isso com um histórico já longo para analisar, assegura que o interesse nos conteúdos educativos digitais - e a própria utilização - está a crescer. «Alunos, pais e professores demonstram uma crescente receptividade em relação a este tipo de recursos», defende Paulo Gonçalves, responsável de comunicação do Grupo. Tirando partido disso está, aliás, a diversificar os conteúdos online e voltou a inovar quando recentemente lançou uma oferta de conteúdos mobile para estudantes. Disponível por agora apenas para iOS e sistemas Symbian, estão acessíveis resumos de texto e áudio. As primeiras obras a chegar ao telemóvel foram Memorial do Convento e Felizmente há luar!, iniciativas que a prazo serão estendidas a um leque mais diversificado de conteúdos.
OPORTUNIDADES FORA DE PORTUGAL
Ainda que os investimentos locais do sector da educação nas TIC estejam quase hibernados, os fabricantes acreditam que o caminho já percorrido não tem volta e que será uma questão de tempo até que a aposta nesta área volte a ganhar ritmo. Enquanto isso, muitos exploram oportunidades fora de Portugal. Muitos, aliás, já o faziam antes de o Plano Tecnológico representar a modernização no ensino. E já antes, como agora, dirigem a quase totalidade da actividade para a internacionalização. É o caso da Critical Links, do Grupo Critical Software.A sua tecnologia - Education Appliance - chegou a muitas escolas portuguesas durante o processo de modernização que o PTE pôs no terreno, mas é nos países emergentes que a empresa tem vendido mais e onde neste momento concentra quase toda a actividade. É um mercado promissor, com 10 milhões de escolas ansiosas por ter meios que as aproximem do ensino nos países desenvolvidos, acredita Luís Silva, director de vendas para a EMEA.
A Critical Links está neste momento a trabalhar em vários países do mundo. Os mercados mais importantes localizam-se em África e na América Central e do Sul, mas, para servir todos os locais onde a Education Appliance está, a solução já foi adaptada às línguas inglesa, francesa, espanhola, portuguesa, chinesa e turca. A relação com parceiros também se foi tomando mais estreita, e hoje as soluções de voz, dados e segurança que compunham a oferta inicial avançaram para uma fórmula mais completa, ligando-se a parceiros de conteúdos como a Encyclopedia Britannica, o Waterford Institute ou a Khan Academy.
A empresa de Coimbra tornou-se parte integrante de vários casos de sucesso internacionais na integração das TIC na educação. A China é um exemplo, mas há outros. Naquele país asiático, em parceria com a Intel, integra o projecto eSchoolbag, uma iniciativa governamental que pretende estabelecer as bases para o desenvolvimento de soluções educativas 1:1 nas escolas de Xangai.Caso idêntico é o da Bi-Bright, que também conseguiu afirmar a sua oferta de quadros interactivos no mercado internacional, e hoje depende pouco ou nada do mercado local, no qual está essencialmente presente em escolas privadas. Fora do país, a empresa está em vários países da região EMEA e no continente americano. «A única região menos trabalhada é a do Extremo Oriente», explica José Seruca. Os mercados prioritários são os das Américas, incluindo os EUA, do Médio Oriente e a Rússia. A presença constante nos principais eventos internacionais do sector ajudou a abrir portas. A inovação faz o resto. A cloud é a esse nível um dos desafios do presente. Os produtos da marca já suportam o conceito, mas estão a ser optimizados para tirar partido do modelo.
Do lado dos conteúdos também são várias as empresas nacionais ligadas à educação a explorar oportunidades fora de Portugal. Das escolas do Porto, o escolinhas.pt da Tecla Colorida saltou primeiro para outras zonas do país e mais recentemente para o Chile, Croácia e Estados Unidos, onde já tem projectos a funcionar. Na Polónia, no Brasil e em Moçambique tem outros em fase de arranque. A internacionalização obrigou a repensar o nome da plataforma, que fora de Portugal já é Schoooools.com e que por cá está em vias de adoptar a mesma designação.
INOVAÇÃO É MULTIMÉDIA
«Queremos chegar a todo o lado, obviamente, mas nesta fase damos destaque aos países de língua portuguesa e à América Latina. A estratégia que temos seguido é a de tentar criar laços com outras empresas ou instituições com objectivos comuns que colaborem na promoção da plataforma nos seus países», explica Ademar Aguiar.
Dirigido a crianças entre os 4 e os 12 anos, o Schoooools reúne um editor colaborativo (que é a componente mais popular da plataforma e a peça central na dinâmica de criação de conteúdos), uma rede social privada, mensagens, chat, calendários, álbuns ou jogos educativos livres. A ideia passa sempre por dar um papel mais activo que passivo ao aluno. A aceitação do produto tem sido bastante positiva, como é possível perceber pelo número de mercados aos quais a plataforma já conseguiu chegar, mas não é só isso que o revela.
«Muitas vezes ouvimos histórias de pais que nos contam que os filhos chegam a casa e querem ir logo para o computador, não para jogar ou para ver alguma coisa na Internet, mas para fazer os trabalhos de casa», relata Ademar Aguiar.
«É um sinal de que os nossos objectivos são atingidos: as crianças ficam mais motivadas para aprender porque podem fazer os trabalhos de casa online», acrescenta. Às funcionalidades actuais do Schoooools juntam-se em breve novas. Entre as previstas estão um editor de podcasts, um editor de vídeo ou a possibilidade de paginar e publicar os jornais criados na plataforma.
Os avanços estão a ser cozinhados no âmbito de um projecto de investigação (Escolinhas Criativas), que também envolve a Faculdade de Engenharia, a Faculdade de Belas Artes e a TVU, da Universidade do Porto, bem como o INESC Porto, o Instituto Superior de Engenharia do Porto, o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (CECS), a RTP e a Microsoft.
A perspectiva de evolução da plataforma, no que se refere a estas novas funcionalidades, continua a ser a internacional, uma postura que também está a ser adoptada por grupos editoriais de referência no mercado nacional, como a Leya, que tem vindo a apostar em força nos conteúdos digitais para o mercado português - como mostram, além da Plataforma 20, projectos como o Manual Escolar 2.0 ou o 20 Explica - mas também para acelerar a internacionalização.
«A Leya acredita que o futuro da educação passará em grande medida pelo e-learning. E é aí que está o nosso foco de investimento. Em 2012, o e-learning e as plataformas digitais representarão mais de 20% das receitas do Grupo, em todo o mundo», revela Joaquim Barradas, director do Departamento de Conteúdos Digitais do Grupo Leya.
A Plataforma 20 - Nota Máxima, lançada em Portugal em 2010, está hoje também disponível no Brasil. O Grupo posiciona-a como um projecto de blended learning, que integra ensino tradicional e ensino digital, promovendo a articulação entre recursos em papel e recursos digitais.
A versão lançada no Brasil está disponível desde o início do ano, integrada na oferta escolar, e é designada por plataforma 10 Escola Digital. «Trata-se de uma versão evoluída da plataforma disponível em Portugal, direccionada para uma utilização nas escolas brasileiras, que agrega uma base de milhares de recursos multimédia, desenvolvidos para os projectos escolares lançados pela Leya Brasil».
Direccionada para os mercados internacionais, o Grupo conta ainda com a Uni- Leya, uma plataforma de e-learning que, além de Portugal, opera no Brasil e em África e que conta com mais de 18 mil graduados por ano em cursos com a duração de 12 meses e outros 10 mil utilizadores de outros tipos de cursos.
Os conteúdos são produzidos pela área digital que, como sublinha Joaquim Barradas, tem sido alvo de um «forte investimento» e proporcionado um «significativo crescimento», tanto na área escolar, como na do ensino a distância. A dinâmica traduziu-se, desde o início do ano, na criação de mais de 100 postos de trabalho em Portugal, garante o responsável.
ACORDO MUNDIAL ENVOLVE TECNOLOGIAS EDUCATIVAS DE 36 EMPRESAS NACIONAIS
Reunidas num Agrupamento Complementar de Empresas (ACE), 36 companhias portuguesas com soluções tecnológicas educativas comercializadas em Portugal e em mais quatro dezenas de países assinaram recentemente em Nova Iorque o compromisso de participar no E.xample, um programa alinhado com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas.
Este conjunto de metas definidas pela ONU coloca nas TIC uma tónica importante para diminuir o fosso digital entre países, nomeadamente no domínio da educação.
O acordo assinado em Nova Iorque, no âmbito do projecto Millennium@EDU, concorre pelos mesmos objectivos, sendo ao mesmo tempo uma nova e importante oportunidade de negócio para as empresas que aceitaram integrá-lo.A ideia da iniciativa é facilitar a adopção de tecnologias de informação e de comunicação e de tecnologias científicas ligadas ao ensino por parte de milhões de crianças no mundo, oferecendo um pacote estruturado de hardware, software e conteúdos a um custo mais baixo.
«Isto irá permitir um aumento imediato da eficiência do ensino e da aprendizagem, possibilitando a muitos países queimar etapas de evolução e entrar, de imediato, num mundo muito mais avançado de metodologias de ensino e consequentemente de resultados de aprendizagem», defendem os promotores do ACE português.
Os membros do E.xample acreditam que o acordo se pode traduzir em importantes novas oportunidades de negócio, mas dizem que é cedo para as revelar em concreto, uma vez que o programa está ainda em fase de concepção.
Os números para já disponíveis são os do próprio programa, que prevê distribuir 15 milhões de Millennium Solution Packs até ao fim de 2015. O valor do pacote de produtos e serviços que se pretende oferecer também ainda não é conhecido, embora já se saiba que estes kits serão constituídos por muito mais do que um simples computador, incluindo componentes da sala de aula e da própria escola.
Foi no entanto definido como objectivo «que o pacote possa ser oferecido a um valor-alvo definido, com um desconto próximo dos 30%, quando comparado com a soma das peças que o constituem, mas esta é uma matéria ainda em aperfeiçoamento», revelam os promotores do E.xample. A mesma fonte assegura que vários países já demonstraram interesse em ser beneficiários do programa, que reúne nomes como a Microsoft ou a Intel.
LIVROS ESCOLARES EM PAPEL DEVIAM OU NÃO ACABAR?
Grandes editoras como a Porto Editora ou a Leya canalizam cada vez mais para as respectivas plataformas online os currículos das aulas com testes, exercícios e mesmo versões digitais dos livros em papel. Olhando para esse percurso e pensando que dificilmente outra medida poderia ter resultados mais efectivos para a criação de uma escola 2.0, vale a pena perguntar: os livros escolares em papel deveriam acabar e deviam ser adoptados de vez os formatos digitais? A resposta à questão não é igual para as duas concorrentes. A Porto Editora considera que a «resposta a essa questão se encontra, em países onde as novas tecnologias são há muito utilizadas: há um regime de complementaridade entre o papel e o digital, até porque a utilização do livro, pelas suas características, promove as capacidades de reflexão e de abstracção», acredita Paulo Gonçalves. A Leya revela uma opinião diferente e recorda, que a «Plataforma 20 inclui manuais escolares em formato digital, outros conteúdos digitais, testes interactivos» e todo um leque de conteúdos alternativos ao papel. Joaquim Barradas garante que a editora está há três anos pronta para, a qualquer momento, fazer a disrupção dos manuais em papel. «Por nós, é amanhã», acrescenta o director do Departamento de Conteúdos Digitais da Leya.
Jornal Negócios /Semana Informática, 17 de outubro de 2012
Há uma semana atrás estivemos à conversa com José Simões, co-fundador da Mobitto, uma startup prestes a lançar a sua nova versão - mais flexível, com elementos de gaming, rankings e muitas outras novidades.
Apesar de já ter estado disponível na App Store e no Google Play e ter participado no Startup Bootcamp em Junho de 2011, a empresa aproveitou o recente financiamento que obteve com sucesso liderado pela Leading Capital para repensar e reestruturar o seu produto.
O novo conceito desta aplicação mobile é o de crowdsourced loyalty - os utilizadores trazem comerciantes para a plataforma, e ganham pontos por isso. A aplicação é percecionada como um jogo onde os utilizadores interagem com as marcas tanto online como offline.
“O Mobitto é uma plataforma self-service de marketing, onde marcas e comerciantes podem criar campanhas em tempo real para um público-alvo bem definido. Pode ser usado para aumentar as vendas, fidelização de clientes ou popularidade.”
As vantagens para o comerciante?
Os comerciantes têm um targeting seletivo e focado nos reais compradores, acesso a todas as novidades em tempo real e uma flexibilidade enorme tanto de orçamento como de personalização das campanhas. O pagamento será feito apenas por cada cliente que fizer uma compra, o que torna a plataforma extremamente aliciante para os comerciantes locais, contrastando com o pagamento da mensalidade na versão antiga.
Conseguem, desta forma, obter novos clientes, reter os atuais e eliminar ineficiências do negócio, como de escoar stock difícil de vender.
O utilizador terá mais ofertas e um leaderboard
Do lado do consumidor, este poderá adicionar empresas perto de si, que gostaria de ter descontos, e além da possibilidade de os obter, irá alimentar o seu perfil na plataforma com pontos e um sistema de ranking. Ao longo do tempo, os utilizadores que mais consomem num determinado local tornam-se os embaixadores desse negócio, ganhando ainda mais notoriedade e pontos.
A aplicação irá criar uma base de dados extremamente rica sobre o consumo local, com dados sobre os utilizadores e negócios, o que fará com que as campanhas sejam extremamente direcionadas para o seu público-alvo. Esta funcionalidade irá, por consequência, garantir um nível de interacção com cada comerciante muito maior.
Esta nova versão irá sair este ano em versão inglesa, pensada de forma global de raiz, com um foco inicial nos EUA (Nova York e Boston) e Reino Unido (Londres). Iremos fazer um novo artigo sobre as primeiras impressões da app assim que esta estiver disponível.
Podes ficar a par de todas as novidades da Mobitto através do seu site e página do Facebook.
Gostarias de ter esta aplicação em Portugal? Em que lojas querias ter descontos?
Este artigo foi escrito por Rogério Moreira e Daniel Araújo. Obrigado ao José Simões por ter partilhado connosco estas novidades acerca da Mobitto.
Tem uma boa ideia de negócio? Acha mesmo que funciona? O banco não lhe dá dinheiro e não tem capital para investir? Então, a solução que procura pode estar no crowdfunding, um método de financiamento que consiste na recolha de fundos através da internet. Em Portugal, as ideias não faltam e muitas já estão a ser concretizadas.Numa altura em que o crédito bancário está cada vez mais difícil e em que a capacidade de investimento pessoal é limitada, os empreendedores portugueses têm vindo a apostar cada vez mais no financiamento através do crowdfunding, onde o dinheiro é angariado, online, a partir de vários "financiadores" que decidem apostar no projeto.
O novo álbum dos Primitive Reason e o novo disco dos Kumpania Algazarra, o projeto de ervas aromáticas Stufa, o projeto ByAgiL que desenha objetos com padrões inspirados nos azulejos, a edição do livro "O Homem da Gaita" ilustrado por Rui Pedro Lourenço a partir de um poema de Zeca Afonso. Estas são apenas algumas das ideias de negócios que, nos últimos meses, foram concretizadas graças ao crowdfunding.
A PPL e a Massivemov são as principais plataformas de crowdfunding em Portugal. Mas o portal Naturlink também lançou, no início do Verão, uma nova plataforma, o Naturfunding, especialmente dedicada a causas ambientais. Na primeira iniciativa que lançou, de apoio ao Centro do Lobo-Ibérico, a Naturfunding conseguiu arrecadar mais de 55 mil euros em dois mês.
Gabriela Marques, da Massivemov, explicou ao Boas Notícias que "perante o atual contexto económico, esta é uma alternativa cada vez mais viável e com potencial de crescimento", que apresenta várias vantagens como por exemplo a possibilidade de "testar o produto ou serviço junto do público”, “de angariar uma carteira de clientes e encomendas” e, ainda, a “oportunidade de divulgar a marca".
Os portugueses têm-se mostrado generosos. Até agora, cerca de 40 por cento dos projetos apresentados nestas plataformas conseguiram financiamento. O projeto ByAgiL, de Afonso Gil, arquiteto e designer, conseguiu arrecadar quase o dobro do valor solicitado, num total de 3.160 euros. "Foi surpreendente como as pessoas, a maior parte delas desconhecidas, apoiaram o projeto”, confessa Afonso, que falou ao Boas Notícias a partir da Feira de Design de Lisboa, onde a ByAgiL vai estar presente até dia 14 de Outubro.
Sucesso depende do valor do projetoO jovem designer diz que não podia estar mais satisfeito com a aposta que fez no crowdfunding. “A Massivemov deu-nos todo o apoio necessário, corrigiu o projeto e apontou os pontos fracos de maneira a tornar a ideia mais sólida”, recorda Afonso. Entretanto, a ByAgiL investiu o financiamento extra que conseguiu na criação de novos produtos e objetivos. Neste momento, os padrões da ByAgiL dão cor a objetos tão diversos como cadernos, camisas, lenços ou sacos.
No entanto, para garantir o sucesso através do crowdfunding, não basta ter uma ideia: há que saber organizar e apresentar os projetos até porque as ideias submetidas têm de passar por um processo de seleção."Pense muito bem na sua ideia e planifique todos os aspectos", aconselha Gabriela, sugerindo também que se “partilhe o conceito com algumas pessoas" para ouvir opiniões diferentes e "perceber o potencial" da ideia. "Por fim, não tenha receio de falhar mas trabalhe muito para que isso não aconteça", salienta a responsável.
Quando os objetivos estiverem bem definidos, os empreendedores devem submeter as suas ideias nos sites de crowdfunding. Depois, os projetos podem ser apoiados por qualquer pessoa, com valores que vão desde apenas cinco euros até às centenas de euros. Conforme a quantia que oferecer, o "financiador" tem direito a receber um prémio que poderá consistir em exemplares do produto ou outras recompensas.O novo documentário de Tiago Pereira sobre a viola campaniça do Alentejo e as originais gomas Nutrally, que são produzidas com ingredientes saudáveis, tal como noticiou há alguns meses o Boas Notícias, são dois dos projetos que, neste momento, procuram financiamento.
Os projetos têm um prazo máximo de três meses para angariar o mínimo de 80% do valor total. Se o objetivo não seja atingido, o valor das contribuições individuais não chega a ser debitado das contas bancárias dos respetivos financiadores.
Crowdfunding movimentou 1.4 mil milhões de dólares nos EUA
Este modelo de financiamento coletivo não é novo. Nos Estados Unidos o crowdfunding tem alcançado um sucesso exponencial com 1.4 mil milhões de dólares angariados através deste método só em 2011, segundo uma pesquisa da empresa Massolution. Em 2012, espera-se que este valor duplique.
Sem cunhas, sem o apoio de grandes marcas ou corporações, sem juros implacáveis, o crowdfunding quer criar condições para uma nova forma de promover o empreendedorismo, numa alternativa às burocracias e dificuldades que normalmente enfrentam aqueles que querem passar das ideias à ação.
Clique AQUI para aceder à Massivemov e AQUI para aceder à plataforma PPL e conhecer os projetos nacionais que, neste momento, procuram financiamento.
O AUDAX - Centro de Empreendedorismo da ISCTE Business School promove um fim de semana intensivo, com o objetivo de dar um empurrão a novas ideias de negócio que possam nascer na faculdade.
O «YA Bootcamp» não promete moleza aos jovens empreendedores que integrem o «pelotão» deste treino intensivo de empreendedorismo.
Desenvolver um modelo negócio, aprender a fazer um pitch, apresentar a ideia a um painel exigente formado por empresários experientes e investidores são algumas tarefas que os futuros empreendedores terão de executar.
Durante dois dias, através de workshops, sessões de networking e apresentações, vão ter a oportunidade de saber mais sobre as competências exigidas a um empreendedor, assim como as ferramentas necessárias para transformar uma ideia de negócio num projeto empresarial.
O objetivo da iniciativa passa por aproximar estudantes do Ensino Superior das mais diferentes áreas de conhecimento e desafiá-los a gerar e desenvolver uma ideia de negócio, promovendo uma atitude empreendedora.
As inscrições fazem-se até 1 de novembro no site do AUDAX. O «YA Bootcamp» decorre nos dias 10 e 11 de novembro, no CampoReal Resort, em Torres Vedras.
d.r. Ver Fotos »Dinis Caetano promove estudo pioneiro sobre incubação de empresas
O empreendedorismo pode favorecer o crescimento económico do Algarve e a incubação de empresas é um instrumento de promoção do empreendedorismo, com capacidade para atrair novas empresas, sobretudo de base tecnológica, foram as principais conclusões da apresentação do livro «Empreendedorismo e Incubação de Empresas – uma aplicação ao caso português», da autoria de Dinis Caetano, que ocorreu na Livraria Bertrand em Faro, na presença de 50 convidados e amigos do autor, sobretudo empresários, gestores, docentes e estudantes universitários.
O livro agora trazido à estampa, publicado pela Editora Bnomics, foi escrito em resultado da experiência profissional de 12 anos do autor enquanto diretor duma incubadora de empresas (CACE – Ninho de Empresas de Loulé) e de uma tese de mestrado em Economia da Inovação e Empreendedorismo, concluída na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve em 2011.
A apresentação do livro na Livraria Bertrand (Baixa de Faro), esteve a cargo do Prof.º Rogério Bacalhau, vice-presidente da Câmara Municipal de Faro, que destacou «a importância do empreendedorismo e da criação do próprio emprego, enquanto alternativas numa sociedade em mudança, globalizada e altamente competitiva, constituindo as incubadoras de empresas ferramentas de apoio ao desenvolvimento económico das regiões».
A incubação de empresas teve origem nos EUA e registou uma forte expansão a nível mundial a partir dos anos 90. O aumento de incubadoras também se registou em Portugal, tendo entre 2006 e 2009, entrado em funcionamento 19 incubadoras. Em 2010 estavam em atividade cerca de 50 incubadoras, ainda pouco conhecidas e estudadas.
O livro aborda os temas do empreendedorismo e da incubação de empresas em geral e tem como valor acrescentado a apresentação de um muito completo diretório de incubadoras em atividade em Portugal, as infraestruturas, serviços de apoio às empresas e oportunidades de acesso a redes (networking) que essas incubadoras disponibilizam e uma análise comparativa entre incubadoras regionais e universitárias, dois tipos diferentes de incubadoras.
Na obra agora publicada, o autor teve o propósito de conhecer e estudar a oferta de incubadoras em Portugal, de Norte a Sul do País, nos Açores e na Madeira e definiu como objetivo geral, identificar e caraterizar as incubadoras de empresas em atividade em Portugal em 2010, procurando traçar o seu perfil, baseado nas caraterísticas gerais e serviços de apoio às empresas, e perceber as principais diferenças entre tipos específicos de incubadoras.
De destacar, a construção de um diretório de incubadoras portuguesas com cerca de 50 incubadoras; a análise empírica, com base científica, das suas caraterísticas, processos e modelos de incubação e a realização do estudo comparativo que abrangeu 45 incubadoras (duma amostra alvo de 49), entre os dois principais tipos de incubadora em Portugal: «incubadoras regionais versus incubadoras universitárias».
Os resultados apresentados sobre as diferentes caraterísticas e outputs das incubadoras regionais e universitárias contribuem para a discussão do modelo de gestão organizacional das próprias incubadoras e podem apoiar a formulação de políticas públicas «amigas» do empreendedorismo.
O empreendedorismo é cada vez mais reconhecido como importante factor de crescimento económico, objetivo de política económica de que as sociedades modernas estão tão necessitadas e que vai para além das políticas de austeridade, necessárias mas insuficientes para um Portugal com mais futuro.
6 de Outubro de 2012 | 10:27
barlavento
Como a língua comum e a cultura próxima está a criar oportunidades para os dois países.
Decorreu em setembro a conferência “Caminho das Exportações”, organizada pelo Expresso, em São Paulo, sendo parte da iniciativa Energia de Portugal. Vários empreendedores Portugueses falaram desta relação entre os dois países, e como existem imensas oportunidades de crescimento para as empresas de ambos os lados do Atlântico.
A ligação entre os dois países, tão forte em vários campos da sociedade, procura hoje uma nova via de sucesso, em que ambos ambos possam beneficiar e crescer. Esta ligação, mais do que comercial, deve ser uma ligação económica. Isto significa que a preocupação não é apenas comprar e vender, mas sim criar sinergias para ambas as partes através de partilha de de tecnologia, conferências comuns, talvez até intercâmbio de colaboradores.
Apesar de os dois países estarem em momento económicos completamente diferentes, o benefício seria mútuo. O Brasil precisa da escala mundial, internacionalização, precisa do mercado europeu para vender vários produtos que produz. Não menos importante, precisa de uma voz diplomática na União Europeia.
Portugal precisa de acesso a um mercado onde os produtos nacionais são muito bem recebidos, mas que tem uma escala incomparável aos nossos 10 milhões de habitantes.
O que é necessário?
Estas sinergias poderão ser iniciadas pela troca de experiências entre os criadores e empreendedores dos dois países. A partilha de custos a fixarem-se nos dois países - uma empresa Portuguesa apoia uma brasileira a montar um operação na Europa e vice-versa, partilha de tecnologia - ambos os países possuem uma boa base tecnológica que teria imensos ganhos se essa fosse partilhada entre os dois, e negociação à escala - as empresas poderiam criar joint ventures para competir globalmente.
As exportações são a nossa maior aposta para a saída para a crise, e é inegável a sua importância para a correção da balança comercial. Ainda assim, há uma competência que Portugal tem que não está a ser devidamente utilizada - a diplomacia económica. Esta diplomacia tem sido utilizada apenas para pedir ajuda externa (o estado financeiro a que chegamos não nos permite negociar) e para provar como temos implementado o programa. Chegou a altura de negociar. Para isso, precisamos de criar valor para a outra parte também. No caso do Brasil, podemos abrir portas para o nosso mercado europeu e partilhar a nossa excelência em vários setores, que aprenderam nos últimos anos a ser competitivos internacionalmente como é o caso do setor calçado ou o têxtil.
O Português como nova língua do poder e comércio
A frase é da revista inglesa Monocle, que dedica a sua edição deste mês à lusofonia e ao impacto que, encontrado o caminho comum entre as várias nacões que partilham esta língua, poderá ser atingido pela língua comum. Desde o mercado Brasileiro, à diplomacia Portuguesa ou à riqueza de Luanda, o Português é uma língua global que tem sido menosprezada. Uma das sugestões da revista é a criação de um espaço Schengen para os países lusófonos.
“Apesar de Portugal não estar a atravessar uma das melhores fases da sua história económica, o país possui algumas empresas poderosas e a crescer.”
Felizmente há vários sinais de que esta mundança já está a acontecer. Nos últimos meses, foram assinados protocolos para o reconhecimento mútuo de graus académicos nos dois países e também um memorando de entendimento na área da propriedade industrial. Esperemos que outras áreas sigam estes bons exemplos, e que os empreendedores lusófonos consigam encontrar a plataforma certa para partilhar conhecimentos e fazer negócios à escala global.
A Telefónica, uma das maiores empresas do mundo em telecomunicações, e o Lisbon Council, um think-tank belga apartidário, anunciaram hoje uma parceria para os próximos três anos onde colaborarão para criar o Startup Europe, um “centro de excelência para desenvolver e apoiar o empreendedorismo e a criação de emprego na região.”
Eva Castillo Sanz, Chairman e CEO da Telefónica Europa, apresentou hoje o projecto no Encontro de Inovação, em Bruxelas. A empresária falou na “década perdida” da Europa, especialmente pela queda no PIB e aumento do desemprego nas várias economias europeias, e o que pode ser feito para tornar a Europa competitiva novamente. A perda de talentos para economias onde está a haver uma aposta forte na tecnologia e inovação como nos EUA ou nos BRIC, torna a situação ainda mais grave. O Economist retratou esta perspectiva muito bem em Julho deste ano neste artigo, onde fala do“falhanço crónico europeu em apoiar empreendedores”.
Para inverter este panorama, foi sugerida a criação de um hub de inovação que irá encorajar o espírito empreendedor por toda a Europa e ajudar a região a reaver a sua liderança na tecnologia.
Esta iniciativa foi categorizada como um action-tank focado nos jovens, tecnologia e empreendedorismo, que terá quatro vertentes:
1 - Inovação e Desenvolvimento de novos indicadores do empreendedorismo
2 - Aceleração de comunidades e pessoas
3 - Ferramentas inovadoras e métricas interactivas
4 - Encontros para discutir a política de Empreendedorismo
Máire Geoghegan-Quinn, comissária europeia para a investigação, inovação e ciência comentou esta iniciativa com uma auto-crítica à Europa:
“Demasiadas vezes, pensamos que faltam competências e experiência aos jovens, quando, de facto, eles conseguem compreender as novas tecnologias transformativas de uma forma que pessoas mais velhas não o fazem.”Ainda que estejemos no início desta iniciativa, penso que é uma ideal com potencial, e que, se não se limitar a políticos como a maioria das iniciativas europeias, pode, de facto, ter um impacto no Emprendedorismo Europeu. Com as diferentes economias a terem valências tão diferentes e complementares, a partilha de informação entre eles irá beneficiar todos.
Pessoalmente, gostava que houvesse um grande foco no ponto quatro - Encontros para discutir a política de Empreendedorismo - para que consigamos influenciar os países a fazerem alterações a nível do capital do risco, como o SEIS, ou a criação de uma rede de protecção para quem liquida empresas como foi feito nos EUA, permitindo assim que se possa falhar mais depressa, e se cria novos projectos.
Vamos ficar atentos aos desenvolvimentos desta iniciativa e retratá-los aqui.
Esta iniciativa já apoiou gratuitamente, desde 2009, o desenvolvimento de 110 ideias de negócio e possibilitou a 256 empreendedores a aquisição de conhecimentos e competências em desenvolvimento dos negócios e criação de empresas, independentemente das suas áreas de formação.No Idealab pode-se amadurecer o projecto, aceder a postos com Internet ou bases de dados de patentes e estudos de mercado e até ter um espaço para reuniões. Há ainda acompanhamento integral de consultores, que facultam um conjunto personalizado de ferramentas/instrumentos para validar o novo trabalho.
Várias ideias originaram empresas
As actividades do IdeaLab compreendem três fases principais: a recepção das Ideias de Negócio – análise e selecção das ideias apresentadas pelos seus promotores; start-Up Workshops – desenvolvimento de competências relacionadas com a criação de empresas e o desenvolvimento de negócios e a pré-incubação – acompanhamento individualizado dos promotores por um ‘business coach’ para a definição e a implementação das ideias de negócio.Três fases principais do processo de desenvolvimento das ideias
Das sete edições anteriores, várias ideias originaram empresas que estão já no mercado com grandes possibilidades de êxito, como Fermentum - Engenharia das Fermentações, Earboxwear, Geojustiça - Soluções Geográficas de Apoio à Justiça, Padrão D’autonomia; Bnml - Behavioral & Molecular Lab, Earth Essences, Tex Online, SilicoLife - Computational Biology Solutions for the Life Sciences e Contorno Verde - Sustentabilidade.
Miguel Cerqueira, um dos cinco promotores do projecto EdibleMatrix, considerou o VII IdeaLab “fundamental”: “Adquirimos conhecimentos sem os quais não teríamos conseguido desenvolver um plano de negócios e estar agora muito perto do arranque da empresa”.
Para João Ferreira, do Timeless Ideas, o IdeaLab deu formação em áreas que a sua equipa não estava habilitada, como análise financeira, estratégica e de mercado, e permitiu contactar profissionais experientes e sempre disponíveis, dando segurança nos passos a tomar.
A ANETIE é a associação portuguesa que melhor representa o sector empresarial de TI. Segundo o presidente desta entidade, Armindo Monteiro, o volume de negócios total das empresas associadas à ANETIE representa cerca de 2,7 mil milhões de euros.O sector está a acrescentar valor à economia. Até há não muito tempo, uma grande parte das empresas vivia muito da venda ou revenda de produtos internacionais. Agora, com as dificuldades de acesso ao crédito, muitas tecnológicas passaram a criar produtos e serviços próprios. Muitas empresas deixaram de ser box movers e passaram a acrescentar mais valor ao mercado.
Foi com agrado que a ANETIE assistiu a esta mudança, mas os desafios do sector são muitos, a começar pela necessidade de ter uma agenda própria. A associação defende que a concertação social em Portugal é irrelevante para as necessidades de um sector que não discute salários baixos nem as horas de trabalho semanais.
Semana Informática – De que modo a crise está a afectar o sector de TI em Portugal?
Armindo Monteiro – Por ser um sector de actividade com um modelo de negócio mais sofisticado, muito assente em conhecimento e menos no trading, como é a maior parte dos outros sectores portugueses de exportação, a ANETIE acredita que tem conseguido encontrar soluções para atenuar a quebra que se verifica na procura interna. Não quero que se mal interprete e que se pense que o sector está imune a toda a situação económica que está a afectar o país. Não é isso. Mas de facto o sector encontrou alternativas para conseguir manter o volume de negócios das empresas e em alguns casos crescer. Este crescimento é obtido, em grande parte, à base de trabalhos realizados no estrangeiro.S.I. – O que faz falta ao sector?
A.M. – Falar com uma voz muito coordenada. Já não digo a uma única voz. Só assim é possível introduzir uma agenda que sirva os interesses do sector.S.I. – Por exemplo?
A.M. – Enquanto na concertação se continuar a discutir salários mínimos nacionais, horários de trabalho, feriados, redução ou aumento dos dias de férias, as empresas do sector de TI e electrónica não podem estar bem representadas, porque essa não é uma realidade aplicável ao sector. Nas empresas de TI não se encontram pessoas com o salário mínimo. Por isso, discutir se devem ganhar 485 ou 500 euros mensais é uma conversa irrelevante.Se o país quer crescer a uma taxa de 3% ao ano, um ritmo identificado por todos como o necessário para gerar crescimento e emprego, a agenda deve apontar para empresas de valor acrescentado, com modelos de negócios mais sofisticados. O único sector capaz de proporcionar e responder aos desafios da complexidade é o sector de TI. Mas enquanto discutirmos esta agenda baseada em salários baixos e dias de férias não é possível fazer a mudança para que o país cresça.
S.I. – Quais são os temas que o sector gostaria de introduzir na agenda?
A.M. – São vários, como a tributação e os incentivos às exportações sob a forma de tributação. O sector não quer dinheiro; o que se pretende é que o Estado crie um quadro de desenvolvimento que permita às empresas portuguesas serem competitivas, pelo menos quando comparadas com os seus parceiros europeus.Demasiadas associações no sector
S.I. – O que falta fazer para que o sector de TI tenha uma visão mais concertada?
A.M. – Os portugueses têm muitas qualidades mas um defeito enorme: são muito individualistas. Na maioria dos casos, entendemos que o nosso assunto é específico. E nas tecnologias tudo é específico. Tudo é diferente. Temos associações para representar o outsourcing, os centros de contacto, os integradores, as comunicações, os registers, o comércio electrónico. Todas as microrrealidades estão representadas em associações, e como somos microrrealidades não conseguimos representar o sector como um todo.S.I. – Existem demasiadas vozes?
A.M. – Aquilo que acontece é, como existem muitas vozes, nenhuma acaba por ser audível e quase todas elas são mais ou menos irrelevantes para trazer esta discussão para a agenda dos parceiros sociais e políticos.S.I. – Porque não se cria uma confederação das associações de TI?
A.M. – Estamos a trabalhar nisso na ANETIE. Vamos ver se conseguimos reunir os esforços de todos os players do sector numa única voz. A lógica por trás desta acção não é reduzir ou minimizar as especificidades de cada sector; é ser muito mais eficiente na gestão destes assuntos.As preocupações essenciais entre as diferentes associações, se calhar 90% delas, são as mesmas, apesar das especificidades dos modelos de negócio diferentes ou dos modelos de contratação. É fácil concluir que, no essencial, é mais o que une o sector do que aquilo que o separa. Mas enquanto insistirmos na vírgula que nos separa não conseguimos promover essa reunião de esforços.
S.I. – A falta de cooperação entre os diversos players do sector acarreta que consequências?
A.M. – O que constatamos é que a agenda continua a ser disputada pelos sectores de actividade mais tradicionais da economia, como o têxtil, o do calçado, o metalúrgico, o do turismo, a restauração, e dizemos isto sem nenhum demérito. Mas na realidade são esses sectores que fazem alinhar a sua agenda com a agenda económica do Governo e dos parceiros sociais. Por isso vamos continuar a ser um país de baixos salários, muito baseado em negócios com margens baixas e em produtos e serviços de baixo valor acrescentado.S.I. – O país possui uma infra-estrutura de grande qualidade mas não sabemos tirar proveito dela. Concorda?
A.M. – Temos grandes auto-estradas de informação mas com pouca circulação. É um problema do país. Estamos habituados a grandes infra-estruturas e depois não sabemos como tirar partido delas. Temos três redes ópticas. Só os países ricos é que possuem estas infra-estruturas. Temos que começar a racionalizar. O que gostava é de que em vez de comprarmos produtos comprássemos mais massa cinzenta. Em vez de pagarmos licenças devíamos comprar conhecimento.Transformação do sector
S.I. – As empresas de tecnologias de informação estão a viver um período de transformação – olham muito para o mercado internacional. Quais são as consequências disso?
A.M. – Algumas das multinacionais que estão em Portugal acrescentam valor na sede das empresas e não em Portugal. Como presidente da ANETIE tenho a obrigação de denunciar estas situações. Por vezes, causa alguma estranheza o provincianismo de alguns governantes que seguem essas empresas e o facto de não se aperceberem de que, ao contrário da Irlanda, por exemplo, essas empresas não pagam aqui os seus impostos. E isso é importante que se diga.O sector teve até há relativamente pouco tempo uma componente de engenharia muito elevada. Agora é preciso entrar cada vez mais na componente de negócio, na área organizacional.
Para que as empresas cresçam, os consultores e os especialistas que conhecem os processos de negócio e as especificidades de determinados sectores de actividade devem ser mais recrutados. Deve existir uma aposta neste género de qualificações. Se as empresas do sector não conseguirem acompanhar esta tendência, não vão evoluir e vão regressar a um modelo de negócio assente no box moving.
S.I. – Como estão as empresas a adaptar as suas tarifas a esta nova realidade?
A.M. – Quanto mais se paga pelo licenciamento menos sobra para comprar conhecimento. Quando uma empresa compra uma licença, ela já está a pagar pelo licenciamento, pela conceptualização, pelo estudo, etc. A empresa tem o prêt-à-porter, mas agora a empresa quer um fato à medida, porque a realidade em Portugal não é um copy paste de tudo o que se passa noutros países. Não quer isto dizer que uma aplicação não cubra 70%, 80% ou 90% das necessidades da empresa, mas é sempre necessário customizar. Se as empresas não apostarem nesta customização, então estão a pagar por uma ferramenta da qual não estão a tirar todo o seu potencial.S.I. – O sector de TI é competitivo?
A.M. – Temos bons profissionais do ponto de vista das certificações e do conhecimento técnico. Na maioria dos casos, os portugueses que trabalham nesta área possuem um boa propensão para línguas, adaptam-se às culturas mais diversas e integram-se sem problemas nas sociedades em que trabalham. São bons profissionais, com boa atitude e com um preço muito competitivo, quando comparados com técnicos de mercados da Europa Central, da Escandinávia ou da América do Norte.A conjugação de todos estes factores faz com que as empresas portuguesas tenham recursos muito apetecíveis para trabalhar em qualquer país. Há mercados emergentes onde profissionais franceses ou alemães não são tão bem aceites. Já nem sequer refiro o caso de americanos, ingleses ou israelitas. Muitos países árabes, por exemplo, não se importam de comprar tecnologia americana, israelita ou canadiana, sempre e quando o seu intermediário não seja desses países. Este é um exemplo de uma vantagem que neste momento as empresas portuguesas possuem face a outras empresas europeias de países de maior dimensão. Temos de saber tirar proveito desta situação.
Acrescentar valor à economia
S.I. – Qual é o grande desafio do sector?
A.M. – Temos de identificar as áreas de crescimento no sector e transformar aquelas áreas que cada vez são mais commodity e menos negócio. Estamos num sector de actividade em que tudo muda a cada trimestre ou semestre.Este sector tem os seus desafios internos, mas estamos conscientes de que vivemos num país com 10 milhões de habitantes e que não tem escala suficiente. É necessário pensar global, pensar para outros mercados. As TI são uma área em que facilmente se entende o factor K. O custo que uma empresa tem com o desenvolvimento de uma solução é igual para uma venda de um projecto de 10 milhões ou de 100 milhões de euros. O que acontece é que, como vivemos e trabalhamos para um mercado pequeno como o português, nunca conseguimos alcançar ganhos de escala desta dimensão. Quando começarmos a pensar numa escala global, então o sector passa a ter uma oportunidade única de crescimento.
S.I. – A língua não é uma barreira?
A.M. – No caso das tecnologias de informação a língua é uma enorme oportunidade. Temos o caso de Angola, do Brasil e de Moçambique, países com dimensão, e isso é muito importante. Não estou a dizer que as empresas portuguesas devem apostar só nesses mercados, pelo contrário, a mensagem que deve passar é que é mais fácil “produtizar” uma solução em Portugal e levá-la para esses mercados. Dessa forma é possível ganhar escala, testar o produto ou o serviço, e mais tarde replicá-lo em mercados de maior dimensão. Esta é a grande oportunidade que muitas empresas do sector têm pela frente.A ideia não é ficar pelos países lusófonos, mas saber tirar proveito de uma realidade que é maior do que aquela que existe no mercado nacional. As empresas portuguesas devem encarar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como um ponto de partida e não como um ponto de chegada. Nenhuma empresa chega ao topo se não encarar o mundo como um todo.
Como ajudar os sectores tradicionais da economia
S.I. – O que pode fazer o sector por outras áreas de actividade?
A.M. – Muito. O sector de TIC é o único capaz de ajudar a transformar esses negócios e os sectores mais tradicionais, acrescentando mais valor, mas, enquanto o sector continuar a olhar para dentro e não para fora, vamos avançar muito pouco nesse sentido.S.I. – As TI aplicam-se a qualquer sector?
A.M. – Tomemos como exemplo o sector do turismo. As TI aparentemente não aportam nada, mas na realidade é tudo: reservas, marcações, pagamentos, promoção. Na área do turismo pode fazer-se tudo de forma virtual, seja num computador, seja num portátil, num smartphone ou num tablet. O que está feito em Portugal? Que projectos marcantes são conhecidos de unidades hoteleiras que possuam uma forte presença na Internet? No entanto, há projectos turísticos fora do país que estão massivamente na Web.S.I. – Existe muito espaço para inovar nos sectores tradicionais?
A.M. – Há excelentes iniciativas que podem ser replicadas. Não temos de descobrir sempre a roda. Podemos melhorar o que já existe. Por exemplo, em França, uma empresa de calçado faz sapatos customizados, conforme a planta do pé. Para isso, basta enviar para a empresa uma impressão do formato do pé, e num par de dias a pessoa recebe pelo correio o calçado totalmente customizado. Isto significa que um qualquer consumidor, em qualquer parte do mundo, é um potencial cliente dessa empresa. Não necessita de recorrer a intermediários, não precisa de armazenistas. Neste caso, uma empresa portuguesa poderia vender directamente ao consumidor final.Que soluções do género temos em Portugal? Não temos, apesar de o sector do calçado português dar cartas a nível internacional. As tecnologias podem ajudar e não só na parte de melhorar a gestão com os ERP ou os CRM. Estamos a falar de novos modelos de negócio, inovação de produtos e serviços; acrescentar mais valor e diferenciação às empresas e às indústrias, por muito tradicionais que possam ser.
S.I. – Acredita então que todos os sectores de actividade podem ser transformados recorrendo às TI?
A.M. – Considero que só há uma forma de desenvolver a economia. É necessário sofisticar em duas áreas. A primeira são os empresários, que devem fazer um esforço para criar negócios cada vez mais sofisticados. Já não chega apenas a atitude. O espírito empreendedor por si só já não chega; hoje é necessário existir matéria empreendedora. E para haver matéria não é preciso ter apenas atitude e vontade; tem de haver conhecimento e valências que permitam criar um negócio diferenciador e sofisticado.O segundo aspecto é que esse negócio seja suportado por tecnologia. Aquilo a que muitas vezes assistimos é que o negócio assenta muito na atitude da transpiração, do esforço, da esperteza, quando na realidade o que precisamos é de negócios que assentem no conhecimento e em muita inteligência. Esta passagem faz-se com pessoas bem preparadas e não com tecnologia. Depois de realizada essa mudança, o negócio é sustentando com o quê? Com tecnologia. Se não fizermos estas duas transformações, estamos condenados, não vale a pena, vamos continuar a ser um país cuja competitividade assenta maioritariamente na mão-de-obra barata.
http://tek.sapo.pt/noticias/negocios/parque_tecnologico_nos_acores_quer_atrair_tec_1271709.html Publicado por Casa dos Bits às 09.49h no dia 25 de Setembro de 2012 | 9 comentáriosFoi ontem assinado o contrato para a construção do primeiro edifício do Parque Tecnológico de S. Miguel, nos Açores, um investimento de 8,9 milhões de euros que pretende atrair para a região algumas empresas tecnológicas, como a Microsoft, PT e Globe Star Systems - uma empresa de telecomunicações de origem canadiana -, escreve a Agência Lusa.O edificio deverá estar concluído dentro de ano e meio e José Contente, secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, adiantou à Lusa que "quando a construção do primeiro edifício do parque estiver concluída, essas empresas vão aí instalar-se".
O parque tecnológico - também conhecido como projeto NONAGON - pretende criar novas oportunidades de emprego qualificado no concelho de Lagoa e deve funcionar como um espaço onde será possível "pôr os talentos a render", afirmou o secretário regional.
A ideia é que funcione também como incubadora de empresas e "incubadora cruzada de empresas nacionais e internacionais", cita a mesma agência.
O edifício que vai estrear o parque contará com espaço para empresas, uma auditório com 400 lugares, uma zona de exposições e um parque de estacionamento para 150 viaturas.
O concurso para construção do edifício tinha sido lançado em fevereiro e corresponde à segunda fase de desenvolvimento do projeto NONAGON, depois da infraestruturação do espaço e a construção de fundações e caves de todos os edifícios que integrarão este parque, obras que foram realizadas em 2010 e 2011 e que representaram um investimento global de cerca de 5 milhões de euros.
De acordo com a informação do Governo Regional dos Açores, o parque irá incorporar outros três edifícios: o Centro de Tecnologias de Monitorização e Alertas, o Centro de Formação e Desenvolvimento Tecnológico e o Centro Empresarial de Tecnologias de Informação e Comunicação.
Está disponível no site Vimeo uma apresentação sobre o parque, que reproduzimos aqui:
Parque Tecnológico de São Miguel from Helder Medeiros on Vimeo.
Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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Ideias com potencial de volta à Invicta 20.09.2012 | Por Cátia Mateus
A cidade do Porto prepara-se para voltar a receber a Feira do Empreendedor, a mais antiga mostra de empreendedorismo com a chancela da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) que este ano coloca em destaque o poder dos bons negócios com raízes portuguesas.
Made in Portugal. Esta será a linha mestra da edição 2012 da já habitual Feira do Empreendedor que soma 15 edições. O edifício da Alfândega do Porto, volta a acolher o evento da ANJE que este ano escolhe elevar mais alto as cores da bandeira nacional, ao reunir no mesmo espaço casos de sucesso e serviços de apoio a empreendedores mostrando que não são poucas as áreas em que Portugal desafia a crise para se destacar pela positiva a nível nacional e internacional.
Com as cores nacionais, a Feira do Empreendedor que decorre de 22 a 24 de novembro, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, quer posicionar-se como uma mostra de empreendedorismo diferenciador, competitivo e de vocação global, com bases sustentadas no conhecimento e na geração de valor acrescentado e com ambição constante de inovação e internacionalização. A meta é criar um ecossistema favorável à criação e desenvolvimento de novos negócios, onde não falta nenhuma das componentes essenciais.
Informações, apoios e oportunidades são as três grandes áreas deste certame. Nele será possível encontrar quatro mostras distintas. Na Mostra New Franchising, estarão reunidas as mais recentes oportunidades e novidades para quem quer empreender pela via do franchising. Na Mostra das Soluções e Financiamentos estão representados bancos, empresas de capital de risco, consultoras, business angels e outros investidores ou apoios. A Eco Biz dá lugar a empresas e entidades que disponibilizem tecnologias sustentáveis e a Mostra Tecnológica, a empresas de última geração com intervenção direta no mundo tecnológico. Mas o certame não se fica por aqui e contempla ainda salões temáticos de exposição que congregarão um vasto conjunto de entidades públicas e privadas com relevância para o exercício empresarial, a promoção do empreendedorismo, o apoio ao emprego e a qualificação profissional.
Ao Salão do Franchising e Oportunidades, Salão de Apoio à Criação e Gestão de Empresas, salão Futuro e salão High Tech/ High Biz juntam-se centenas de oportunidades de negócio e networking e diversas ofertas em matéria de aprendizagem e consultoria. No total, a organização espera no evento mais de 100 empresas e instituições que se distribuirão por dois mil metros quadrados de área de exposição.
À semelhança do que vem acontecendo nas edições anteriores, a Feira do Empreendedor 2012 inclui um programa de atividades paralelas onde se destacam sessões com investidores, workshops sobre como criar um negócio específico e um ciclo de 24 conferências temáticas versando áreas como o marketing e vendas, gestão, franchising, internacionalização, inovação, formação, emprego e gestão de carreiras.
Segundo a ANJE, “a afluência do público feminino, que nos últimos anos constituiu 40% dos visitantes, justifica na edição deste ano a continuidade de uma iniciativa realizada pela primeira vez em 2011: a sessão Women Inov, onde jovens empreendedoras de elevado potencial têm oportunidade de partilhar o seu testemunho empresarial inovador, num formato informal e de proximidade com a plateia”. Para a associação “o desafio da iniciativa consiste em deitar por terra todos os pressupostos das desigualdades entre géneros e estimular a criação de empresas lideradas por mulheres”. O empreendedorismo volta a estar no centro das atenções.
Quando chegou ao Brasil há uns meses, à procura de oportunidades de investimento, Jorge Santos Carneiro pensou que estava a pesquisar mal. O presidente executivo da tecnológica SAGE Portugal, habituado a gerir um portefólio de 60 mil a 70 mil clientes ativos no mercado português, assumira que seria razoável procurar empresas com mais de 100 mil clientes no Brasil. "Mas não encontrava", contou na conferência "Caminho das Exportações", organizada pelo Expresso em São Paulo, em parceria com o Barclays e a consultora PwC. Na mesa redonda sobre empreendedorismo (enquadrada no Energia de Portugal, outra iniciativa do Expresso), que reuniu investidores e empreendedores, Jorge Santos Carneiro confidenciou o que percebeu passado algum tempo. "Não há empresas no Brasil com tantos clientes, porque, apesar de haver mais de 6 milhões de empresas, apenas cerca de 150 mil empresas estarão informatizadas com um sistema de gestão".
O Brasil tem mais de 6 milhões de micro e pequenas empresas, que totalizam 99% dos negócios do país. É também o terceiro país do mundo com mais empreendedores, logo a seguir à China e aos Estados Unidos. A conclusão é do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), cujos dados mais recentes, revelados em julho, mostram que o Brasil tem já 27 milhões de pessoas envolvidas num negócio próprio ou na criação de algum.Em junho, a procura deu frutos e a SAGE avançou com a aquisição de 75% da IOB Folhamatic por 398 milhões de reais (153 milhões de euros). Os restantes 25% mantêm-se nas mãos de Mauricio Frizzarin, que fundou a empresa em 1990, quando tinha apenas 16 anos.
Ricardo Castanheira, responsável pela estratégia corporativa da Microsoft no Brasil, sublinhou a relevância do Microsoft BizPark, programa que oferece software, suporte técnico, formação e visibilidade junto de clientes e parceiros da Microsoft. O gestor português enumera perto de 2000 empresas em fase inicial (start ups) apoiadas até agora, de que resultam 7600 postos de trabalho e cerca de 100 mil horas de formação.O investidor Nuno Gaioso Ribeiro, sócio fundador e presidente do conselho de administração da Capital Criativo, procura "pequenas e médias empresas que possam crescer por via de processos de internacionalização" e já conta com quatro operações no Brasil, onde se inclui a Live Content, tecnológica portuguesa que já entrou no México e está a desbravar o mercado brasileiro.Também Sydney Chameh, sócio fundador da DGF Investimentos, dedica-se a selecionar oportunidades de investimento. O gestor procura "empreendedores excecionais" e "companhias com potencial de crescimento acelerado". E em 11 anos de atividade já acumulou 500 milhões de reais (191 milhões de euros) em fundos que participam em empresas. "O Brasil tem uma estatística de empreendedorismo muito grande", reconhece. Mas alerta para a falta de qualidade do empreendedorismo, devendo-se apostar mais no empreendedorismo de oportunidade (por oposição à necessidade).Os dados do Sebrae confirmam que a maioria dos homens empreendedores prefere atividades ligadas a manutenção e reparação de veículos automóveis, minimercados, "lanchonetes" e similares, e transporte de passageiros. Já as mulheres (49% do total), optam por negócios ligados à estética e aos tratamentos de beleza, ao comércio de vestuário, ao fornecimento de comida preparada e confeções.
Como entrar no Brasil
Para os portugueses que queiram entrar no mercado brasileiro, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) partilha alguns passos e conselhos essenciais: é preciso constituir uma sociedade (atenção ao Direito brasileiro), elaborar os Estatutos ou Contrato Social e o registo da sociedade, entre outras formalidades. A lei brasileira não impõe um limite mínimo de capital social para a constituição de sociedades limitadas ou anónimas. Não é obrigatório o recurso a sócios brasileiros, embora em muitas situações a inclusão de um parceiro local possa ser considerada uma mais-valia.Para António Lucena de Faria, presidente executivo da Fábrica de Startups, "nada impede hoje um português, um brasileiro, um chinês ou um indiano de se conhecerem em redes sociais, de se juntarem e desenvolverem uma ideia de negócio". Ambição maior: que "Portugal possa ser a plataforma do Brasil na Europa e vice-versa".
Publicado originalmente no caderno de Economia do Expresso de 15 de setembro de 2012
Porto, 12 set (Lusa) -- Alguns dos mais bem sucedidos empreendedores mundiais debatem, a 15 e 16 de novembro, em Lisboa, temas ligados ao empreendedorismo, aceleração de ideias, inovação e financiamento de 'start-ups', na 2.ª edição do 'Silicon Valley comes to Lisbon'.
O objetivo, adiantou à agência Lusa fonte da organização, é "inspirar talentos portugueses de elevado potencial", sendo esperados cerca de 600 participantes entre empreendedores, investidores, decisores corporativos e públicos, media e estudantes de mestrado e doutoramento das principais universidades portuguesas.
Durante o evento, revelou a Beta-i, os participantes terão a oportunidade de "contactar com empreendedores, investidores e representantes de aceleradores internacionais que, na última década, participaram ativamente na criação e promoção de algumas das mais bem-sucedidas 'start-ups' [empresas inovadoras] a nível mundial".
Beta-start: “empurrar” projectos inovadores para o sucesso
Concurso de Empreendedorismo Redemprendia da Ideia à Ação!
"É o petróleo que nos falta encontrar." É assim que Luís Segadães vê a costa portuguesa. Como organizador das "Sete Maravilhas", visitou todo o País pela costa "fantástica", mas viu algumas lacunas. Para Segadães há muitas oportunidades desperdiçadas. "Por exemplo, na costa alentejana, não há atividades organizadas, um turista que queira conhecer as falésias, ver as cegonhas, não tem passeios organizados.